Histórias Soltas Presas Dentro de Mim


(imagem do google)


Erramos vezes sem conta,
julgamos sem que o devamos fazer,
comentamos o que não nos compete comentar,
opinamos o que não temos de opinar…
Porque somos humanos.
E porque somos humanos
somos imperfeitos
a ambicionar a perfeição,
a convencermo-nos de que somos perfeitos,
a pensarmo-nos perfeitos,
a agirmos como perfeitos,
a julgarmos imperfeitos apenas os outros.
Necessidade de afirmação?
Ambição humana?
Convicção?
Quais os fundamentos
para essa afirmação,
ambição e convicção?
Porque somos humanos.
E porque somos humanos,
cada vez mais devemos aceitar
a nossa imperfeição.
Só assim poderemos tentar superá-la,
paulatinamente.
Conhecer as nossas fraquezas
para realçar as qualidades,
reconhecer os nossos pontos fracos
para enaltecer os pontos fortes.
Porque somos humanos…
                                         Célia Gil



Eis mais um poema inspirado no meu mais que tudo, o meu marido:
(imagem daqui)


Quero pintar o meu mundo
com as cores
com que se pinta
a minha paixão por ti.
Quero sorver o chocolate quente
dos teus olhos,
que me aquecem nas noites frias.
Quero deliciar-me
com a cereja suculenta
dos teus lábios.
Quero repousar o meu desassossego
na neve a perder de vista,
que é o teu cabelo.
Quero, contigo, contemplar
o azul intenso do céu
que vislumbramos do nosso quarto,
o esplendoroso amarelo do sol
e o laranja flamejante
da lareira crepitante
que nos aquece os corações
na nossa sala.
o branco puríssimo da paz
que se espraia nos nossos lençóis,
o vermelho fogoso da paixão
que se estende por halls
que abrem portas a espaços de amor
e o verde viçoso da natureza
que se contempla na cozinha
onde primo nas receitas,
requintando sabores ao sabor
do nosso amor.
Quero pintar o meu mundo
contigo e para sempre…
O nosso mundo!
                 Célia Gil

Imagem relacionada

(imagem do google)


Sinto a brisa marítima
tocar-me as faces, ao de leve,
como uma suave carícia,
uma carícia envolvente.
Escuto-lhe o seu segredo,
o mais íntimo,
aquele segredo só seu.
Sou a pessoa mais feliz à face da terra
sou a eleita nesta partilha íntima.
E o segredo repete-se nos meus ouvidos,
como eco que me embala
nas minhas ilusões.
Deito-me na areia ainda quente do sol,
e dormito nos meus sonhos,
aspirando a brisa
para a prender em mim
e levá-la comigo onde quer que vá.
Sorrio neste estado de semi consciência,
Sinto-me a transbordar de tranquilidade,
Alheio-me de todos os ruídos humanos,
Quero esta tranquilidade só para mim.
Envolvo-me num abraço forte
e, nesse momento, sou só eu,
o mar, a brisa, o aroma da brisa,
… O segredo. 
                                            Célia Gil

Resultado de imagem para escrever
(imagem do google)

Há momentos em que uma força poderosa
Mágica e secreta
Nos empurra para a escrita.
Sossegar emoções?
Acalmar o desassossegado coração?
Deixar fluir a alma?
Não há explicação.
Só sei que
Há momentos.
Daqueles que não esmorecem
Que nos impulsionam
Arremetendo de um intenso formigueiro
A mão que escreve
O cérebro que fervilha.
E então é com a pulsação acelerada,
A alma inflamada
Que me espraio nas folhas em branco
Que me enlaço nas palavras
Me quebranto
Me deixo envolver pela força
Dos sentimentos
E tudo porque…
Há momentos!
                     Célia Gil

(imagem do Google)


Quem sou eu para te aconselhar?
Eu, que não tenho sido o exemplo,
que tenho errado sem cessar,
que me acobardo e me lamento?

Quem sou eu para te dar lições de vida?
Eu, que me resigno sem me lamentar,
que não passo de uma fugitiva sem guarida,
que se deixa enganar, espezinhar?

Quem sou eu para te dizer o caminho a seguir?
Eu, que nem conheço o rumo da minha vida,
que passo a vida a ignorar o meu sentir,
e me questiono nas encruzilhadas, perdida?

