quarta-feira, 23 de março de 2011

Razão a quanto obrigas




O meu dia amanheceu vadio,

cheio de incongruências,

alma solta na brisa da alvorada,

devorada pelas suas demências.



E sinto-a já a fugir pela janela,

deixando-me prostrada na minha ausência.

E ao dobrar da primeira esquina

perde-se a contemplar crianças que brincam;

prossegue em direcção ao nada,

segue os que partem e os que ficam,

com olhos de madrugada.

Ajuda velhinhos a passar a estrada,

em direcção à felicidade

que a vida ainda lhes reserva.

Troça dos egoístas,

roubando-lhes a flor que recusaram

no altruísmo que ignoraram.

Aconchega os apaixonados no seu abraço,

tornando o seu beijo em favo de mel.

Aos convencidos, fá-los esbarrarem

na humilhação dos risos alheios,

ao tropeçarem nas bordas dos passeios.



Ri de tudo, sorri com a vida

tudo é encanto e ilusão,

alma pura de mim esquecida

livre do meu pensamento-prisão.



Regressa já o sol vai alto,

desgostosa, guiada pela razão…

Levanto-me da cama de um salto

alma contrafeita pela obrigação.

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