Histórias Soltas Presas Dentro de Mim

Quem sou eu?
Quem nunca se questionou?
Quem nunca desejou
que o tempo voltasse atrás?

Todos pensamos e ponderamos
se escolhemos o melhor caminho,
a profissão certa,
a vida desejada…
Porque a vida desilude,
põe-nos a toda a hora à prova.
E se? E se?
Quantos ses na nossa vida…

O ser humano é assim,
um eterno insatisfeito!
Um pensador nato,
que perde tempo a interrogar-se,
passa a vida a lamentar-se,
os dias a desculpar-se
dos erros que não enfrenta,
das dificuldades que se lhe deparam.
Sempre com a alma iludida,
insatisfeito por profissão,
sem encontrar uma razão,
passa ao lado da vida.
                                 Célia Gil
(imagem de devaneadora.wordpress.com)

(imagem do Google)

Não sei quando foi, quando aconteceu,
Passava ali no meu ritual diário,
Mas senti que o meu corpo estremeceu
Qual tocha erguida pelo incendiário.

Questionei-me se aquela era eu,
Ou fruto de um pensamento vigário,
Algo ilógico e estranho sucedeu
Que julguei ser mesmo inimaginário.

Assim que os teus olhos nos meus poisaram,
Senti que o solo de meus pés fugia
Com a força que deles refulgia.

Cedi, mas os teus olhos me enganaram,
Queimaram até à destruição,
Deixando em cinzas o meu coração.
                                            Célia Gil

(imagem do Google)

Sou frágil! Admito!
Também me desfaço em mil pedaços
como o cristal que cai desamparado.
Sou fraca! Admito!
Porque cedo quando urgia impor-me,
Acobardo-me e deixo que as pernas vacilem
como varas verdes ao sabor do vento norte.
Sou pessimista! Admito!
Agiganto os problemas
criando disfemismos para os distorcer
e torná-los do tamanho do mundo.

Sou humana, e depois?
É isso que me distingue dos heróis,
dos falsos heróis, dos que se dizem heróis.
É isso que me distingue dos seres superiores,
ou que se dizem superiores e disso se gabam.

É a minha vil condição humana
que me faz chorar com os que choram,
sofrer com os que sofrem,
sorrir com os que sorriem,
sentir com os que sentem,
amar com os que amam.

Sou humana, e depois?
Ser humana é também
reconhecer as minhas imperfeições!
                                                  Célia Gil

(imagem do Google)

O meu silêncio tem música,
acordes soltos de uma melodia interior
que toca só para mim, em mim.
Acordes soltos sem regras,
não tocam na perfeição,
mas são aqueles acordes
que me embalam o coração.
A alma geme baixinho
no fundo do meu silêncio
e eu nino-a devagarinho
até adormecer no meu ser.
Às vezes é um vibrato
que o meu silêncio atinge
e, na força do aparato,
não sei se a minh’alma finge.
Se finge, quão bom é esse fingir
que me torna tão imponente!
Que importa o seu mentir?
E quando o silêncio é sepulcral,
ergue-se nele o soprano
com que agudizo e engano
o meu silêncio monumental.
Que importa o seu enganar
se me dá a capacidade de sonhar?
O meu silêncio de ouro tosco
é a música que mais ouço!
                                      Célia Gil

(imagem do Google)

Escondi-me atrás de uma porta
à espera que o tempo passasse
e não me visse. Impiedoso
o tempo passou e notou
a minha presença. Implacável
não descansou enquanto não me encontrou.
Fez de mim “gato e sapato”,
exigiu-me o “preço da vida”.

Como sou teimosa fiz “finca-pé”,
não lhe dei o que me exigia
assim “de mão beijada”.
Resolvi trapacear o tempo,
fiz pirraça, insultei-o,
expulsei-o da minha vida.
E vivi, plenamente, vivi!

Dancei ao som do vento,
fiz da vida um festim,
bebi o néctar divino
esparzido por Zeus.
Rodopiei, “pintei a manta”,
senti-me uma bela mulher.
Vesti-me, pintei-me a rigor,
ri do bom e do menos bom,
mas fui intensamente feliz.

