(imagem do Google)
Hoje quero subir os degraus
azuis até ao último andar…
E, no terraço, tocar as nuvens,
confessar-me ao sol,
beber um refrescante sumo de sonhos,
aspirar as ilusões que pairam no ar
e trazer nos meus olhos o infinito.
E, ao descer, quero voltar a ser criança,
descê-las escorregando pelo corrimão,
sentir-me capaz e poderosa,
livre, leve e ingénua.
Quero ter na mão o poder
de consertar os erros,
de usufruir dos momentos
que ficaram esquecidos no passado.
Recuperar a fé e a confiança
e, com mãos de fada,
viver a apoteose da felicidade.
Mas, no meu peito,
bate um coração fragilizado,
com cicatrizes impressas pelo tempo
e rugas em olhos de sofrimento
a desfazer-se em lágrimas dolorosas.
E as nuvens, intocáveis, estão lá longe,
o sol é inatingível,
o sumo tem apenas laranjas,
as ilusões dissiparam-se
escondendo-se por becos poeirentos.
E a criança, essa cresceu
e tornou-se na adulta magoada,
que cresceu à pressa,
mas que procura no passado
apenas o equilíbrio do presente,
que continua a olhar em frente
e a subir a escadaria dos sonhos!
Célia Gil