Histórias Soltas Presas Dentro de Mim

Tudor, C.J. (2018). O Homem de Giz. Lisboa: Planeta Manuscrito.

Tradução: Victor Antunes
Nº de páginas: 320
Início da leitura - 23/01/2024
Fim da leitura - 26/01/2024

** SINOPSE**
"Toda a gente tem segredos...

Tudo aconteceu há trinta anos, e Eddie convenceu-se de que o passado tinha ficado para trás. Até ao dia em que recebeu uma carta que continha apenas duas coisas: um pedaço de giz e o desenho de uma figura em traços rígidos. À medida que a história se vai repetindo, Eddie vai percebendo que o jogo nunca terminou.

Um mistério em torno de um jogo de infância que enveredou por um caminho perigoso.

Um livro diferente dentro do género thriller, uma vez que combina o psicológico com um toque de Stephen King e umas pinceladas de Irvine Welsh."
Este é um thriller bastante empolgante, que nos conta uma história, passada entre dois momentos (passado- 1986/presente- 2016), narrada pelo protagonista, Eddie, pelo qual sentimos alguma empatia, especialmente pela criança vítima de Bullying,  mas também pelo homem estranho em que se torna e que, desde o início, percebemos que esconde algo por detrás da sua maneira de ser sombria, um professor antissocial que se refugia da bebida.
Não vou contar mais, uma vez que a sinopse dá conta dos aspetos fundamentais para perceberem se é o género de leitura por que optariam. Apenas refiro que o giz tem um papel crucial na vida desta personagem (e não apenas enquanto professor). Se apreciam o género, aconselho a leitura. Sem ser extraordinário, lê-se muito bem e entretém.

Thirault, Philippe (2021). Shanghai Dream - Edição Integral. Estoril: Arte de Autor.

Tradução: Sandra Alvarez
Nº de páginas:120
Início da leitura: 21/01/2024
Fim da leitura: 22/01/2024

**SINOPSE**
"Berlim, 1938. Bernhard e Illo, um jovem casal apaixonado um pelo outro e pelo cinema, sonham em conseguir filmar a comédia romântica que Illo escreveu... mas com o aproximar da Segunda Guerra Mundial, o tempo não está para comédias românticas, muito menos escritas por judeus. Perante o clima de perseguição anti-semita instalado, ao casal só lhe resta fugir do nazismo e abandonar a sua casa, partindo para o exílio. Conseguem embarcar num navio com destino a Xangai - uma cidade efervescente e enigmática onde imaginam poder recuperar a liberdade... mas a que custo?

Um drama profundamente humano, ambientado na II Guerra Mundial, que aborda o tema quase desconhecido da imigração forçada dos judeus para a China e assinala a estreia no nosso país do trabalho do desenhador português Jorge Miguel para o mercado franco-belga.

A edição de Shanghai Dream é a primeira colaboração entre duas das principais editoras de banda desenhada portuguesas, A Seita e a Arte de Autor, que pretendem desta feita trazer aos leitores portugueses a obra de um dos principais autores de BD nacionais, que os leitores portugueses ainda não conhecem. A edição portuguesa desta obra reúne os dois álbuns originais, num volume de 120 pgs. em formato franco-belga, que para além da história completa inclui também um conjunto adicional de extras inéditos."
Uma excelente novela gráfica! Bernhard é um conceituado realizador de cinema, em Berlim, na década de 30. Illo é uma guionista judia, proibida, há 4 anos de trabalhar. Os dois são um casal que poderia ser muito promissor, não fosse a II Guerra Mundial. O guião de Illo é rejeitado, Bernhard despedido. Veem-se obrigados a viver em casa do pai dela. Mas a guerra veio para destruir os seus sonhos. Uma luz ao fundo do túnel surge quando lhes contam sobre Xangai, a "Hollywood do Extremo Oriente". Porém, para além de ser muito longe, de ser uma viagem perigosa, o pai de Illo diz-lhes que só há dois bilhetes, não há dinheiro para mais. É a oportunidade da filha e do genro se salvarem. Embarcam, mas o coração de Illo fica destroçado, não se sente bem por abandonar o pai e volta atrás. Bernhard vê-se obrigado a seguir sozinho. Mas será ele capaz de concretizar o sonho deles sozinho? O que lhe reserva Xangai? Voltará a encontrar o grande amor da sua vida?
As ilustrações estão muito bem feitas, conseguimos sentir as emoções das personagens, a dor, os gritos, o medo, a ternura...
Recomendo vivamente a leitura!