Quando voltei, nunca pensei,
o tempo só me contemplava.
E eu, que o ignorara até ali,
só então me apercebi como me olhava.
Era chegado o tempo de pagar a factura,
nada é dado “de mão beijada”
e a contrapartida do tempo
era tudo menos desejada.

Ali me fez despojar-me de mim,
perder a graciosidade da dança,
sentir o fel do néctar de Zeus,
cair em meio de um rodopio.
E a roupa com que antes brilhava,
estava agora desactualizada.
A tinta com que me pintara
pela face escorrera e se espalhara
em sulcos cravejados na pele.

Afinal, o tempo sempre ali estivera,
quem sabe…à minha espera…
Só eu saí de trás da porta,
mas esta não desapareceu,
esperou por mim, paciente.
E, sentado numa cadeira,
o tempo continuou presente
como quem espera o rato
com a sua infalível ratoeira.
                               Célia Gil

(imagem do Google)

É urgente convocar um Consílio entre os Deuses de todas as religiões e gerações! Quem quer que o convoque, Mercúrio a mando de Júpiter, Jeová através de Jesus, Deus por meio da Nossa Senhora ou quem quer que seja. Impõe-se mudar o rumo que a sociedade, a política, as mentalidades, o mundo, vão tomando. O homem, por si só, já não consegue, sozinho, enfrentar as consequências dos seus actos.

Que neste Consílio, os Deuses estejam todos sentados ao mesmo nível, sem hierarquias, sem ditaduras, sem censura, PIDE, autoritarismo…com igualdade!
Neptuno, enamorado da deusa Cibele (deusa mãe da natureza), defendeu-a. Esta terá reclamado o que era dela e Neptuno invocara os tsunamis para recuperar o que o homem ao mar usurpou.

Apolo justificou, com a concordância de Éolo, que não conseguiu impedir-se de afectar com os seus raios ultravioletas, a camada do ozono que foi diminuindo a sua espessura com as mudanças dos ventos.

Marte mostrou-se exaltado, referindo países que fizeram um incorrecto uso das armas, colocadas nas mãos de crianças filhas da guerra, responsáveis por verdadeiros actos de chacina.

Vénus manifestou também o seu desagrado perante a actual situação, mencionando que cada vez os povos se mostram menos amorosos e que foram perdendo a magia da tão sua amada língua latina, que se vê cada vez mais corrompida.

Todos os deuses, com ordem e convicção, tentam, nos seus ideais, encontrar uma forma de superar o estado do mundo. Júpiter vai ouvindo, cada um na defesa das suas convicções.

A Igreja Católica acredita nos sacramentos e no devido respeito por estes para uma mudança. O Protestantismo expõe as suas 95 teses de Martinho Lutero, onde estão certos de que está a solução. A Igreja Ortodoxa fala, sem problemas, dos seus 7 princípios ecuménicos, os únicos que poderão salvar a humanidade. O islamismo afirma que exporá os ensinamentos religiosos do profeta Maomé, sem os quais o homem se perderá. As Testemunhas de Jeová afirmam ter a solução em Jeová e expõem as razões que as levam a acreditar que todos devem ser seguidores de Jesus Cristo. O Reino de Deus manifesta que conseguirá declarar a sua teoria acerca da soberania de Deus e dos que foram expulsos do Jardim do Éden, para que todos encontrem a salvação para as suas almas. E muitos outros deuses prosseguem falando dos seus ideais, de tudo o que têm feito para evitar um colapso religioso. A confusão impõe-se perante estas diferentes concepções tomadas como verdades inquestionáveis. Gera-se o tumulto. O mundo treme perante este Consílio sem comunicação possível, até que Júpiter decide intervir e pôr termo à confusão instalada. E, com um tom de voz que cala os presentes pela sua imponência e força, comunica a decisão final: “Deixemo-nos, pois, de vinganças, de guerrilhas, de incompreensões! Não há um único dono da verdade e da salvação! Impõe-se um entendimento! Reunamos os nossos esforços! Que seja elaborado um Tratado de Paz com os homens, por estes e por todos nós assinado, para que termine a violência, se acabe com a discórdia, se evite afundar mais o mundo, acabem as guerras religiosas e políticas. Que cada um dos deuses se concentre em propagar a sua fé em vez de estar concentrado numa discórdia inglória! Que essa fé entre nos corações humanos, acalme os ânimos, fortaleça a confiança e faça renascer a esperança num mundo melhor!”
                                                                                                                                 Célia Gil