De uma vez por todas, mentaliza-te!
Não sou boa conselheira!
Traça os teus próprios passos na areia da vida
E vive a vida à tua maneira!
                                 Célia Gil


(imagem do Google)


Quando penso no meu querido País,
relembro passados vitoriosos,
heróis com grandes feitos gloriosos,
construíram uma Pátria feliz.

Orgulho retratado n'Os Lusíadas
pelo grandioso poeta Camões,
qual a Nação escolhida que elegias
p'ra enaltecer a maior das Nações.

Os nossos heróis caíram por terra,
rendidos numa nação sem esperança,
personagens de quem já nada espera.

Tão somente o desespero e a derrota
que levam ao crime e insegurança,
deixando apenas uma pátria morta!
                                          Célia Gil



(imagem do Google)


Poeta,
sonhador inconsequente
em busca de ilusões
que aliviem a realidade sofrida.

Foge, Poeta, foge!
Isola-te nessa página secreta.
Arma silenciosa, só tua
guardada na gaveta.

Se a folha de papel
é o mar onde afogas as mágoas,
é o mar onde te libertas,
mergulha, poeta
nessas páginas submersas
e limpa a alma da realidade,
purifica-te da dor e da crueldade.

Mas, Poeta…
Não sejas egoísta!
Deixa-nos entrar no teu mundo,
mergulhar contigo
nessas ondas grafemáticas.

Purifica-nos a nós
que confiamos em ti,
que queremos beber um pouco
dos teus sonhos e ilusões,
respirar as palavras
sensíveis e repletas de emoções.

Poeta,
suplicamos-te um pouco de ti,
tão pouco!...
Mas o suficiente para se ser mais feliz.

                                                  Célia Gil


(imagem do Google)

A natureza bebe insaciavelmente
da chuva que cai.
Depois de dias e dias de sede,
sequiosa,
ansiosa
por uma gota que fosse,
abre os braços e abraça
as grossas gotas de chuva
que caem no seu seio.
E agradece
numa profusão de verde,
num leve agitar de folhas
que sacodem a água
ao sabor do vento
que passa para lhes contar
histórias de encantar.
Algumas perdem as folhas velhas,
pois sabem
que novas virão
com o raiar do sol
da primavera.
É uma cura de beleza
uma esfoliação
que as deixará como novas.
Agora, limitam-se a beber
olhando o céu
e agradecendo a Deus
a divina água
que as traz de novo à vida.
                          Célia Gil



(imagem do Google)

Não sou a poetisa eleita,
a escolhida, a designada…
Muito menos sou perfeita!
Sou um ser humano que sente
e que gosta de escrever,
de partilhar, dar e receber.
Com simplicidade,
naturalidade,
de alma aberta,
escrevo o que sinto e penso
não o que a profissão me dita,
porque aqui fico desnuda do canudo,
que, para escrever, não é tudo.
As pessoas medem-se
pela grandeza interior,
e onde julgam estar a perfeição,
estarão sempre arestas por limar,
onde julgam estar grandes escritores,
estão projectos por alcançar.
Sou escritora de mim mesma,
para mim mesma,
e para quantos mais queiram apreciar.
Não sou Florbela, muito menos Espanca,
não sou Sophia, muito menos Andresen,
não sou Fernando, mas sou pessoa.
E a todos os que partilham comigo
o amor à escrita,
os que partilham o que são,
o que sentem, o que pensam,
o que ficcionam, o que elaboram,
o meu bem-haja
de leitora em gratidão!
                         Célia Gil


(imagem do Google)


Deixai-me sonhar,
ainda que por breves instantes.

Ignorar o mundo envolvente,
a ansiedade, a mágoa, a verdade,
fechar-me no sonho e triunfar.

Deixai-me iludir-me,
ainda que por breves instantes.

Acreditar no presente,
na paz, na harmonia, na vitória.
Abrir a alma inocente
que teimo em fechar.

Deixai-me acreditar,
ainda que por breves instantes.

Acreditar que o passado resiste
em mim, em nós, na vida.
Libertar-me de tudo
e sonhar… apenas sonhar!
                             Célia Gil


A minha nova aquisição fez-me estar fora estes últimos dias. É um cachorrinho labrador com seis semanas, que fui buscar a 200  km daqui. Como é evidente tem sido uma festa por aqui, tenho o Dragão, o meu outro cão, com ciúmes e o pequenito a chorar por ficar sem os manos, que eram nove. Mas é um fofo, não nos larga, procura uma perna para se aninhar e dormir. É muito meigo e mimoca. Aqui vão umas fotos dele:

Não é uma fofura? Irresistível!
Além disso estive a plantar umas alfaces, porque as primeiras secaram devido ao excesso de calor. Como dão chuva, pode ser que desta vez resulte. Quando a horta estiver compostinha, eu tiro umas fotos! Bom fim de semana!