Lundberg, Sofia (2021). Um ponto de interrogação é um coração partido. Lisboa: Porto Editora.

Tradução: Inês Fraga
Nº de páginas: 312
Início da leitura: 20/01/2024
Fim da leitura: 21/01/2024


** SINOPSE**
Elin Boals parece ter a vida ideal: é uma bem-sucedida fotógrafa de moda em Nova Iorque e tem a família perfeita, composta por um marido maravilhoso, Sam, e a filha de dezasseis anos, Alice. Porém, quando Elin recebe um mapa celeste enviado por Fredrik, o seu único amigo de infância, esse simples gesto impede-a de se concentrar na resolução de problemas mais prementes: o seu casamento está à beira do fim e ela não consegue sequer arranjar disponibilidade para a terapia de casal.
Neste difícil contexto, Fredrik é a lembrança viva de um passado que Elin fez tudo para esquecer e ocultar, principalmente dos que lhe são mais próximos. As memórias da vida difícil em Gotland, na Suécia, e de todos quantos ela deixou para trás voltam à tona, juntamente com a revelação do terrível segredo que determinou a sua fuga, aprofundando ainda mais o fosso entre ela e a família. Todavia, ao fim de décadas mergulhada na mentira, Elin acaba por compreender que a única maneira de salvar a existência que construiu é reconciliando-se com o passado.
Criei grandes expetativas em relação à leitura deste livro, pelo facto de ser da autora de A Agenda Vermelha, que adorei, pela própria capa e, especialmente, pelo título, tão criativo.
Nesta narrativa, duas histórias vão intercalando: o presente, em Nova Iorque, onde a protagonista, Elin, tem uma vida de sonho, é uma fotógrafa conceituada e tem um marido que a ama e uma filha, Alice, uma jovem e promissora bailarina. E o passado, em Gotland, onde é narrada a infância da protagonista, não tão perfeita e sonhada quanto o presente. E é enorme a diferença entre a Elin do passado e a Elin do presente. O que poderá ter vivido esta personagem para a transformar desta maneira? Há um passado a enfrentar, que pode alterar o presente e que será determinante em relação ao futuro. É um livro muito bem escrito, que nos desperta emoções, nos leva até às vivências das personagens.
Apesar de ter gostado mais do livro anterior, gostei muito deste livro e recomendo a sua leitura.

 Jónasson, Ragnar; Jakobsdottir, Katrin (2023). Reiquiavique. Lisboa: Topseller.

Tradução: Maria da Fé Peres
Nº de páginas: 304
Início da leitura: 18/01/2024
Fim da leitura: 20/01/2024

**SINOPSE**
"Uma ilha remota.
Uma rapariga desaparecida.
Uma cidade que esconde os seus segredos.

Islândia, 1956. Lára, de 15 anos, passa o verão a trabalhar para um casal na pequena ilha de Videy, perto da costa de Reiquiavique. No início de agosto, a rapariga desaparece sem deixar rasto. O mistério torna-se o maior caso não resolvido da Islândia. O que aconteceu com a jovem? Estará ainda viva? Terá saído da ilha ou aconteceu-lhe, porventura, alguma coisa?

Trinta anos depois, em agosto de 1986, aquando do 200.º aniversário de Reiquiavique, o jornalista Valur Robertsson inicia a sua própria investigação sobre o caso. Mas conforme se aproxima da verdade, e com os olhos da cidade postos nele, torna-se claro que existe alguém interessado em que o desaparecimento de Lára permaneça um mistério sem solução..."
Gostei muito de ler este livro, de leitura compulsiva, repleto de ação e de "suspense". Duas personagens que parecem nada ter a ver uma com a outra. Uma, Lára, é uma jovem que vai trabalhar para uma casa, numa pequena ilha perto de Reiquiavique. Entretanto, desaparece e nunca mais se sabe nada sobre o seu desaparecimento. Em 1986, um jornalista, Valur Robertsson, deicde começar a investigar o caso. Porém, "acidentalmente" cai em direção a um autocarro em andamento. Quem poderia estar por detrás deste acidente? A irmã e Valur começa, ela própria, uma investigação sobre a morte o irmão, tentando perceber se, de alguma forma, este crime estava ligado ao do passado. Para saberem, terão mesmo de ler. Surpreender-se-ão com toda a investigação e o rumo que os acontecimentos tomam. Muito bom!

