segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Foge da rotina


Dias iguais passam inexoravelmente,
rotinas criadas como defesas
para nos sentirmos seguros, sempre!
Mas na vida nada é seguro, não há certezas.
E os dias passam, repetem-se.
A responsabilidade pesa toneladas
na nossa mente. Esquecem-se
as cores de novas alvoradas.
O conceito do inadequado à idade
impede-nos de sermos genuínos,
sobrepondo-se o valor da responsabilidade.
O compromisso com o emprego, 
nem sempre gratificante,
nem sempre estimulante,
torna-o no nosso pior degredo. 
Mas continuamos...
Repetimos rotinas durante toda a vida,
até deixar a vontade bem esquecida.
Porque nos acomodamos.

Ah, ser humano, sempre tão complicado!
Liberta-te da rotina,
não encares como sina
o teu existir triste e cansado.
Vive plenamente,
torna a vida sempre diferente
e verás
que tudo ganhará novo sentido.
E quem sabe, não encontrarás
o alter ego de ti tão perdido.



domingo, 29 de janeiro de 2012

Baba de camelo

Hoje, como estive muito ocupada a estudar o dicionário terminológico da nova gramática (pois estou a fazer uma ação de formação), limitei-me a aspirar, limpar e fiz uma sobremesa muito conhecida, mas com uma variante, menos doce que a habitual, a baba de camelo:
Esta com pepitas de chocolate e caramelo moído

E esta com amêndoas laminadas e caramelo moído

E aqui vai a receita:

4 ovos
1 embalagem de leite condensado cozido
1 pacote de natas.

Misturo as gemas com o leite condensado com um garfo. Bato as claras em castelo. À parte, bato as natas até ficarem durinhas (as agros são fáceis de solidificar). Finalmente, envolvo tudo e o resultado é ótimo! Os meus filhotes e maridão são grandes apreciadores!

Bom apetite!
E uma excelente semana!


sábado, 28 de janeiro de 2012

Cozinhar é uma arte



Cozinhar é um ato sensual.
Escolher a receita muito bem,
selecionar os ingredientes,
temperar com ervas aromáticas
com cheiros e sabores diferentes.
É um ato de conquista pelo paladar,
esperar aquele “Mm, que delícia!”
e no teu rosto o prazer espelhar.
E os odores,
as massas lânguidas,
o arroz malandro
constituirão efémeros momentos de prazer
após horas e horas de entrega e dedicação.
E os sons das verduras tenras
a serem cortadas na tábua
juntando-se depois no tacho
numa envolvência indecente
é pura fonte de prazer,
é sensual e envolvente.
O borbulhar
da cebola a refogar,
dos alhos a estalar,
dos assados no forno a crepitar
são sons com cheiro
aos quais nos entregamos sem pensar.
E o preparar do prato
é a arte do paladar
que torna tudo tão apetecível
despoletando a ansiedade de provar.
Cozinhar é uma entrega total,
é esquecer o que nos rodeia,
estar concentrada e alheia
de olhos postos apenas no resultado final.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Fusão


A terra árida estende-se à minha frente
em montes despidos de folhas e flores.
Por uma gota de água, em tom clemente
contam ao sol os seus maiores temores.

assim estava o coração daquela
que despida das vestes do amor
contemplava perdida essa tela
de secura, solidão e horror.

E o sol, inclemente, queimava
os seus cabelos, searas vastas ...
desilusões de quem amava
sempre as pessoas erradas, nefastas.

Secos os olhos no vazio do deserto,
alonga o olhar em direção ao nada
neles não mora já a madrugada
mas o destino perdido no incerto.

E o seu corpo funde-se na terra,
cinza que jaz  em torno de pedras quentes,
a sua existência é mera quimera,
o que resta de passados ausentes.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Viagem ao meu ser



Perdida nos meus pensamentos
reparo que, quando desperto,
não sei onde estou ao certo,
restam ocos e vazios fragmentos.

Reúno o que resta de mim,
guardo num saco bem fechado.
À proa de um barco apetrechado
parto por esse mar sem fim.

O vento desperta-me no rosto os sentidos,
traz-me de novo à tona da realidade,
não sei do que fujo, se da verdade,
da consciência ou de sonhos perdidos.

Sorvo e absorvo gotículas da água
que guia todos os meus sentidos
e pego no saco de sonhos esquecidos,
ocos e vazios fragmentos libertos de mágoa.

Livre, solta, leve, prossigo a viagem.
E nesta viagem que faço ao meu ser
sinto um novo eu renascer,
um eu que sente a brisa, a água, a aragem!

