Histórias Soltas Presas Dentro de Mim



Estende os teus braços,

amolecidos pelo tempo,
num abraço terno
que sufoca de amor.
Do sorriso rasgado,
imperceptível palavra
a aquecer o coração.
Assim quereria, mãe,
continuar a morar 
nos teus olhos,
continuar a ser
o mote do teu sorriso,
a estrela do teu dia a dia.
Só assim seríamos uma.
Fazes-me falta.
Deixaste um buraco
negro de saudade
a invadir-me o peito
e uma vontade indescritível
de ser abraçada por ti.
Saudade umbilical...
                          Célia Gil

Não tenho escrito muito, mas desta vez não por falta de tempo, mas porque tenho ocupado o meu tempo de outra forma. Finalmente acabou o trabalho e começaram as férias. E começaram em grande, com festas, piscina e ... nem tudo é bom... as limpezas gerais para fazer. Entretanto, sobra um tempinho para umas receitas. E é isso que hoje partilho. A receita dos mini palmiers e de uma sobremesa fresquinha.

Palmiers rápidos:

Muito fáceis. Comprei a massa congelada no Mini-preço - 3 embalagens, o que perfaz 6 placas de massa.
Em seguida, coloquei açúcar na bancada e estendi a massa com um rolo. Adicionei açúcar em cima e canela e comecei a dobrar a massa para dentro até chegar ao meio


Sobrepus e cortei.


Coloquei no tabuleiro e foi ao forno dourar.


E o resultado foi este:



Uns corações estaladiços!
E para ficarem mais gulosos, barrei alguns com ovos moles e calda de açúcar!


 Sobremesa fresca de fruta:

Segue-se uma sobremesa facílima.

Ingredientes:
2 pacotes de pudim boca doce - baunilha ou ananás
2 pacotes de natas
2 colheres de açúcar
1 lata de fruta em calda - pêssego ou ananás.
Canela para polvilhar.

Confeção:

Faz-se o pudim, seguindo as instruções da embalagem.
Deixa-se arrefecer.
Corta-se a fruta fininha e coloca-se uma camada por cima do pudim já frio e na taça em que vai ser servido.
Termina-se colocando as natas batidas com o açúcar por cima da fruta. Decora-se a gosto e vai para o frigorífico! Os meus ficaram assim (os morangos, amoras e framboesas são produção caseira):
Delicioso e fresquinho!


Para complementar, uns cogumelos biológicos com ovos mexidos!



                                                       Bom apetite e bom fim de semana!







                         (imagem do google)

Sento-me ao colo da noite
esperando que me embale.
Mas a noite é um cavalo louco
que cavalga pela mente adentro.

Entra pelas pálpebras semicerradas,
apodera-se do sossego aparente,
louca, livre, persistente...

Ficamos, assim, a sós, olhos nos olhos,
à espera que alguma desista.
Compinchas nas letras
que ela rouba às estrelas
para me oferecer.
                          Célia Gil

                      (imagem do google)

Mesmo quando a tua alma chora
um  sorriso quer colorir o teu rosto.
Mesmo quando uma ilusão vai embora,
vem novo sonho vencer o teu desgosto.
Mesmo quando a dor parece não ter fim,
a vida dá-nos comprimidos de humor.
Mesmo quando tenho pena de mim,
recebo a fé e a confiança com um louvor.

E porque a vida é esta roda viva
que gira em torno do futuro,
Ganho forças, não me dou por vencida
e transponho todo e qualquer muro.
                                          Célia Gil


(imagem do google)

Choro sem de chorar estar cansada,
choro por tudo e por nada.
Choro a cada nova alvorada,
choro como se chorar fosse nada.

E os meus olhos rasantes de água
parecem brilhantes de alegria.
Que são lágrimas, ninguém diria,
são presas contidas de mágoa.

Choro pelo mundo de hoje,
choro pela vida que não volta,
choro de raiva e de revolta,
choro pela alegria que foge.

Mas se chorar lava a alma,
quero chorar eternamente,
chorar hoje, amanhã e sempre,
e encontrar no choro a calma.
                                      Célia Gil



             (imagem do google)

O medo, a insegurança e o erro
são constantes na nossa vida,
pairam qual sombras do desterro,
deixam a alma desprotegida.