Etcheves, Florencia (2023). A Cozinheira de Frida. Lisboa: Planeta dos Livros.

Tradução: Alex Tarradellas e Rita Custódio
Nº de páginas: 504
Início da leitura: 12/01/2024
Fim da leitura: 17/01/2024

**SINOPSE**
Nayeli, uma jovem tehuana, fugiu de casa e chega à Cidade do México sem rumo. Graças aos seus maravilhosos dotes culinários, encontra um lugar na Casa Azul, onde Frida Kahlo vive praticamente isolada desde o acidente fatal que a deixou paralisada.

Entre sabores, aromas e cores, a pintora e a sua nova cozinheira iniciam uma amizade que marca profundamente o destino de ambas.

Muitos anos depois, em Buenos Aires, onde Nayeli se instalou e constituiu família após a morte de Frida, a neta descobre um segredo que pode mudar a sua vida: a existência de um misterioso quadro em que a avó é a protagonista, mas cujo autor é desconhecido.

A autora Florencia Etcheves conseguiu recriar o lado mais humano de Frida Kahlo, ao mesmo tempo que criou um romance poderoso, onde intrigas, amores e invejas tecem uma história cativante de amizade e lealdade entre duas mulheres unidas pelo destino.
Adoro ler sobre Frida Kahlo. A autora deste livro, apesar de ter criado uma personagem ficcional - a crozinheira Nayeli, envolveu-a num contexto histórico muito bem fundamentado sobre Frida. É uma história bem escrita, que nos prende e nos leva a querer continuar a ler "só mais uma página" até concluirmos o romance. Acompanhamos o percurso de vida da pintora, amor, traição, dor e, ao mesmo tempo, vemos uma Frida que, fragilizada no momento em que sofre o terrível acidente que a deixou muito mal, cria uma relação de amizade com Nayeli, uma jovem recém chegada ao México.
A par desta narrativa que decorre na época da Casa Azul, temos uma época mais avançada, onde conhecemos  neta de Nayeli, que descobrira um quadro antigo onde aparecia, um retrato da sua avó, onde esta aparecia nua. Determinada a obter respostas sobre o passado da avó, viaja até à cidade do México  no encalce de pistas que permitam entender quem era a avó, que relação efetiva tivera com Frida, quem a tinha pintado...
Depois, saliento todos os elementos tradicionais tehuanos que vão surgindo e que enriquecem a história. Recomendo!

 Munuera, José-Luis (2023). Bartleby, o Escriturário Uma história de Wall Street. Arte de Autor.

Tradução: Jorge Colaço
Nº de páginas: 72
Início da leitura: 08/01/2024
Fim da leitura: 11/01/2024

**SINOPSE**
"Nova Iorque, distrito de Wall Street.
Um jovem é contratado para um escritório de notário. o seu nome é Bartleby e o seu trabalho consiste em copiar documentos legais.
No início, Bartleby revela-se irrepreensível. Consciente, eficiente, incansável, faz um trabalho colossal, dia e noite, sem nunca se queixar. a sua energia é contagiante. Leva os seus colegas, muitas vezes rebeldes, a darem o seu melhor.
Um dia, tudo se altera. Quando o patrão lhe dá um trabalho, Bartleby recusa-se a fazê-lo. Educadamente, mas com firmeza: "Prefiro não o fazer", responde.
A partir de então, Bartleby deixará de obedecer a ordens, cingindo-se nestas poucas palavras que pronuncia como um mantra. Prefiro não. Não só deixa de trabalhar, como se recusa a abandonar o local...