E tudo o resto é pura miragem!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Fim de semana atarefado

Quantos objetos novos podemos recriar! E que bom poder reciclar o que temos em casa, o que nos cansamos de ver!
Uma proposta das professoras de EV e OFA do meu filho mais novo, levou-nos a dar voltas à cabeça para criar algo minimamente útil com objetos reciclados. Lembrei-me então do blog especial da Gil (http://coisasdagil.blogspot.com/ /) que tem sempre propostas maravilhosas e resolvi seguir dois dos seus conselhos. O resultado foi este:
Um quadro feito com objetos guardados: uma tela, tinta castanha e botões de todo o tipo e cor. Ficará muito bem na minha lavandaria por cima da minha velhinha máquina de costura.

E:

com as mangas de uma velha camisa, nasceu esta manguinha para vestir garrafas e que as torna bem mais charmosas, principalmente se for para vestir garrafas de vinho caseiro sem rótulo ou sumos de marca branca.
Para além destes trabalhos, aproveitei a máquina para fazer a bainha a cinco pares de calças do meu marido.
Foi um fim de semana bem atarefado: limpezas, passar a ferro, cozinhar! Enfim...sabem do que estou a falar. Mas ainda houve tempo para andar na minha horta, onde já plantei umas cebolas:
Quase não se veem, mas estão naquele espaço que parece mais vazio!

E os meus bróculos também estão a ficar lindos.

As alfaces já comemos umas quantas e são ótimas:
Esta foi a nossa estreia!

E que bem ficou a acompanhar o pudim de galinha que fiz:
Facílimo: frango refogado, pão de forma sem côdea embebido em leite com duas gemas de ovo e fiambre. Tudo colocado alternadamente numa forma de bolo e eis que é uma delícia, a acompanhar com uma saladinha temperada com azeite caseiro, sal e vinagre de sidra!

Enquanto isso, o meu marido com o Hulk, que já faz cinco meses no dia 7 de Fevereiro, a curtir o solzinho lá fora na relva:

Espero que tenham gostado e desejo uma excelente semana para todos!




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Fado português

Hoje ousei escrever a letra para um fado! E digo ousei, porquanto penso que seja uma tarefa extremamente difícil. Então, aqui a deixo em homenagem aos nossos grandes fadistas que tornaram o fado em Património da Humanide.


O nosso fado é triste
E rasa os olhos de água
A todo o bem resiste
E vive da sua mágoa.
A todo o bem resiste
E vive da sua mágoa.

Este fado português
Sofre em silêncio, calado
Este fado que tu vês
É um fado malfadado.
Este fado que tu vês
É um fado malfadado.

E quando a tristeza chora
Mais triste o homem fica
Que até a alegria ignora
Quando o amor lhe suplica.
Que até a alegria ignora
Quando o amor lhe suplica.

Fado que me consomes
Dia e noite sem parar
Não me deixas nem te somes
Alma sempre a atormentar.
Não me deixas nem te somes
Alma sempre a atormentar.

Vai-te fado malfadado
Deixa a alegria entrar
Não feches a porta, ó fado
A felicidade está a chegar.
Não feches a porta, ó fado
A felicidade está a chegar.

E, por fim, um fado que aprecio muito:


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Os sons da minha vida



Há sons que nos preenchem
que iluminam a nossa vida.
Os sons da natureza
em ventos uivantes
ou leves brisas que nos fazem estremecer,
em chuvas torrenciais
ou caindo em pingas cadenciadas,
em cantos de aves
que nos vêm dar os bons dias.
Os sons do amor
na gargalhada inocente dos filhos,
nas suas zangas e birras,
nos seus beijos repenicados;
na porta que abre
quando chegas, meu amor!
Nas palavras que sussurras
aos ouvidos ansiosos de ti.
Os sons da casa
no forno que uiva
para nos deliciar
com um bolo ou um assado;
na cama que range
quando viramos nela o nosso cansaço
ou perpetuamos o nosso abraço
até ao êxtase do amor;
no rádio, na televisão...
Os sons da rua,
dos carros, comboios, bicicletas…
dos cães exigindo atenção
ou pedindo a refeição;
do carrinho cortando a relva;
do peixe ou carne
grelhando na brasa quente.
Os sons do silêncio,
dos momentos em que
precisamos estar a sós connosco,
pensar no futuro,
reviver o passado.
Estes são os sons da minha vida!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Limpeza à alma!


