segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Domadora de feras

(imagem de picasaweb.google.com)


Sou domadora de feras,

feras bestiais,

das que nos ousam afrontar

pesadelos de angústia e dor.



Como a venço?

Com amor!



Feras paranormais,

difundidas pela mente,

qual vírus mortal.



Como as anestesio?

Com versos escritos a fio!



Feras humanas,

que nos tentam derrubar,

com críticas destrutivas,

que nos querem abalar.



Como os ultrapasso?

Com a força de um abraço!



Feras desleais,

que tão bem fingem amor,

mas que são só animais

feridos no seu rancor.



Como os enfrento?

Com a poesia,

o meu grito, a minha arma,

o meu cimento,

o meu fado e o meu carma!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Existir de cuidados

(imagem de outrocantinhomari.wordpress.com)



Sou mais um eu

que vagueia numa multidão de gente,

todos cegos, cruéis,

desprezíveis, sátiros, monstros ignóbeis.

Sou mais uma pedra que rola

por entre tantas outras,

azuis, cinzentas, esverdeadas,

brilhantes, diamantes, safiras…

Sou apenas mais alguém

que se esconde no seu eu

para fugir ao mundo que o cerca,

oprime, exige, maltrata.

Viver é hoje um existir de cuidados,

um tormento sem fim,

uma série de sentimentos exilados,

apertados, comprimidos dentro de mim.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Amiga

A uma amiga muito especial





A ti dedico este poema.

Amiga vulcão

de lavas de amor;

amiga coração

sempre unida na dor.

Tu que me ouves

quando mais preciso,

que me dizes verdades,

me apoias, me repreendes.

Mãe extremosa.

Mulher furacão,

força da natureza,

que se esquece de si

para ajudar a reerguer quem precisa.

Como te admiro!

Se um dia fores tu a cair,

sabe, aqui estarei

para te ajudar a levantar,

como sempre fizeste comigo.

Amiga mãe,

amiga irmã,

amiga esposa,

amiga amiga.

É por ti

e por pouco mais pessoas

que merecem

que existe a palavra:

AMIGA!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Basta de sofrer!


(imagem de maisquepalavras1.blogspot.com)

O meu ser está cansado,

quer reformar-se da tristeza,

da dor, do desalento, da desilusão

e começar a usufruir da paz,

tão desejada…

o constante pulsar do coração,

a ansiedade, o medo…

Contraem os músculos até doerem,

doem fora e dentro da alma,

ferem mais do que punhais.

E o meu ser sufoca o grito na garganta,

Reprime a vontade de dizer BASTA!

E vai aceitando, conformado,

esta ausência de vida,

este viver em corpo morto,

este suicídio da alma e do sentir.

Quando? Para Quando?

Até quando?

BASTA!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Dias carentes



(imagem de scrap.mixplanet.com.br)



Há dias em que me sinto de novo menina

a precisar do seu cobertor de pelúcia

para se enroscar e aconchegar.



E essa menina que acorda em mim,

embala-me e aninha-me, assim…

Como se eu fosse a sua boneca favorita.



E, nesse aconchego ternurento,

poisa-me a sua boquita na minha face

e esqueço tudo naquele momento,

só quero que o seu abraço me enlace.



E sou eu essa criança,

quando ainda tinha carinho para dar

quando ainda tinha alguém a quem amar,

alguém com quem sentisse a aliança.



Ainda criança, de rosto infantil,

com um sorriso rasgado no rosto,

mãozinhas pequenas, alma pueril,

sem conhecer as teias do desgosto.



Tapa-me com o teu cobertor,

dá-me mais um beijo na face,

quero voltar a sentir o amor

que tu, vida, me negaste.



Embala-me até adormecer,

adormece também os meus sonhos,

faz-me esquecer os temores medonhos,

simplesmente, faz-me esquecer!





quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Os momentos vão com o vento

(imagem de santiagojjones.blogspot.com)

Os momentos passam

e deles pouco fica…

os nossos momentos

ficam apenas em nós,

mas, com o tempo

transformam-se em pó.

Momentos de alegria

passam sem se dar conta

rápidos e agitados,

rasgados em gargalhadas

de euforia,

em embriaguez de emoções,

numa rápida epifania.