José Luis Munuera pega no conto de Herman Melville e adapta-o de forma magistral, lançando um olhar original sobre este texto, uma reflexão estimulante sobre a obediência e a resistência passiva."
Esta novela gráfica é recuperada por Munuera de um conto de Herman Melville, autor de Moby Dick e posso já adiantar que adorei! 
Em Wall Street, um advogado de meia idade, também narrador da história, mantém um escritório (“o notariado, a cobrança de títulos e transcrições e cópia de documentos de toda a espécie” ), que, ao precisar de contratar um copista, acaba contratando Bartleby, o escriturário, protagonista desta história. Este revela-se muito eficiente, não largando o trabalho por nada (dorme num cadeirão no escritório sem que o patrão saiba), correndo tudo muito bem até ao momento em que o patrão lhe pede para rever e examinar a sua cópia e ele responde "Preferia não o fazer." A partir desta recusa, queremos conhecer melhor esta personagem que desobedece ao patrão e tentar perceber o que o leva a agir desta forma tão estranha e pela qual não esperávamos, absolutamente. E a expetativa acompanha-nos, ao longo de várias páginas, numa banda desenhada muito bem ilustrada e escrita, cujos tons escuros e sombrios representam na perfeição Wall Street, condicentes com a própria metáfora da alienação, da descrença e da apatia representadas através do sombrio  protagonista.
Uma novela gráfica imperdível e que dificilmente esquecemos!

 Olafsdóttir, Audur Ava (2019). Hotel Silêncio. Lisboa: Quetzal Editores.

Tradução: José Vieira Lima
Nº de páginas: 200
Início da leitura: 06/01/2024
Fim da leitura: 07/01/2024

**SINOPSE**
"Jónas Ebeneser está no limiar dos quarenta e nove anos. É um homem divorciado, heterossexual, sem relevância social ou vida sexual. E tem a compulsão de consertar tudo o que lhe aparece à frente. Tomou recentemente conhecimento de que não é o pai biológico da sua filha. Isso despedaça-o e fá-lo mergulhar numa crise profunda.

Com grande mestria, num estilo poético e finamente irónico, Ólafsdóttir mostra neste romance a capacidade de autorregeneração de um homem que redescobre um sentido para a vida através da bondade, mesmo que o faça a partir das profundezas do desespero.

Ör («cicatriz», no original) foi galardoado em 2016 com o Prémio de Literatura Islandesa, o Prémio de Melhor Romance Islandês e o Prémio dos Livreiros Islandeses."
Após um casamento fracassado, a confissão por parte da mãe da sua filha de que não é ele o pai biológico, de ter a mãe num lar, em que poucos são os momentos em que está plenamente consciente,  Jónas Ebeneser decide pôr termo à vida. O plano dele é fazer um furo no teto para se poder enforcar. Porém, onde vive, tem o vizinho atento, a filha que aparece sem avisar e acaba por mudar de planos. Precisa viajar para longe para, não conhecendo ninguém, não impor aos que lhe são mais próximos, lidar com o seu cenário de morte. E é isso que faz. Mas o hotel onde se instala, o Hotel Silêncio, vai operar nele algumas transformações, de que não vou falar, pois não quero que percam o interesse pela leitura. Se querem saber se Jónas se suicida e como o faz, terão mesmo de ler.
Gostei muito deste livro. A escrita é simples, sem deixar de ser cuidada. É, em alguns momentos em que descreve o pós-guerra, crua, direta e incisiva. A narrativa prende-nos e surpreende-nos a cada passagem. Recomendo!

Tolstoi, Lev e Brénaudr, Frédéric (2023). Guerra e Paz I e Guerra e Paz II. Lisboa: Editora Levoir.

Tradução: Sandra Alvarez
Nº de páginas: volume I - 64
                        volume II - 64

**SINOPSE**
Vol. I
Moscovo, início do século XIX. a oeste da Europa grassam as guerras napoleónicas, mas aqui organizam-se jantares onde toda a burguesia russa é convidada. Seguimos os destinos cruzados do conde Rostov que se prepara para casar a filha Natasha; do príncipe André Bolkonski e de Lisa, sua mulher, grávida; de Pierre, filho ilegítimo do conde Bezoukhov; e de Nicolas Rostov e sua prima Sonia, loucamente apaixonados...

A sua vida despreocupada não tardará a mudar com a notícia da entrada da Rússia na guerra ao lado da Áustria
.