(imagem do Google) 


            Há dias em que acordamos
e os olhos teimam não se abrir,
cada músculo se retrai
e nos impede de reagir.
Há dias assim…

Em que tudo parece correr mal,
em que o eu que se levanta
fica ainda deitado na sua ausência,
recusando-se a enfrentar o vendaval.
Há dias assim…

Em que sou apenas um corpo
sem alma, sem vida,
ausente de mim e do mundo,
percorro o dia, vagueio perdida.
Há dias assim…

Em que nada me anima,
nada me faz reagir,
chorar ou sorrir,
e me torno sombra de mim mesma.
Há dias assim…

Podem explodir bombas,
pode haver vendavais,
irromperem grandes temporais,
que eu fico impávida,
contemplando, sem ver,
sem sequer me reconhecer.
Há dias assim…

Em que me perco de mim!
                              Célia Gil

(imagem do Google)


De semblante carregado, ele olhava
a velha cabana onde antes vivera,
onde para sempre lhe prometera
que em seu coração para sempre morava.

Agora nos seus olhos perpassava
o dia em que injustamente a perdera!
Num trágico acidente ela morrera
e agora só a memória restava.

Do alpendre avista um azul mar sem fim,
mar onde repousa todo o seu ser
e revê-a vestida de cetim

nesse mar onde quis permanecer,
ondulante, transparente e carmim…
Decide: ali estará até morrer!
                                Célia Gil


(imagem do Google)

Não sou antissocial, não!
preciso apenas de momentos
para me deitar com os meus pensamentos
e ficar a sós com a ilusão.
Mas são tão breves…
A realidade clama por mim
num clamor sem fim,
culpando-me: como te atreves?
E de mão em riste me aponta
o dedo da necessária responsabilidade
e eu que só queria tranquilidade
sinto um peso que me afronta.
Ó vida, dá-me um pouco de tempo
para ficar a sós comigo,
sem esse tempo eu não consigo
sem esse pouco mas santo tempo.
Os meus olhos só querem sorrir,
a minha mão fincar o papel,
com ideias presas num cordel
que esvoaça em todo o meu sentir.
Não sou antissocial, não!
Mas quero o meu mundo de poesia,
a minha breve fantasia
que inunda de felicidade o meu coração.
                                                 Célia Gil








(imagem daqui)


A minha voz não tem o som do que sou,
vem lá do fundo, soa como a de minha mãe
quando a escutava atentamente.
Há um timbre que ficou
e que, com os anos, se aperfeiçoou
num som que a minha mente gravou.
A minha voz, quando me oiço,
é de outrem que não eu,
alguém em cuja voz reapareceu
a minha mãe, lá longe no céu.
E as frases que digo aos meus filhos,
a mim mas disseste vezes sem fim,
eu que sempre aprendi contigo
os ensinamentos que agora dou de mim.
Como tu falo e com prazer,
pois nunca quis que fosses diferente,
foste uma mãe sempre presente
que semeou em mim todo o seu ser!
                                          Célia Gil


(imagem do Google)


Neste ermo a que subi para gritar
tudo é cheio de imensa solidão,
aqui posso até perder a razão
que não terei ninguém para me julgar.

Posso aos sete ventos tudo gritar,
posso até me espojar em pleno chão
e libertar toda a minha emoção
que não escutarei qualquer sussurrar.

Posso até gritar ao céu a tristeza
que me invade assim sem pedir licença
e entra assim com tão grande ligeireza

impondo em mim sua inútil presença.
Posso revoltar-me com aspereza
Sem ninguém ferir com a dura ofensa!
                                  Célia Gil

(imagem do Google)


Sempre rodeada de tanta gente
mas tão só e fechada no meu mundo,
sabendo eu tão bem que mesmo no fundo
vivo com os meus fantasmas na mente.

Concentro os pensamentos de repente,
fecho-me neles a todo o segundo
que me alheio da vida e até do mundo
corpo presente numa mente ausente.

Quem pode dos fantasmas libertar-me,
dos que fui criando ao longo da vida?
Só eu poderei, sozinha, ajudar-me

a exorcizar os fantasmas da vida,
quando eu própria conseguir enfrentar-me
e sair deste beco sem saída.
                                   Célia Gil
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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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