Sempre que a coragem dobra
a esquina da nossa existência,
surge o medo, que cobra
ou sugere a desistência.

Quando tomamos decisões
que nos pedem permanência
a insegurança dos corações
abala a nossa consciência.

Se pensamos que acertámos
em todas as escolhas feitas,
há sempre o erro que ignorámos
nas ilusões mais perfeitas.

Não deixes de acreditar,
sacode o erro, o medo e a insegurança.
Se caíres, faz por te levantar
qual Sísifo em eterna esperança.
                             Célia Gil

 
                          (imagem do google)


Fugi à intempérie da vida
aninhada em palavras de amor
que aqueceram a despedida
tornando mais leve a dor.
Palavras eu gritei
a pleno pulmão de uma folha de papel,
palavras que sussurrei
em literartura de cordel.
Expulsei-as da garganta,
não deixei que sufocassem,
aqueci-as com a esperança
e permiti que se libertassem.
Palavras loucas de dor
palavras sanas, insanas,
palavras amorosas de desamor,
palavras profundamente levianas.
Cuspi-as, esculpi-as  na folha em branco,
ainda quentes das lágrimas derramadas,
palavras de ternura e de pranto,
palavras roucas, inflamadas.
Palavras que me aninharão
até adormecer com a eternidade.
Palavras que ficarão
no recanto da saudade.
                                    Célia Gil


                     (imagem do google)
     Mote
Alegres manhãs
nas quais o sol brilha
manhãs que alimentam
nossa fantasia

    Voltas
Manhã, que me espreita
p'la janela aberta,
e assim me desperta,
assim me deleita.
Assim me sujeita
com o seu perfume
quando o quarto envolve
em doce queixume.

Sol, que me inebria
com seus raios cálidos,
ainda que pálidos,
são pura magia.
Pura fantasia
que sempre enternece,
a luz dos meus olhos
de tudo se esquece.
                   Célia Gil






                  (imagem do google)

O perfume das flores
entra-me pela janela dentro
sem pedir, vai ficando,
mistura-se com os cheiros da casa
tanto que sinto, quando desaparecem,
um vazio que nada preenche.
O meu olfato seletivo
fica ali quieto
à espera de receber o perfume
de uma flor que já murchou.
Do meu coração cai uma lágrima
ao contrair os olhos tristes.
Queria que a natureza fosse perene,
que o perfume das flores invadisse
para sempre o meu leito,
que as cores das flores
me inebriassem o olhar
em matizados de alegria.
Que os pássaros que pousam
no peitoril das janelas de casa
não deixassem de aparecer
para me congratular
por uma nova manhã.
Que todas esta fonte de inspiração
me pegasse na mão
para continuar a escrever
por tudo e por nada...
                               Célia Gil
(imagem do google)

Fecho as pálpebras ao mundo,
mas não as fecho aos sonhos.
Invadem-me histórias sem fundo,
extraordinárias, impressionantes.
Sinto-me uma pluma invisível
correndo de um lado para o outro
a uma velocidade incrível.
Reencontros, pesadelos, alegrias,
autênticos argumentos de filme
verdadeiros ou fantasias?
Decompomos a realidade
em ínfimos fragmentos
que juntamos com leviandade,
pedaços de vários momentos.
                                  Célia Gil
Hoje o sol brilha lá fora, apesar de um ventinho aborrecido. As árvores já têm flor e espreitam frutos envergonhados.
O limoeiro já tem flor e novos rebentos

 A macieira de bravo esmolfe com flor, o pessegueiro com uns frutos tímidos e a pereira de folhas ao vento.



A macieira e as mini cerejeiras em flor.

E, por falar em flor, as minhas flores estão bem bonitas:








 Enchem de cor os meus dias!

Agora, o novo membro da família, o Teco, um porquinho da índia amoroso:

Para terminar, deixo a receita de um bolo que fiz, super fácil e ótimo:


4 ovos
1 chávena de óleo
2 iogurtes naturais
1 copo de sumo de laranja natural
1 chávena e meia de farinha de trigo
1 colher de fermento
1 colher de essência de baunilha
1 chávena e meia de açúcar


Depois de juntar os ingredientes líquidos, adicionar os ovos um a um. Juntar os elementos sólidos.
Depois de ir ao forno, cerca de 50 minutos a 180 graus, fazer um glacé com duas claras e 250 gramas de açúcar em pó e barrar. Bom apetite!