Vol. II
A guerra assola a Europa. Os russos sofrem perdas consideráveis e Napoleão chega às portas de Moscovo. o príncipe André, ferido, é capturado pelos franceses. Como todos os habitantes da capital, Natasha decide fugir de Moscovo para se refugiar no campo; Pierre, um pacifista, mas traumatizado pelas atrocidades desta guerra, decide por fim tomar armas para defender a cidade. a paz ainda terá de ser ganha à custa de enormes sacrifícios...
Este clássico da literatura tem aqui, em Banda Desenhada, uma abordagem muito interessante. Pode constituir uma forma mais simples de os mais jovens (na era da "voracidade", da "falta de tempo") conhecerem os clássicos da literatura mundial. A história, ainda que bem simplificada, foca-se nos momentos fulcrais, destacando, através da imagem, a caracterização das personagens. No fim de cada volume, há um momento onde, também de forma muito compreensível e simples, fornece informações sobre o autor Lev Tolstoi, a Guerra Franco-Russa, a forma como o autor da obra se documentou, as personagens, as várias famílias que surgem na obra, o que permite melhor compreender a própria BD. 
Gostei bastante e fiquei curiosa em relação a estas adaptações de clássicos.

Ferreira, Valentina Silva (2022). Valentina. Lisboa: Aurora Editora.
N.° de paginas: 240

Início da leitura: 28/12/2023

Fim da leitura: 31/12/2023

**SINOPSE**

"Em finais dos anos 70, no Caniço, uma cidade costeira na ilha da Madeira, todos conhecem Ana Clara, a estranha rapariga que não fala e que passa os dias à janela. Quando Anita Fontoura a vê, também ela presa na sua janela de solidão imposta pelo marido, desenvolve-se entre as duas vizinhas uma amizade inesperada.

Décadas mais tarde, de regresso à ilha para enterrar Anita, a sua filha Oti reencontra-se com Ana Clara, sua madrinha, para tentar compreender a história da família, das mulheres Fontoura, da fuga das duas para Lisboa e daquela mãe que foi tão difícil amar.

Este é um romance sobre liberdade e coragem, sobre forjarmos nosso próprio caminho, sobre gritos no silêncio. Duas mulheres enclausuradas que o destino uniu e que, juntas, encontraram uma forma de voar."

Gostei tanto deste livro! Num momento futuro, uma filha tenta compreender a mãe (Anita), que nunca a soube amar verdadeiramente e é, ao regressar à Madeira para a enterrar, que reencontra a madrinha, Ana Clara. Sabendo que há histórias por revelar, passa horas com a madrinha que, por meio de analepses, conta a história da família de Anita, as Fontoura, bem como a sua própria história, a forma como se conheceram e como ousaram levar a cabo uma fuga que livraria Anita de um casamento doentio, no qual era vítima de violência doméstica e não só...
Terão conseguido refazer as suas vidas? Ou nem tudo foi assim tão simples?
Uma história empolgante, num enredo bem urdido, que cativa e prende do início ao fim. Recomendo!

Gaiman, Neil (2006). Mr. Punch - A Trágica Comédia ou Cómica Tragédia. Grã-Bretanha: Vitamina BD Edições.

 e 
Tradução: Pedro Silva e Pedro Vieira de Moura.
Nº de páginas: 96
Início da leitura: 25/12/2023
Fim da leitura: 27/12/2023

