sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quando o passado se apaga...


(imagem do Google)


A minha alegria
ficou hirta
atrás da moldura.
A minha vivacidade
ficou pintada a rosa
numa das paredes da casa.
O meu sorriso
ficou escondido algures
na minha memória.
A minha paixão
ficou guardada
na gaveta da saudade.
A moldura agora
serve de casa às teias
de uma aranha feliz,
que se encarrega de escurecer
as imagens guardadas,
que faz por distorcer
os rostos de cada retrato.
A parede rosa
foi perdendo a cor
e a vivacidade
dando lugar
à humidade que escorre
manchando as memórias.
A gaveta cedeu,
já não abre
e criou mofo.
Pelas suas frestas
a paixão esvaiu-se
e deixou-a vazia.

Todos os momentos de fulgor
acabam fechados no passado,
histórias de momentos de glória
consumidos pelo bolor.
                                 Célia Gil


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