Momentos de prostração

prolongados pela mente,

que se compraz

num corpo dormente

de tudo incapaz.

Lágrimas presas,

num ser ausente,

aprisionadas em torrente

de incertezas.

Momentos de dor

num prisioneiro coração

preso no terror

da infelicidade e da solidão.

Momentos de glória,

grandiosos, irrepetíveis,

onde as taças das vitórias

são sempre infalíveis.

Mas também essas taças

um dia ganharão pó,

serão esquecidas

no sótão da avó.

Momentos de desilusão,

que destroem a imagem

daqueles que mais gostamos

que perderam a razão.

E de cada momento

vivido,

fica um ou outro na memória,

esquecido…

Tantos e tantos momentos,

sucessivos, imparáveis,

que se vão como os pensamentos

com o vento,

incontroláveis…

Tela


É tudo tão simples

quando tudo é puro!

Como estas flores

sem passado ou futuro!



É tudo tão lindo

quando tudo é natural!

Como este lindo pássaro,

sem angústia ou mal!



É tudo tão feliz

quando tudo é ilusão!

Como este casal pintado,

sem vida ou coração!



A simplicidade, a beleza, a felicidade

são puras, naturais, meras ilusões.

O pensamento destrói com maldade

todos os mais sagrados corações!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A minha memória

(imagem de darkhumanity.blog.com)


No último degrau da escada

sentei a minha memória,

que começou a contar a história

de uma vida passada.



E a memória sentou-se ao lado

de todos quanto amei,

conversou com eles como eu conversei

num tempo ultrapassado.



Deu as mãos aos meus amigos,

suplicou-lhes uma aventura

vivida nessa nossa infância pura,

tempos perdidos, esquecidos…



Passou a mão pelo rosto dos mais novos

primos, amigos, vizinhos…

fê-los sorrir com os carinhos

que eram, nessa época, tão nossos!



Pousou o pé hesitante

naquele chão que pisávamos

nos momentos em que nos encontrávamos

para um dia emocionante.



Sorriu ao ver-me passar

de mão dada com a avó

nunca triste, nunca só,

sempre correr e a saltar.



A minha memória reviveu momentos,

conseguiu observar tudo

o que estava quieto e mudo

no vão da escada de outros tempos.



Peguei-lhe, então com cuidado,

para não a perder,

e nunca mais esquecer,

tudo o que havia observado.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Onde está a minha infância?

(imagem de flickr.com)



Quando era pequena,

um pouco Maria-rapaz

acreditava que tudo podia,

que de tudo era capaz.



Achava que o meu triciclo

era um grande camião,

sentia-me superior,

capaz de viajar sem direcção.



E os caminhos trilhados

cheios de pedra e de pó

eram os mais amados,

onde nunca me sentia só.



Levava o coração cheio,

de grandes sonhos e ilusões,

o meu triciclo era o meio

de seguir as emoções.



Que bela imagem esta,

que recordo de mim,

em que tudo era uma festa

e os sonhos não tinham fim.



Porque cresci, meu Deus?

Já não caibo na infância.

O triciclo onde está?

A enferrujar na distância.

Em África deixei a Maria-rapaz,

à força tive de crescer.

Fiquei a saber que a infância jaz

numa moldura a apodrecer.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O Relógio da Vida


Todos os dias

a monotonia se repete,

as horas copiosas

são sempre iguais às de ontem.

Sempre o mesmo percurso,

sempre o mesmo caminho,

marcado pelo destino…



Pudera atrasar os ponteiros

do relógio, implacável,

enganar à força o tempo,

torná-lo mais permeável!



Vou sabotar o relógio,

subir ao cimo da torre da igreja.

Assim, cada um terá tempo

para fazer tudo o que deseja.



Vou invadir o tempo,

deixá-lo desnorteado.

Com a minha sedução

deixará de ser obstinado.



Levo os ponteiros comigo,

deixo o relógio em branco

e, se querem que seja franco,

deixá-lo-ei mesmo perdido.



E então, finalmente, terei tempo

para inovar os meus dias,

alegrar as horas,

alterar o percurso,

mudar de caminho

e dizer não ao destino!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Louvor à ficção


Procuro a harmonia

entre a palavra e o sentimento.

Busca incessante e infrutífera.