**SINOPSE**
"Em Portsmouth, cinzenta cidade do litoral da Inglaterra, um garoto passa uma temporada inesquecível na casa dos avós. Um período de amadurecimento e descobertas, reveladas por personagens insólitos: seu tio-avô Morton, marcado desde a infância por uma deficiência física; uma misteriosa mulher, que ganha a vida interpretando uma sereia, e Swatchell, um artista com um passado obscuro. À medida que as histórias desses personagens se entrelaçam e se desdobram, o garoto é forçado a confrontar segredos de família, estranhos fantoches e um pesadelo de violência e traição, em uma sombria fábula sobre o fim da infância – e da inocência – e a passagem para a vida adulta. Mr. Punch foi escrito por Neil Gaiman, aclamado autor de Sandman, Deuses Americanos e Coisas Frágeis, e ilustrado por Dave McKean, premiado artista de Asilo Arkham e Cages. Parceiros de longa data, já realizaram diversos trabalhos juntos, entre eles a graphic novel Sinal e Ruído."
Esta novela gráfica conta-nos a história de uma criança que, aos 8 anos, se vê obrigada a passar uma temporada em casa dos avós. É numa saída com o avô, para pescar que, no areal da praia, se depara com um teatro de fantoches. Esta peça designava-se Mr. Punch (alusão a uma peça de teatro de fantoches itinerante, muito popular em Inglaterra, entre 1837 e 1901, fazendo parte do folclore). Esta é uma peça bizarra, macabra e de humor negro, na qual se revelava uma violência extrema de que o Homem era capaz, para com a mulher e os filhos - e não só! A presença da vida surge a par da presença da própria morte, e as ilustrações sombrias, com o olhar demoníaco dos fantoches, a técnica do recorte, surge a lembrar-nos que a vida é isto, pedaços que muitas vezes nem encaixam e que resultam de acontecimentos, momentos que se fragmentam e que têm todos o mesmo fim: a solidão, a loucura, a deficiência, a morte...
Este teatro é o mote para a criança descobrir a peça da vida real vivida pela sua família, uma família cheia de segredos, marcada pela doença mental, por doenças, que surgem como fatalidades a que não se consegue fugir. 
Fala-nos, portanto, da perda da inocência por parte deste menino, que percebe que, afinal os fantoches não são simples brinquedos, porque reproduzem a vida real. Somos, afinal, todos personagens desta tragicomédia que mais não é que a própria vida.
Apesar de considerar o argumento bom, devo dizer que achei as ilustrações assustadoras, mais ainda do que as palavras, capazes de despertar calafrios. Também considero que, em determinado momento, o enredo se torna repetitivo e monótono (entendo que poderá ter sido propositado, para nos obrigar a pensar). Aconselho para quem gosta de terror e de analisar profundamente as imagens a par do texto.

 Everett, Percival (2023). As Árvores. Porto: Porto Editora.

Tradução: José Lima
Nº de páginas: 324
Início da leitura: 23/12/2023
Fim da leitura: 24/12/2023

**SINOPSE**

"Finalista do Prémio Booker 2022 e do Prémio Literário de Dublin 2023, um thriller literário de um mestre da literatura americana, na tradução de José Lima


Uma série de homicídios macabros toma de assalto a cidade de Money, Mississípi. O xerife, os seus ajudantes, o médico-legista e demais habitantes daquela localidade orgulhosamente branca reagem com desconfiança quando uma dupla de detetives estaduais, negros, chega para ajudar na investigação. Em cada uma das cenas do crime, um mesmo elemento deixa-os a todos cada vez mais perplexos: um segundo corpo, de um homem incrivelmente semelhante a Emmett Till, rapaz negro linchado naquela cidade 65 anos antes. Quando os detetives se convencem de que se trata de uma vingança, são surpreendidos pelo facto de haver registo de mortes em moldes idênticos um pouco por todo o país. À medida que os corpos se amontoam, a investigação é conduzida até à casa de uma senhora centenária com um assombroso arquivo histórico. As Árvores é um romance audacioso, de sátira mordaz, que avança a ritmo veloz, sem desviar o olhar dos fantasmas que encontra pelo caminho. Livro do ano para publicações como The New York Times, NPR, The Chicago Tribune e TIME, recebeu, entre várias distinções, o Prémio Bollinger Everyman Wodehouse para escrita de comédia e foi finalista do Prémio Booker 2022."

Neste livro, um thriller policial, de uma ironia macabra, a par de sentido de humor, abordam-se temáticas sérias, desde as humilhações provenientes da escravidão, do ódio racial que atravessou gerações e que, infelizmente, por muito que se tenha feito, ainda não terminou.
Aconselho e acreditem que vos divertirá, com certeza!

 Murakami, Takashi (2018). O Cão Que Guarda as Estrelas. São Paulo: Editora JBC.

Nº de páginas: 136
Início da leitura: 22/12/2023
Fim da leitura: 23/12/2023

**SINOPSE**
"O Cão que Guarda as Estrelas, de Takashi Murakami, é aclamado pela crítica em todos os países onde foi lançado, por ser uma obra que trata com muita sensibilidade a próxima relação entre cachorros e seres humanos.

