Histórias Soltas Presas Dentro de Mim
 Caros amigos, vou de férias durante quinze dias e regresso no dia 16. Não tenho grande acesso à net, por isso não vou postar nos próximos dias nem vou poder ler as postagens, mas faço questão de ler ao chegar! Até breve! Entretanto, deixo uns vídeos com alguns poemas que li!

Irmã que nunca tive
Perdi o meu sorriso
É difícil dizer adeus

Mais um pequeno poema lido. Um domingo cheio de paz, amor e inspiração para todos!
(imagem do Google)

Sempre que o mundo é cruel,
árido e seco,
há em mim uma lágrima
que transborda para o papel.

Sempre que as pessoas são frias,
de sentimentos vazias,
depois de um bom livro ou filme,
há em mim uma lágrima incompreendida
que torna sublime
a alma comovida.

Sempre que me julgam sem razão,
opinam com palavras frias,
há em mim uma lágrima de compaixão
para com essas pessoas vazias.

Por isso mesmo,
a minha lágrima
é de pessoa sadia
de quem sente e tem coração.
Porque a quem não cai lágrima,
é apenas pedra fria,
onde nada nasce,
nada se cria,
tudo definha à sede de emoção.
                                                Célia Gil



Aqui vai mais um poemazinho que resolvi ler! Bjs e bom fim de semana a todos!
(imagem do Google)


Não te prendas por mim…
Parte quando achares
que chegou a hora de partir.
O meu amor
é uma cela aberta
que só recolhe quem vem por bem,
onde só permanece
quem quer ficar.

Não te vou julgar, descansa!
Podes partir…
A mágoa é uma ferida que sara.
Nos meus olhos
não mora apenas a tristeza,
são ninhos
que acolhem infindos sentimentos.

Se partires, faz-me um favor:
não voltes!
O meu coração é uma grande casa
onde cabe muita gente,
mas que gosta da constância
dos que o habitam.
Não gosta de vaivéns
ou falsos arrependimentos.

Por isso, se te fores,
vai-te de vez!
                         Célia Gil

Aqui vai mais um filmezinho com um poema escrito e lido por mim (o som ficou um pouco baixo, pelo que é preciso colocar no máximo):

Boa quarta-feira!
(imagem do Google)


Não gosto da palavra ADEUS!
É demasiado definitiva,
irremediavelmente definitiva!
Fica a ecoar nos ouvidos
e nas amplas paredes da alma,
à espera de um regresso,
um improvável regresso.

Adeus é uma pedra
Deitada de repente
Em profundas águas que a
Usurpam para
Sempre.

Adeus é um impropério
Deixado cair ao acaso
Em situações
Ultrajantes. Que morde como
Serpentes.

Adeus é uma despedida
Da alma quando parte
Em direção ao céu
Última morada do
Ser.

Não gosto da palavra ADEUS!
                                     Célia Gil

Resolvi fazer uns filmes com alguns poemas antigos, lidos por mim, com o auxílio de produção do meu filho mais novo! Espero que gostem!

(imagem do Google)

Para lá do mar
e da distância
está a fragrância
de um doce ondular…
Ondas grafemáticas
plenas de memórias
de outras histórias
tão mágicas!
Brisa que acalenta
roçando-me a pele,
pegajosa de mel,
arrepiando a alma sedenta.
Abro as ondas incertas
com mãos determinadas
e busco as palavras certas
pela caneta dominadas.
É o milagre da escrita
que caminha sobre o mar
erguendo aos céus a mão bendita
que impede o sonho de naufragar.
                                       Célia Gil


(imagem do Google)


(Dedicado ao meu marido, pelos nossos 17 anos de casamento e 5 de namoro)


Hoje, meu amor,
quero ver nos teus olhos
que a distância não existe,
que, para além do tempo,
o nosso amor persiste.

Quero a calma, a tranquilidade
de mãos dadas com a paixão,
sem deixar morrer a emoção,
mas com ternura e cumplicidade.

Quero o teu olhar carinhoso,
olhos de sentimentos sadios,
um olhar bem caloroso
que me aqueça nos dias frios.

E quando o olhar não bastar,
quero palavras francas
para renovar alianças
e não deixar o amor findar.

Quero que sintamos orgulho
um no outro, para sempre.
De mãos dadas, olhando em frente,
confiantes no futuro!
                                         Célia Gil



(imagem do Google)

Hoje quero subir os degraus
azuis até ao último andar…
E, no terraço, tocar as nuvens,
confessar-me ao sol,
beber um refrescante sumo de sonhos,
aspirar as ilusões que pairam no ar
e trazer nos meus olhos o infinito.
E, ao descer, quero voltar a ser criança,
descê-las escorregando pelo corrimão,
sentir-me capaz e poderosa,
livre, leve e ingénua.
Quero ter na mão o poder
de consertar os erros,
de usufruir dos momentos
que ficaram esquecidos no passado.
Recuperar a fé e a confiança
e, com mãos de fada,
viver a apoteose da felicidade.