Urge fazer uma limpeza a fundo
ao que somos,
àquilo em que nos tornámos.
É preciso começar por esvaziar
gavetas poeirentas de memórias
que nos impedem de sermos felizes.
Arejar as memórias...
Libertarmo-nos das que nos fazem mal,
guardar bem ao fundo as que doem,
deixar à mão as que alentam
e nos dão força para prosseguir.
Há ainda os sentimentos
que é preciso sacudir,
qual tapete poeirento,
os maus sentimentos.
Outros, como o receio e o medo,
podemos reciclá-los,
torná-los em confiança e determinação.
E, com tudo limpo
do que nos faz mal
e faz mal aos outros,
sentir-nos-emos mais leves
e enfrentaremos a vida
com mais convicção!


sábado, 14 de janeiro de 2012

Conceitos invertidos

               

Estende a tua mão,
eles precisam de ti.
Tu que vives no aconchego
da estabilidade;
tu que tens todos os dias
uma refeição pronta;
tu que tens a dádiva da água
que bebes quando te apetece.
Tu, sim, tu!
Observa o mundo que te rodeia,
os muitos refugiados
em condições desumanas,
sem pão, sem água, sem dignidade.
Não te queixes,
não sobrevalorizes os teus problemas,
são tão ínfimos quando olhas melhor,
quando te dispões a ver o mundo
sem o véu da fantasia,
sem a metáfora da vida!
E é nesse disfemismo real
que encontras razões
para perceberes que és feliz,
quando, para tantos,
a felicidade é a sobrevivência,
é mais um dia de vida.
Não te queixes
e estende a tua mão
a quem por ela suplica.
Não te digas o ser mais infeliz
à face da terra!




segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Histórias de embalar


Sussurra ao ouvido histórias antigas,
Feitas de sonhos, amor, ilusões,
Histórias que enaltecem emoções
Histórias que nunca mais serão esquecidas.

Embala-me ao som de antigas canções,
Até me lembrar de quem fui um dia
Um dia em que fui criança e magia
Quando acreditava nas orações.

E quando o sono tranquilo vier
Deixa-me dormir pela eternidade
Acreditar em tudo o que eu quiser

Para que o sonho se torne verdade
Bebendo o néctar de um licor qualquer
Renascendo a crença na realidade.



sábado, 7 de janeiro de 2012

O meu paraíso


Acordo bem cedo.
Raios de sol invadem o quarto
pousando dedos de mel no meu rosto
ainda ensonado nos olhos semi-abertos.
Mas o sol é persistente,
sopra vida nas pálpebras
que acabam abertas num sorriso.
É a vida abrindo os olhos para o dia,
trazendo alento,
prometendo vitórias,
e incutindo fé.
Pelas narinas perfumes da madrugada
vêm chegando das pétalas de flor
do outro lado da janela entreaberta;
e o cântico de pássaros madrugadores
entoam hinos de alegria
nos meus ouvidos sintonizados.

Mas o meu cérebro estraga sempre tudo,
não me permite continuar na letargia
de um paraíso ao amanhecer.
E começa a entoar rígidas ordens de comando:
levantar, seguir a rotina, trabalhar…
Trabalhar sem se ser reconhecido,
passar pela vida mais um dia
sem deixar marcas impressas no eterno…
Picar o ponto, marcar presença,
impor-se, zangar-se, aborrecer-se,
ouvir falar da crise na TV…

E passo pela vida sem me magoar
porque sei que, ao fim de um dia,
regresso ao paraíso perdido que me aguarda
e para o qual anseio sempre voltar
após um dia de desventuras.
O meu lugar, o lugar dos sonhos,
onde tudo é possível!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pequenas habilidades

Sou uma pessoa que gosta de saber fazer um pouco de tudo, mas há habilidades que me deixam surpreendida para as quais não tenho qualquer jeito. Por exemplo, admiro a costura e o croché, mas não tenho qualquer jeito, faço umas bainhas só quando extritamente necessárias. Prefiro cozinhar, bordar e alguns entretenimentos artesanais como os colares. Por isso, optei por partilhar alguns dos colares que fiz. Espero que gostem.







Grandes, pequenos, de todas as cores. Deixo aqui apenas estes entre imensos que fiz.
É um prazer criar, conjugar peças e fazê-las brilhar!
Bom fim de semana!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vida, acorda-me!



Há dias em que a vida
nos devia dar um valente abanão.
Pegar em nós, sacudir-nos,
para acordarmos da letargia.

Há dias em que a vida
precisava pôr-nos de castigo,
podia ser que assim
nos instigasse a prosseguir.

Há dias em que a vida
precisava dar-nos uma transfusão de sangue,
sangue renovado
que nos devolvesse forças perdidas.

Há dias em que a vida
podia ser uma garrafa de oxigénio,
que nos fizesse aprender de novo
a respirar, a existir, a continuar.

Há dias em que a vida
precisava de nos dar um soco
em cheio no peito,
para provocar e acordar
o ser desfeito.

