quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016


Meu país,
roubaste-me os sonhos por sonhar,
tiraste-me dos pés o chão porto seguro
e deixaste-me a navegar,
eu, que sou da terra e não do mar...
Sinto-me naufragar,
sem forças para enfrentar ondas de mudança,
onde naufragará qualquer réstia de esperança.
Meu país!
Amigo, meu inimigo!
Estendeste-me uma mão plena de sonhos,
que segurei com firmeza, confiante,
olhos postos num futuro triunfante.
Deixei-me ir... Fui feliz...
Sim, meu país, fui feliz!
Olvidei, por momentos, que tinhas outra mão,
uma mão plena de fel e negação.
Com essa me derrubaste,
me fizeste cair do meu castelo de realização,
me ignoraste e me tiraste
os sonhos com que me presenteaste.
Meu país,
que semeias a inconstância...
Porque prometes o que não podes cumprir?
Porque fazes acreditar que ainda é possível sorrir?
Se na tua mão os sonhos são ilusão...
Sonhos de fingir!
Ilusões de mentir!
                    Célia Gil
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