(Infelizmente, o Consílio que se impõe e sobre o qual divaguei é mera ficção, ficção esta inspirada no célebre Consílio dos Deuses de Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões e na necessidade imperiosa de contribuir para um mundo melhor, com fé).



(imagem do Google)
O amor que me tem preso
Por estar preso de amores
Já não tem amor, só desprezo
Já só me traz dissabores.

Por que me mantens nesta prisão
Alentando o meu querer
Se outro te prende o coração
E é dono do teu querer?

Liberta-me deste sofrer,
Solta-me as algemas da dor,
Quero voltar a viver
Livre do teu desamor.
                           Célia Gil

(imagem do Google)

Os meus pensamentos já me fogem,
enveredam pela floresta
sombria da dor,
mergulhando na mágoa e na ausência.
A saudade fere a alma,
deixando-a tatuada de cicatrizes.
A perda é um sentimento único
que nos deixa à deriva
que nos faz sentir ínfimas
partículas de um mundo perene.

Quem somos? Seremos alguma coisa?
Que importa o que somos
se o que seremos não é nada?

Para quê a arrogância?
Por quê a superioridade manifestada,
se o que seremos não é nada?

Quero deixar para sempre
esta floresta sombria,
abrir a janela à esperança
e viver cada momento
com a plenitude da minha alma,
com a magia da primeira entrega!

Quero ser
porque o que serei não é nada.
                                    Célia Gil

(imagem do Google)

Preparo o meu espectáculo.
Observo a assistência
e verifico se me aguarda
com ansiedade ou descrença.
Fico inquieta…
Não sei se serei capaz
de a cativar com o meu número.
Envolvo o ambiente da aura necessária,
o fumo sai da força das palavras,
o misticismo envolve-as com o seu manto.
Cheiram a incenso e mistério.
Retiro a cartola.
Nela coloco palavras cruéis,
a vaidade, a ingratidão, a inveja
e muitas outras.
Agito-as docemente na cartola,
tapando-as com um lenço de cetim.
Peço aos espectadores que retirem uma palavra.
Para espanto geral,
na cartola estão mais de mil palavras,
em pedacinhos de papel
que vão retirando, quase a medo,
o altruísmo, o amor, a partilha,
a amizade, a felicidade, a verdade
e tantas, tantas…que todos têm direito a uma.

O aplauso é geral
e eu quase me sinto
a maga das palavras.
                           Célia Gil

(imagem do Google)

Com amor encantador,
As donzelas vai prendendo,
É um belo trovador,
Suas histórias tecendo.

Elogio à bela dama,
Que não poderá alcançar,
Vai tecendo porque a ama
Mas não pode revelar.

Donzelas embevecidas
Sempre nele sonhadoras,
Escutam-no, enternecidas
Querendo dele ser senhoras.

Mas o trovador é livre,
Apenas ama a poesia
Com ela constrói e vive
No mundo da fantasia.

A dama é só criação
Com que seduz as donzelas,
Histórias de amor e ilusão
Que ele canta só para elas.
                                 Célia Gil

(imagem do Google)

Hoje quero apenas repousar no teu abraço
esquecer, por momentos, o cansaço.
Ficar, assim, quieta e sonhar.
E o teu perfume virá das flores do canteiro,
entrará na minha alma por inteiro,
sentir-me-ei a rebolar num bosque primaveril.
No calor do teu corpo, o meu aconchego,
serei um pássaro recém-nascido,
no quentinho do seu ninho puro.
Poderei sempre voar, terra planar, sem medos,
porque sei que estás ali, meu abrigo seguro.
Hoje quero ficar assim o dia inteiro
nessa inactividade repleta de ilusões
e pensar que tudo é verdadeiro,
mesmo os sonhos que me invadem as emoções!
                                                                 Célia Gil


(imagem do Google)


O meu dia amanheceu vadio,
cheio de incongruências,
alma solta na brisa da alvorada,
devorada pelas suas demências.

