Clemmons, Zinzi (2018). O Que Perdemos. Lisboa: Almedina.
Tradução: Inês FragaN.º de páginas: 196
Início da leitura: 21/12/2925
Fim da leitura: 22/12/2025
**SINOPSE**
"Criada na Pensilvânia, Thandi vê o mundo da infância da sua mãe em Joanesburgo demasiado longínquo, mas ao mesmo tempo indelevelmente presente. Sente-se diferente onde quer que vá, no intervalo entre ser branca e negra, americana ou estrangeira. Tenta juntar todas estas peças da sua vida e, enquanto a sua mãe sucumbe ao cancro, Thandi procura por uma âncora: alguém, algo, para amar.
Numa prosa perturbadora e fugaz, acompanhamos a vida de Thandi, desde a perda da mãe à habituação de viver num mundo sem a figura que moldou a sua existência, até às suas aventuras românticas e maternidade inesperada. Através de pequenas descrições, Clemmons cria um retrato fabuloso sobre a força de escolher viver depois de enfrentarmos uma grande perda."
O Que Perdemos, de Zinzi Clemmons, parte de uma experiência profundamente íntima e universal, o luto, a identidade e a herança emocional, e constrói uma narrativa marcada pela introspeção e pela contenção. No entanto, apesar da sensibilidade com que os temas são abordados, a leitura deixou-me a sensação de que faltava algo essencial para que o impacto fosse pleno. A história privilegia fragmentos de pensamento e momentos quase ensaísticos em detrimento de um desenvolvimento mais aprofundado das personagens, o que dificulta a criação de uma ligação mais sólida entre o leitor e as figuras que atravessam o livro. As personagens surgem esboçadas, mas raramente exploradas em profundidade, ficando a impressão de que se conhece mais o tom emocional da narradora do que a sua complexidade interior ou a dos que a rodeiam. Essa escolha estilística, embora coerente com uma escrita mais contemplativa e minimalista, acaba por limitar o envolvimento e deixa a sensação de potencial não concretizado. Assim, O Que Perdemos revela-se um livro delicado e bem-intencionado, mas que teria beneficiado de um maior desenvolvimento das personagens e de uma exploração mais profunda das suas relações, de forma a tornar a experiência de leitura mais completa e emocionalmente marcante.

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