quarta-feira, 4 de maio de 2011

A vida é feita de questões irrespondíveis


(imagem do Google)

Quando foi que perdi
o céu azul que cobria os meus dias?
Quando foi que percebi
que o sol deixou de brilhar nas minhas fantasias?
Onde perdi eu o sorriso
que se abria prontamente?
Onde deixei eu a lágrima
sempre pronta a formar torrente?
Sinto que me ausentei de mim,
perdi a força que me fazia viver…
Essa força e a coragem, que fim
tiveram? Porque deixei de ser?
Como posso contemplar o rio
sem que os meus olhos naufraguem em ilusões?
Porque já não choro dias a fio
quando sofro? Onde perdi as emoções?
O que me fez tornar nesta pedra fria
sem sentimentos, desprovida de vida?
O que me fez ficar assim vazia,
do bem e do mal tão esquecida?
Não é possível que fique estática
perante alguém que vejo sofrer…
Onde está o eu, força enigmática
que tinha e dava aos outros força de viver?
Que apagão terá sofrido o meu olhar
para não reagir a nada?
Onde ficou o ser que sabia amar?
Em que noite? Em que alvorada?
Só sei que estou imune,
sou rocha fria e envelhecida,
que sem sorriso e sem queixume,
é simples ausência de vida.
Como nos deixamos nós fugir?
Como chegamos a este ponto
em que resta a ausência do sentir,
o esquecimento, o desencontro?
Perdi-me! Esqueci-me de quem sou!
Agora não sei para onde vou…
Nem se ainda vou…
Sei apenas que tudo mudou
e nada, nada mesmo, ficou!
                                       Célia Gil

7 comentários:

  1. Lindo e reflexivo poema!um beijostudo de bom,chica

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  2. É naquela hora que a gente tem que juntar os pedaços, costurar e colar e esperar o tempo curar. Superar.
    Beijos e obrigada pelo comentário carinhoso comigo!
    Carla

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  3. Querida,
    escutei a música, por sinal belíssima, e li o seu poema que saiu de dentro do seu peito, no meio de perguntas sem respostas, entre sombras e e um facho de luz, entre sorrisos fechados e olhos molhados...

    Mas você já respondeu todas a suas perguntas com a própria música. Só Deus pode enxugar as lágrimas, colocar em nosso caminho um novo amor ou o mesmo já transformado... Para Ele nada é impossível.

    Na vida, passamos por momentos difíceis quando acreditamos perder a nossa identidade, mas a encontramos em Cristo.

    Um grande abraço!
    Chris

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  4. Obrigada pelos comentários gentis e tão bonitos!

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  5. Célia querida...
    Esse poema é verdadeiramente encantador!
    Cheio de perguntas, mas repleto de romantismo e ternura...!
    Belíssimo do início ao fim.
    Parabéns!

    Com carinho!
    Suzy

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  6. Perguntei ao vento norte
    O porquê, qual a razão
    De o destino e a sorte
    Terem ponto de interrogação

    Respondeu-me que não sabia
    Mas tinha que descobrir
    Porque era vendaval num dia
    E vento brando a seguir.

    Teremos sempre perguntas sem respostas. Adorei seu poema. Beijos com carinho

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  7. Maravilhoso este seu poema, rosa-branca, obrigada por postá-lo no meu poema, pois vem enriquecê-lo. Bjs

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