E sinto-a já a fugir pela janela,
deixando-me prostrada na minha ausência.
E ao dobrar da primeira esquina
perde-se a contemplar crianças que brincam;
prossegue em direcção ao nada,
segue os que partem e os que ficam,
com olhos de madrugada.
Ajuda velhinhos a passar a estrada,
em direcção à felicidade
que a vida ainda lhes reserva.
Troça dos egoístas,
roubando-lhes a flor que recusaram
no altruísmo que ignoraram.
Aconchega os apaixonados no seu abraço,
tornando o seu beijo em favo de mel.
Aos convencidos, fá-los esbarrarem
na humilhação dos risos alheios,
ao tropeçarem nas bordas dos passeios.

Ri de tudo, sorri com a vida
tudo é encanto e ilusão,
alma pura de mim esquecida
livre do meu pensamento-prisão.

Regressa já o sol vai alto,
desgostosa, guiada pela razão…
Levanto-me da cama de um salto
alma contrafeita pela obrigação.
                                     Célia Gil

E porque hoje é o Dia Mundial da Poesia e da Floresta, não quis deixar de lhes prestar a devida homenagem!

(imagem do Google)

A floresta é um poema natural.
Sombria, mística e viva,
assim é a poesia.
A sombra que me deleita,
sob a qual deito o meu ser cansado
embala-me ao som das palavras.
A aura que me envolve é mística,
qual fonemas bailando
ao som da brisa, incenso poético
desenhando caminhos entre as árvores.
E é a poesia que em mim vive
que vive comigo a floresta.
E vive de tal maneira,
que extrai metáforas das sombras;
limpa a alma nas fontes hiperbólicas;
do verde faz resplandecer a adjectivação;
e o manto em que descanso
é o eufemismo da minha sepultura.
E esta floresta tão real
transforma-se nos meus poemas
em cantinho surreal, extra - real,
paraíso artificial do meu sentir!
Pura magia
que trespassa a dimensão do real
para se fundir num só elemento.
Floresta poética…
                                  Célia Gil


Soneto escrito em 1993, pouco antes de o meu pai falecer, tendo ele apenas 49 anos, com doença prolongada. A escrita foi a minha confidente de momentos dolorosos! É difícil dizer o que se sente quando o nosso pai olha para nós e não nos reconhece! Hoje, Dia do Pai, não queria deixar de lhe prestar esta homenagem! Foi para Angola com sete anos. Casou lá e regressou a Portugal sem nada, tendo de recomeçar a vida do zero. Como técnico de análises clínicas, soube sempre o ponto da situação em relação à sua doença, mas lutou até ao fim. Foi um lutador, o meu campeão, o meu exemplo! Estará sempre no meu coração!


Quero gritar ao mundo a minha dor
para assim aliviar esta tensão,
derramar lágrimas de dissabor
que andam perdidas no meu coração!

Queria ser como Asclépio, feiticeira,
para poder recuperar a vida
e dá-la a quem por ela em vão suplica,
a quem se sente sem eira nem beira.

Assim, resta-me apenas a esperança
ainda que ténue, ainda que vaga,
de poder beijar tua face branca,

ainda que por segundos de angustia.
Erguer os meus grous e flores de astúcia
e libertar-te de tão triste saga.
                                      Célia Gil (1993)


(imagem do Google)

Uma gota de orvalho
cai lentamente da folha de uma árvore.
Contemplo-a, embevecida.
Aquela pequena gota
é um reforço de vida.

De quantos gestos, pequenos e irreflectidos
depende a nossa vida?
Quantas palavras simples e inofensivas
mudam o rumo dos nossos passos?