Incessante procura! Quando encontro a palavra,

o sentimento já não é o que sinto.

Se, pelo contrário, tenho o sentimento

não há palavra que o possa exprimir.



E os poetas que pensam ter

o domínio das palavras

e o auge dos sentimentos,

desconhecem que a palavra é criação,

e o sentimento ficção.

Convencem-se que são sinceras.

E não serão?

O que é afinal a sinceridade?

A ficção ou a verdade?



Indefinível verdade

se quem me olho ao espelho

já não é a realidade

mas a projecção do que penso,

do que sinto e do que me invento



Doce ficção,

tenebrosa ficção,

sempre pronta a criar

uma doce ilusão,

um sonho arrebatador,

uma dor e uma traição…

Dedico o meu louvor

à força da tua emoção!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Estou em paz


No aconchego da lareira,

revejo memórias crepitantes.

A madeira estala

a lembrança.

O passado

cheira a fumo,

impregna a alma

uma essência queimada.

Em cada labareda

uma paixão escondida;

em cada estalido da lenha,

uma dor no peito.

As cinzas são lágrimas,

jazem-me no coração,

num passado queimado.

Mas invade-me um calor aconchegante

desta lenha crepitante.

Aconchego as memórias

Impregnadas pelo fumo do tempo.

Embalo-as até adormecerem.

Estou em paz.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Poema Inacabado



Comecei um poema

que não acabei…

Queria pôr nele sentimento,

amor, alegria, movimento.

Mas o amor ofuscou-se,

a alegria esvaiu-se

e o movimento ficou no pensamento.

Depois pensei no reverso

do que queria pôr no verso,

angústia, dor, desilusão.

Mas a angústia ficou presa no peito,

a dor ficou no ser desfeito

com a desilusão no coração.

A pena não ousou mais divagar

sobre sentimentos que se quiseram ofuscar.

E o poema que comecei,

não o acabei…

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Poder da Ficção




Nem sempre corre uma brisa na minha vida,

ou as estrelas iluminam o meu caminho,

nem sempre sou tocada pelo condão da inspiração,

ou empreendo voos de imaginação,

nem sempre o amor me abre os braços,

ou as flores me despertam os sentidos,

nem sempre o sol resplandece os meus dias.



A brisa contraria-me e morre sufocada,

as estrelas apagam-se quando as olho,

o condão da inspiração desaparece por magia,

a imaginação voa para bem longe de mim,

o amor ignora-me todo o dia,

as flores fecham-se quando passo,

o sol envergonha-se e esconde-se na encosta.



Mas, mesmo assim,

enalteço a brisa que não corre,

sonho o brilho das estrelas apagadas,

procuro a imaginação fugitiva,

sorrio ao amor que me ignora,

contemplo as flores fechadas,

aqueço-me nesse sol envergonhado.

Porque, apesar de nada ser perfeito,

tudo tem a sua verdadeira perfeição,

basta que eu a veja ou imagine,

a respire, a toque, a ouça

ou, simplesmente,

a sinta com o coração,

ou a recrie com o poder da ficção!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Montes do paraíso


Trouxe sempre comigo

o cimo destes montes,

verdejantes, com cheiro a alecrim,

a giestas, cantarinhas e jasmim.

E no cimo destes montes

o coração não se exalta,

o tempo parece que não passa.

À minha frente

o rio segue o seu curso,

sem nada que o detenha

e o seu lento e leve sibilar

é música para os meus ouvidos.

E sinto paz neste profundo silêncio,

ouço o silêncio dos montes,

que até já os montes se calam.

E encontro a eternidade

nesta omnipotente imensidade!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Vilancete ao país que temos



Segura queria estar

no cantinho do meu lar;

não ter de me preocupar.



Ando farta de ouvir

que em crise está o país.

Que é da força motriz

que o impedirá de cair?

Essa força que há-de vir,

só na imaginação

de quem perdeu a razão.



O governo o que fez?

Ordenou a contenção!

Ah, meu grande aldrabão!

Um governo de má rês,

que, com modo leviano

nos fez viver no engano.



Com palavra meiga ali,

e com muita ironia,

fez da crise a sinfonia,

que vamos tocar aqui.

Medidas deste cariz

tornam o povo infeliz.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...