Mas, no meu peito,
bate um coração fragilizado,
com cicatrizes impressas pelo tempo
e rugas em olhos de sofrimento
a desfazer-se em lágrimas dolorosas.
E as nuvens, intocáveis, estão lá longe,
o sol é inatingível,
o sumo tem apenas laranjas,
as ilusões dissiparam-se
escondendo-se por becos poeirentos.
E a criança, essa cresceu
e tornou-se na adulta magoada,
que cresceu à pressa,
mas que procura no passado
apenas o equilíbrio do presente,
que continua a olhar em frente
e a subir a escadaria dos sonhos!
                                        Célia Gil

(imagem do Google)


Caminhando à beira-mar,
paro a cada momento
para contemplar
a sua grandiosidade,
a sua magnitude,
a sua profundidade.
Perco horas a apanhar
conchinhas, búzios e pedras,
pequenos presentes
oferecidos pelo mar,
jóias preciosas que guardo
no fundo do meu aquário,
como a recriação
deste universo marítimo,
para que possa contemplar
e sentir um pouco
a força das águas
e da beleza que encerram.
E mesmo as ondas fortes
são música nos ouvidos
e acalmam-me,
fazendo-me sentir em paz,
numa harmonia total.
E o meu perfume
é a brisa marítima
que se desprende
dos meus cabelos.
Como me revigoras
e como me confortas,
mar meu!
Atlântico de sonhos,
de grandes projetos,
de grandes feitos!

                      Célia Gil




(imagem do Google)

Não há certezas. A minha certeza não é a mesma dos que me rodeiam. Quantas vezes já ouvi afirmar peremptoriamente, “tenho a certeza de que o meu filho é educado!”, quando eu sei, na minha certeza, que “tenho a certeza de que é um miúdo mimado e impertinente.”

Não suporto certezas atiradas ao acaso num universo de dúvidas.

Tive quem me dissesse, em dada ocasião da vida, “tenho a certeza de que a tua mãe vai vencer a doença!” E eu acreditei de tal maneira que me recusei acreditar que não havia nada mais incerto, porque não havia mais nada a fazer.

Sei que não é por mal. Tendemos a afirmar “De certeza que vais conseguir!”, “Tenho a certeza que vai correr tudo pelo melhor!” ou “Tudo vai melhorar!”, “Vais, com toda a certeza, superar essa fase pior da tua vida!” porque gostamos de dizer aquilo que sabemos que os outros vão gostar de ouvir.

Tantas certezas, mas nem Deus tem essas certezas todas, porque o ser humano se vai encarregando de destruir as Suas certezas. Daí os acontecimentos inesperados, a revelia da natureza, as grandes tragédias…

Não há certezas de nada. O mundo é feito de incertezas que nos encaram de frente, de dúvidas que não conseguimos resolver de forma definitiva e de surpresas que irrompem nas nossas vidas sem avisar.
                                Célia Gil
(imagem do Google)

Vivemos aprisionados
entre prédios imensos
que ofuscam a luz do sol.
As estrelas passam despercebidas
enfraquecidas pelas luzes
de altos candeeiros em betão.
Tudo é cinzento,
o sol mal raia pela janela
para brincar
com o sono da manhã.
E a vida corre agitada,
por entre sons citadinos.
Passos agitados e apressados
calcorreiam a toda a hora
os estreitos passeios.
Buzinas irritadas e ansiosas
ecoam em sintonia com travagens
repentinas e estridentes.
Cheira a freios queimados,
a alcatrão a derreter sob 40 graus,
a fumo, gasóleo e gasolina.
Sou prisioneira
desta selva urbana,
ansiando a libertação.
                          Célia Gil


Como um cristal,
também eu me estilhaço em mil pedaços.
Como uma folha,
também eu envelheço
sempre um pouco mais,
até cair e ser pisada
por alguém que passará
sem me ver…
Como uma borboleta,
também eu tento esvoaçar
por entre obstáculos
com que a vida nos afronta,
procurando fugir à captura
de umas mãos
que me querem
presa na moldura
ou a embelezar um álbum
velho e poeirento.
Sou frágil!
E então?
Quem não é?

Vou revolucionar o verbo querer,
deixá-lo sem pretérito imperfeito
para nunca mais poder dizer
“Eu queria”.
Assim, apenas quero!
Quero ser feliz,
quero que o mundo seja melhor,
quero a paz e a solidariedade,
quero o amor e a amizade.
Não terei desculpas
para dizer “Eu queria
mas não consegui!”
Só deixarei o presente,
porque quero
e o futuro,
porque quererei.
E, no fim, termino
de forma gloriosa
porque eu quis!
                        Célia Gil
(imagem do Google)


Dedos cansados e calejados,
dedos de trabalhador
poisam na folha de papel
e têm o poder
de plantar árvores
de todas as cores,
numa paleta de ilusões.
Têm o poder
de soltar borboletas
em todo o tipo de flores
num rodopio encantador.
Têm o poder
de tirar de uma pedra
a verdade,
de tornar a água da mina
numa nascente translúcida,
caindo em cascatas
onde se banham musas.
Têm o poder de fazer
bailar as palavras
em conotações desconcertantes.
Têm o poder
de brincar com as letras,
depositá-las ao acaso
até que delas se desprenda
aquela mensagem única,
a tirada irreverente,
a ironia estonteante,
a moral certeira.
Pasmo perante
este monstro da escrita
e do campo,
que com o seu canto
encanta os campos
e dá-lhes novas cores e significados.
                                      Célia Gil
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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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