(imagem do google)

Se na vida eu bebesse
sonhos como quem bebe água
talvez em todos houvesse
mais júbilo, menos mágoa.

Se o sol, raiando inseguro,
me desse um porto de abrigo,
o mundo diria ao escuro
"eu quero, eu posso, eu consigo!"

Se eu porventura alcançasse
tudo o que quero na vida
talvez nada mais restasse...
Dar-me-ia por vencida.
                                  Célia Gil





(imagem do google)

Vejo-te na extensão verde de um sofá
tricotando memórias de renda.
O teu ar sereno conta-me histórias
que eu bebo na minha sede de ti.

A minha mente, poderosa de imaginação,
transforma o sofá num campo verde
onde os cheiros concorrem
para o pódio da sedução.

E tu, impávida, de sorriso nos lábios,
enlaças a linha em rosas perfumadas
que estendes em tapetes de histórias
para que eu receba todas as personagens
diretamente no meu peito
e fiquem perpetuadas na memória.
                                                 Célia Gil

Resultado de imagem para vida
(imagem do google)

Em cada dia que passa sentimos necessidade de ir reaprendendo a viver, de encontrar novos objetivos, novas razões para existir ainda que seja ténue linha do nosso horizonte. Nem sempre é fácil, quando a alma chora, quando os lábios se cerram contrafeitos na ausência de um sorriso. É preciso então um grande esforço para recuperar e encontrar sentidos para a vida. Não é que não haja, há-os em tudo o que nos rodeia. É preciso é voltar a olhar para as coisas com olhos de poesia...
                                                                                                                                        Célia Gil
Hoje deixo novamente este meu poema. Estou a passar por um momento muito difícil e só me ocorre esta perda do sorriso. Tenho uma colega e amiga da escola internada e muito mal, devido a uma gripe. Uma bactéria alojou-se no cérebro e já teve três paragens cardíacas e várias tromboses cerebrais. Estão só à espera de doar os órgãos para desligar as máquinas. Tem 44 anos e tinha uma saúde de ferro. É muito difícil aceitar e digerir tudo isto!

À noite, acabou por falecer. Dia 23 foi o funeral. Deixou um filho de 13 anos. Até sempre amiga! Nunca serás esquecida! Ficarás para sempre nos nossos corações!
                                                                                                                      Célia Gil

(imagem do google)

Cai a noite,
que me toma nos braços 
a aquecer abraços.

sou ainda a criança com sonhos de oiro,
a preparar o puzzle da vida
em brincadeiras inocentes
com restos de sonhos recortados.

e, quando acordo,
continuo imóvel
à espera que as estrelas 
permaneçam no meu céu.
                           Célia Gil





A solidão envolve-nos nos braços,
mas não aquece a nossa alma.
Os seus dedos frios
traçam percursos de escuridão
numa pele cansada de existir;
estrangulam-nos a garganta
até suplicarmos por uma réstia de ar.
O seu bafo gélido
arrefece o amor,
congelado no tempo.
Impulsiona a saudade
a brilhar em plumas de fulgor,
até estontear o que resta de nós.
                                 Célia Gil
Resultado de imagem para naufrágio barco de papel
(imagem do google)

Não sei se o que sou persistirá
para além dos tempos na memória.
Ou se o meu barco naufragará,
abandonando simplesmente a história.

Não quero ser carvão que se apaga,
não quero ser a cinza que se desvanece,
não quero ser barco que naufraga
ou protagonizar um livro que se esquece.

Quero deixar marcados a tinta permanente
os sentimentos que o meu peito abraça.
Ficar, de alguma forma, para sempre
nos sonhos que a minha escrita traça.
                                              Célia Gil




(imagem do google)

Fantasmas existenciais perpassam-me
pelos olhos cansados de doer.
Fantasmas que vêm, vão, passam,
invadindo o meu anoitecer.

Fecho os olhos e ignoro a realidade.
Mas ela, dura e cruel, não me abandona.
Neste viver de insanidade,
ela é a minha padroeira, a minha dona.

quero adormecer todo o meu cansaço
e acordar numa outra dimensão.
Quero ignorar os fantasmas que abraço
para reaprender a viver na ilusão.
                                             Célia Gil
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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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