domingo, 20 de fevereiro de 2011

A cor do Outono

(imagem de avitrinedesonhos.blogspot.com)

O Outono chega acompanhado

pelo vento que se vai transformando,

suave, frio, lancinante, cortante.

Abre a sua enorme bocarra de ar

e sopra em cada folha,

desnudando as secas árvores,

que se vergam ante a sua passagem,

temerosas, pesarosas…

As folhas caem por terra,

amarelas, laranjas, castanhas.

É a terra clamando por elas,

num acto telúrico.

Estação do envelhecimento,

do eterno questionamento,

das dúvidas, do silêncio,

da necessidade de se ficar a sós

e reforçar laços e nós.

Estação incerta, insegura,

apodrece, de madura

e cai em abismos estrepitosos,

em ecos solitários e estrondosos.

Outono da vida,

irrompendo pleno de interrogações,

alma de si perdida, esquecida,

repleta de imensas questões!

É preciso varrer as folhas-questões,

juntá-las num montinho

resgatá-las devagarinho

para não se dissipar a réstia das ilusões!

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