No Japão foi eleito o Livro do Ano pelo respeitado prêmio Da Vinci, além de ganhar também nas categorias "Livro para chorar" e "Livro eleito pelos leitores". Nos Estados Unidos, foi destacado como um dos dez melhores romances gráficos pela American Library  Association. Fez tanto sucesso no Japão que virou filme: Hoshi Mamoru Inu foi dirigido pelo renomado diretor Tomoyuki Takimoto.

A narrativa deste título é bastante peculiar porque é mostrada através da visão do Cão. O mangá conta a história de um homem que, abandonado pela esposa e a filha, resolve sair numa viagem de carro sem destino com seu cachorro, batizado de Happy. Tanto a arte quanto o texto do mangá misturam simplicidade e profundidade e, de uma forma muito sensível, abordam temas como companheirismo, amizade e solidão."
Este foi o primeiro mangá que li e adorei! Três histórias que se relacionam entre si e que provam o amor e a dedicação total dos cães para com o Homem. E o facto de uma delas terminar mal, faz com que o protagonista da última reflita e se arrependa do tempo que não passou com o seu cão, a pressa e os atos mecânicos com que o levava à rua, quando podia ter desfrutado mais desse tempo precioso... E mais não posso contar. Apenas acrescento que é uma história que nos faz também a nós refletir, nos comove, nos toca! Recomendo!

 Ruivo, Gabriel (2023). Lei da Gravidade. Porto: Porto Editora.

Nº de páginas: 264
Início da leitura: 22/12/2023
Fim da leitura: 23/12/2024

**SINOPSE**
"Será a vida que imita a literatura, ou o contrário?
O que terão em comum um velho à beira da morte numa cama de hospital, o escritor de um bestseller, um pré-adolescente inquieto e um menino de dois anos com um fascínio por livros? Que destino espera as amigas Maria Ana e Ana Maria – o espelho uma da outra? Conseguirá uma livrar-se do marido agressor, e a outra do sofrimento da perda? E Marinela? E Mariana? E a mãe solteira que existe em todas elas, fruto de um abandono continuado? E o pai, protagonista do descalabro? E o futuro, que teima em ser passado, e o passado, que teima em ser futuro?
O tempo é o grande mistério. É ele que se ri de nós do outro lado do espelho, no reflexo onde procuramos o sentido da existência e que teima em nos devolver a imagem do absurdo. É também ele que perpetua um incessável padrão de violência, que faz com que a mesma história se repita uma e outra vez, lutando contra a esperança do leitor de que o ciclo, por fim, se quebre.
Neste ousado e original romance, Gabriela Ruivo oferece-nos com maestria um universo alternativo onde o tempo se sujeita à lei da gravidade – a força motriz que agrega passado, presente e futuro, e dissolve os contornos da realidade – e convida-nos a explorar outros mundos no interior dos conceitos de espaço e de tempo e, em última análise, da própria Literatura.
O ABANDONO. O DESEJO DE LIBERDADE. E O MEDO DA SOLIDÃO QUE NOS PRENDE NUM CICLO DE VIOLÊNCIA."
Um livro muito bem escrito, onde se fundem passado, presente e futura, na vida do escritor e professor, personagem enigmática, que nos narra a história. Mas há comportamentos e acontecimentos que unem estas personagens: a violência doméstica, a gravidez, a maternidade, o abandono, a mentira... A história repete-se como numa espiral de espelhos, como se, cada vez que uma nova geração pudesse dar um novo início à história, estivesse condenado a repeti-la, a perpetuar os erros e os fracassos. Recomendo!

 Jaeggy, Fleur (2023). Felizes Anos de Castigo. Lisboa: Alfaguara.

Tradução: Ana Cláudia Santos

Nº de páginas: 112

Início da leitura: 21/12/2023

Fim da leitura: 21/12/2023


**SINOPSE**

"«Passaram tantos anos, e ainda torno a ver o seu rosto, um rosto que busquei noutras mulheres, que nunca encontrei. Era muito íntegra. Uma coisa perigosa. […] Nunca demos a mão. e tê-lo-íamos achado ridículo. Viam-se pelos caminhos rapariguinhas de mão dada, a rirem-se, a fazerem de amigas, a fazerem de amantes. em nós, havia uma espécie de fanatismo que impedia qualquer efusão física.»

