terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Quando for velhinha, se lá chegar

Quando for velhinha,

se lá chegar,

terei rugas de orgulho no rosto,

mãos calejadas e velhas,

com veias grandes, sinuosas

e muitas histórias para contar.



Sofrerei das costas,

do fígado, dos rins

e outras doenças afins…

Mas lúcida quero estar,

ter-te ao meu lado

e dos netos poder cuidar.



Mas não sei como será,

a Deus entrego o meu destino,

e calmamente, serenamente,

a velhice chegará,

entrará por minha casa adentro,

chegará para me vergar,

de um para outro momento,

chegará para se instalar.



Recebê-la-ei com complacência,

repousarei no seu regaço,

dela ganharei a sapiência,

que se sobreporá ao cansaço.



Serei de novo a criança

pura de coração,

e voltarei a fazer asneiras,

para chamar a atenção.



E quando ficar inválida,

e começar a dar trabalho,

A morte vir-me-á buscar.

Devagar, sem me aperceber,

pegar-me-á ao colo,

aninhar-me-á no seu peito,

e com ela ir-me-á levar.

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