domingo, 13 de março de 2011

Pontuar a vida


 
Nem sempre pontuamos correctamente

os momentos da nossa vida.

Esta passa, inexorável,

vírgula após vírgula

em momentos que avançam

inexoravelmente ligados

às malhas do passado.



Impõem-se reticências

em atitudes impensadas,

realidades inacabadas,

dúvidas que ficam nas ausências.



Quantas vezes me interrogo numa afirmação,

confrontada com dúvidas assumidas como verdades?

Quantas outras exclamo sem razão

o que sei serem dúvidas nascidas das muitas ansiedades?



Mas, perante a hesitação das reticências,

a convicção das exclamações,

a dúvida das interrogações,

surge um travessão para acabar com as incoerências.



Inicio um diálogo para partilhar,

gritar ao mundo a minha dor,

manifestar, opinar, confidenciar

um pesadelo, uma fúria, um dissabor.



E nos meus momentos a sós comigo,

entro em grandes monólogos,

com as paredes do meu abrigo.



Nos momentos mais recônditos,

é o monólogo interior

que acalenta a mágoa e extravasa a dor.



Mas para quê tanto sofrimento,

se tudo termina com a morte

num irremediável ponto final?

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