terça-feira, 22 de abril de 2014

Não à violência

E porque este é o mês da Prevenção dos Maus-tratos contra crianças, venho partilhar os cartazes que tenho feito na  CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens) do Fundão:






sexta-feira, 4 de abril de 2014

As lajes da minha rua

As lajes da minha rua
têm histórias para contar,
têm sons na pedra nua
de quem as costuma pisar.
Têm o som dos saltos
da rapariga de saia travada
que vai ver o amado
do outro lado da estrada.
Têm o som das sabrinas
das meninas rabinas
que calcorreiam a rua
à procura de aventura.
Têm o som de botifarras
de quem marcha para a jorna
sem pressa, quase na sorna.
Tem o som das pantufas
da vizinha do 31
que, com a do 21,
fazem um bom par de cuscas.
Tem o som da criança que cai
e que se volta a levantar
por entre um ou outro ai
e da mãe a lamentar.
Têm pressa, têm calma,
têm medo, têm confiança,
as lajes da minha rua
têm fé e perseverança.
Lamentam o cortejo funerário
que passou em comoção.
Sabem a história do vigário
que enganou com convicção.
Têm o som sincronizado
dos crentes na procissão,
de quem vai extasiado
na sua fé e devoção.
Têm o tom monocórdico do pedinte
cuja história conta com dramatismo,
com o intuito de no ouvinte
despertar o altruísmo.
Têm o som do carteiro
batendo com animosidade,
traz as contas, o dinheiro,
a carta e a publicidade.

As lajes da minha rua
têm alegria no movimento,
choro fácil na pedra nua,
têm uma história em cada momento.

                                                Célia Gil
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