quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sociedade que temos

Vida, que se compraz
em tudo o que nos leva,
com tudo quanto nos traz.
Já não sou o anjo crente
de espada em riste pelo presente,
quando sinto que
as vitórias alcançadas
sãos vãos das primeiras escadas
e que o meu sonho, sem
a pretensão de uma torre de Babel,
sobe, sobe, alto se enleva,
acabando desordeiramente espraiado numa folha de papel,
em pensamentos, línguas novas
que só eu entendo
na minha solidão.
Vida, em tudo quanto me traz,
um pouco de mim desfaz,
numa derrota em que jaz
o eu que vai descrendo,
que envelheceu, crescendo
à espera da idade que traz
a tão esperada paz...
O eu que morre atendendo
a luz numa réstia de esperança.
Mas a meta, escada da derrota,
tem altos muros
em que os outros se silenciam.
E aqueles que de tudo falam,
que sobre tudo opinam,
sãos punhais de silêncio,
mãos de abandono,
gélidos de incompreensão,
dos que viram costas
sem pensar nos seres caídos por terra,
a quem o desprezo dilacera.
Nada. Não somos nada.
Não tenhamos pretensões.
Semeamos ilusões
e colhemos desconsiderações.
A realidade é um virar as costas,
um "vou à minha vida".
O sonhador deposita as armas no chão,
não vale a pena lutar sozinho.
Todo o sonho foi uma ilusão.
E o frágil feixe franzino
acaba desfeito
debaixo do capacho do egoísmo.


                                Célia Gil

1 comentário:

  1. Uma grande verdade este texto. Boa noite amiga Célia. Mais uma vez o Ostra da Poesia abriu suas portas para o Pena de Ouro e estamos em sua 10ª edição em sua semifinal, queria contar com tua participação votando em uma das semifinalistas, a que tocar teu coração. A votação vai até o dia 2 de agosto, te espero lá ok? Beijos no coração ♥

    http://ostra-da-poesia-as-perolas.blogspot.com.br/

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