Quero ser essa gota de orvalho,
seiva do nosso bem querer
que sacia e faz esquecer
um duro dia de trabalho.

Abraçar-te-ei lentamente
e o beijo que te darei
com ele a tua sede matarei
e alimentarei a tua mente.

(ao meu mais que tudo, Henrique Teixeira)
                                                          Célia Gil
(imagem de semadinjapan.blogspot.com)

(imagem do Google)

Doem-me os pés nesta caminhada da vida,
caminho feito de pedras, duras pedras.
Mas continuo tão perdida…
O cansaço apodera-se de mim por inteiro,
contorce-me em dores e agonias.
Deixo de ver claramente,
quase desisto a meio do percurso…

Mas há uma voz interior que me diz
“Prossegue! Não desistas.
Os obstáculos são provas que enfrentas.”
Procuro então contornar as pedras,
Pelos grãos de areia que as rodeiam.
Só que neste labirinto infinito
constato que não estou a enfrentar os problemas
mas a fugir deles e de mim.
Se tropeçar e cair, levantar-me-ei,
mas sobre as pedras caminharei,
com persistência, até ao fim!
                                        Célia Gil


Diz-me, criança triste,
onde esconderam a tua alegria?
onde perdeste o brilho dos teus olhos?
Porque não corres e sorris?

«Sou criança sem tempo para ser criança,
a alegria escondeu-se atrás do que não fui,
do que não cheguei ou chegarei a ser.
O brilho dos meus olhos naufragou
no dia em que perdi os afectos.
Os meus olhos eram prados
onde jorrava uma fonte água cristalina.
O meu sorriso abria de encanto
quando corria para os braços de meus pais.
No dia em que partiram,
os meus olhos secaram,
neles fundiram as estrelas brilhantes,
perdidas na escuridão da noite.
No dia em que contemplei o vazio
do colégio do meu futuro,
fechei o meu sorriso à chave
e escondi-a para sempre
no vazio da minha alma.
Hoje o meu coração já não bate de ansiedade,
no meu peito carrego apenas saudade
de tudo o que ficou atrás do sorriso.
Já silenciei na garganta o grito,
sou a adulta que a sociedade me exige!»

A voz morre-me na garganta,
não tenho palavras ante esta criança adulta
a quem foi roubada a infância.
Quedo-me junto dela,
partilhamos o momento,
olhos marejados, os meus,
olhos secos, os dela.
O meu peito batendo de emoção,
o dela silencioso, encostado ao meu.
Estarei aqui até recuperares os afectos,
esperarei pacientemente que me sorrias
e reencontres a alegria de viver!
Serei paciente.
                                             Célia Gil

(imagem do Google)

Caminheiro errante segue caminho
Pela Via Láctea, só, vem descendo...
Vagueia assim só, sem ter um destino
E pelo caminho vai aprendendo.

Segue pelo mundo mas não vai sozinho.
Há em si a fé que o vai movendo.
Traz o coração pleno de carinho,
Na alma a paz e o amor que vão crescendo.

Quem será este errante, quem ele é?
Que o move não a ambição mas a fé?
Todos questionam este ser sombrio.

Quando escreve é um deus que se agiganta,
A poesia uma voz que ele levanta,
Deus errante no combate ao vazio.
                                              Célia Gil

(imagem do Google)

Cada momento que vivo
poderia ser uma ostra irritada,
porque dela nasceriam pérolas poéticas
de uma alma amargurada.

Com pérolas de paciência
escreveria a minha conduta para com os outros.

Com pérolas de amor
abriria as comportas dos meus sentimentos.

Com pérolas de fé
escreveria conselhos para os descrentes.

Com pérolas de esperança
delinearia os traços do futuro da humanidade.

Com pérolas de perdão
apagaria a mágoa das palavras.

Com pérolas de tolerância
escreveria um manual sobre a compreensão.

Faria nascer da minha irritação
uma gota de orvalho solidificada
na pérola da poesia!
                                             Célia Gil
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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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