sábado, 25 de dezembro de 2010

Destino

Certo dia, depois das canseiras diárias,

Disse-me o Destino, com voz agonizante:

«Criei-te para a dor, para o sofrimento constante.

Da juventude foste privada.

Viverás uma vida angustiante.

Resta-te o pranto, a solidão.

Teus anos serão infaustos,

teus dias constante desilusão.»



Num gesto de desespero

chorei noites a fio.

Que futuro? Que presente?

Como suportar a desgraça iminente?



Foi então que decidi.

Invocado o mau Destino,

Respirei fundo e resisti

Troando a minha decisão:

«Não sucumbirei a ameaças vãs,

nem a presságios de desgraça.

As noites tornar-se-ão manhãs,

não é a noite, mas a aurora que me abraça.

À dor, reagirei com complacência;

ao sofrimento, com esperança;

à velhice, com confiança;

ao pranto, com um sorriso;

à solidão, com amor.



Agarrei o Destino com força,

nas minhas mãos em concha.

Depois, poisei-o devagar,

encolhido, resignado,

E deixei-o ali ficar.

2 comentários:

  1. Citando Eddie Vedder:
    "It´s an Art to live with with pain,
    mix the light into grey..."

    Cada vez me convenço mais que o destino é tão simplesmente caminhar...
    cruzar e descruzar caminhos...
    viver o presente e cada passada que se dá... mesmo que seja por entre a neblina...
    que há sempre um raio de sol para nos aquecer do outro lado...

    Foi bom encontrar-vos no acaso da palavra...
    tão belas pegadas líricas vai deixando pelo caminho...
    a espelhar com dor, mas com coragem o que tantas outras almas também sentem...

    Parabéns pela mensagem e nunca deixe de se expressar...
    aí está o dom da expressão e da partilha...

    ResponderEliminar
  2. Obrigada pelas palavras gentis e tão poéticas. Tem realmente o dom da palavra e sabe usá-lo com muita sabedoria.

    ResponderEliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...