Vida, acorda-me!


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Breve viagem a aldeias do interior


É sempre interessante viajar pelas aldeias, costumes, tradições e crenças da nossa região. É agradável encontrar vestígios de tradições, do que é genuíno, em conversa com o passado, os mais idosos, os grandes contadores de histórias.


Nesta breve viagem gostaria de realçar a importância de um passado que se vai perdendo num presente desinteressado e num futuro incerto, na tentativa de salvaguardar o valor de todo um património cultural que a nossa região encerra.

No que respeita ao património monumental, apesar da desfiguração física, cada vez mais abrangente, da maior parte das nossas aldeias, com reconstruções e novas construções, há ainda resquícios que nos transportam às tradições populares regionais – os pelourinhos, as igrejas com o seu adro e toque característico dos sinos, as capelas, os terreiros, as fontes e chafarizes, os fornos, os coretos, as pipas, as janelas de madeira com portadas para dentro, a roda da azenha, as capoeiras, entre outros.

A circundar as aldeias da Cova da Beira, temos o verde da Serra da Gardunha, os cerejais, as giestas, o rio Zêzere, os riachos, as ribeiras, as aves, o gado que pasta, os aromas telúricos, que continuam a embelezar a nossa região e a torná-la tão especial.

Entrando em casas mais antigas, em conversa com os mais idosos, se recuperam tradições, quer a nível da construção, quer no que respeita a crenças e tradições.

As casas tinham, normalmente, a loja no primeiro piso, onde se guardavam as pipas de vinho, o tanque onde se pisavam as uvas, as panelas de azeite, o milho para debulhar em grupo de família, amigos e vizinhos. No primeiro piso os quartos, onde dormiam imensos filhos, a varanda repleta de vasos com legumes para transplantar, salsa, roseiras, cravos e sardinheiras, tábuas onde se secavam frutas para o inverno. Nas cozinhas, parte principal das casas, a lareira, o fogão a lenha, as paredes negras e fuliginosas, era onde se fritavam as filhoses, se faziam e penduravam os enchidos em traves para o fumeiro, se coziam as morcelas e se faziam os queijos de leite de cabra. As refeições eram feitas à base de legumes, em grandes travessas das quais comia toda a família. No meio da lareira, a panela de ferro e em redor os bancos baixinhos de madeira, nos quais se sentava toda a família, em conversa, desde os assuntos mais práticos, como a distribuição de tarefas para o dia seguinte, até às anedotas e histórias reais ou ficcionais, funcionando como uma autêntica escola para os mais novos.

No terceiro piso, os sótãos, repletos de lenha, cachos de uvas a secar, ramos de cebolas, batatas e outros alimentos. Também aqui funcionava a casa de banho, só mais tarde construída com o aproveitamento do espaço de um dos quartos, em metades de pequenas pipas ou bacias, que se despejavam nos quintais ou tapadas.

Viajando pelas tradições, encontramos, no Natal, a Missa do Galo e os madeiros nos adros; na Páscoa, a recepção do Senhor, em que o padre se fazia acompanhar de um crucifixo a todas as casas, para que beijassem o Senhor, por entre uma mesa posta com iguarias da época e da região e velas acesas para iluminar o caminho do Senhor e libertar as casas do mau-olhado. Entre as tradições se contam também as superstições e as crenças; as rendas e os bordados em torno da lareira ou na varanda em conversa com as vizinhas; as procissões com as colchas nas janelas; a banda de música; as tascas; as festas populares, normalmente de carácter religioso; a concertina, com a qual os rapazotes desfilavam pelas ruas em cantorias; os bombos; o lavar das roupas nos rios, ribeiras e riachos; a educação dos filhos a cargo dos pais, a das filhas a cargo das mães; o apego à terra, aos trabalhos agrícolas, que aprendiam desde a infância; a delicadeza no trato dos pais por parte dos filhos, que pediam a benção e os chamavam de “meu pai” e “minha mãe”.

Se hoje a tendência é apagar a chama das lareiras com a frieza e perda até das relações familiares, com ela se apaga a chama da família, a estabilidade familiar, a escola familiar, as memórias. Enfim, as tradições populares regionais.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O mundo que eu quero




O mundo que eu quero
É pura fantasia
É um mundo de alegria
O mundo que eu quero.

E quanto mais por ele espero
Mais ele se distancia
E a miragem vazia
Não é do mundo que eu quero.

O mundo que vejo
Com crime, guerra e crueldade
É um mundo de maldade
Não o mundo que desejo.

O mundo que eu quero
É um mundo de paz e alegria,
De amor, compreensão e poesia.
Esse sim é o mundo que eu quero.


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