Felizes Anos de Castigo conta a história de uma rapariga à procura de si mesma, num colégio interno suíço, nos anos 1950. Respira-se aqui uma atmosfera densa de cativeiro, sensualidade inconfessada e alienação. A protagonista é uma rapariga incomum, que se deixa fascinar por uma outra, bela, sofisticada e inteligente. Entre elas nasce uma relação ambígua, de luz e sombra. Num estilo límpido mas pleno de frémito, Fleur Jaeggy faz reverberar nesta narrativa a corda secreta de um mundo apartado da realidade, onde se vê, numa voragem, «a vida passar pelas janelas».

Felizes Anos de Castigo pertence a uma linha do tempo mais indefinida do que a época ou as pessoas que retrata: desenrola-se na memória, essa espécie de século à parte dos outros."
Nesta breve narrativa autobiográfica, a narradora conta-nos as suas vivências no colégio interno feminino (que mais tarde se transformou num hospital psiquiátrico), no qual as jovens se submetem ao dever de obediência, à disciplina, à opressão, mas também ao despertar das primeiras paixões. Aos pouco, o livro vai-se tornando mais denso, fazendo-nos pensar em tudo o que é dito. A linguagem, bastante contido, não deixa de ser clara, por vezes poética, irrepreensivelmente bela. Recomendo!

 Huges, Anita (2021). Um Natal Mágico em Nova Iorque. Alfragide: Quinta Essência.

Tradução: Sofia Pereira
Nº de páginas: 288
Início da leitura: 18/12/2023
Fim da leitura: 21/12/2023

**SINOPSE**
"Não há Natal como em Nova Iorque. As ruas estão iluminadas, a música paira no ar, o espírito da época transforma a cidade que nunca dorme num reino de conto de fadas… Mas a magia - a verdadeira magia! - vai acontecer no mítico Hotel Plaza.
É precisamente na semana de Natal que Sabrina Post entra no glamoroso Hotel Plaza decidida a aceitar ser escritora-fantasma do livro de memórias de um famoso negociante de arte. Sabrina é jornalista e a sorte não lhe tem sorrido nos últimos tempos, daí a alegria com que recebe a proposta de emprego: não se trata apenas de um (muito necessário) cheque mas também de seis (seis!) noites na sua própria suíte no Plaza. Tudo se torna mais interessante quando conhece Ian Wentworth no bar do hotel. Ian assume que Sabrina é rica e está habituada ao melhor que o dinheiro pode comprar. Ela não o corrige, especialmente depois de saber que Ian é Lord Braxton, membro da aristocracia inglesa e herdeiro de uma vasta fortuna. No entanto, Ian é apenas o secretário pessoal de Spencer, o verdadeiro Lord Braxton.

Por recear perder Sabrina, Ian deixa a charada prolongar-se. Mas à medida que a semana avança, os sentimentos de ambos intensificam-se e as peripécias e mal-entendidos multiplicam-se… Será a relação forte o suficiente para sobreviver à verdade?

Repleto de magia, UM NATAL MÁGICO EM NOVA IORQUE é simultaneamente o melhor presente que um coração romântico pode receber e uma história emocionante que nos lembra que o amor é o maior milagre de todos."
Um livro destinado a quem gosta de leves comédias românticas. Não é o meu caso. Li-o numa leitura conjunta, mas confesso que, tirando a parte da história que decorre em 1960, achei fraquinho. Além disso, volto a apelas às editoras para um maior cuidado na revisão do texto. As gralhas não são nada apelativas. Serviu, pelo menos, para descontrair entre leituras mais intensas.

 Hamsun, Knut (2023). Mistérios. Lisboa: Cavalo de Ferro.

Tradução: João Reis

Nº de páginas: 296

Início da leitura: 15/12/2023

Fim da leitura: 17/12/2023


**SINOPSE**

"A chegada de um misterioso estrangeiro, de nome Johan Nagal, a uma pequena cidade costeira da Noruega, transformará para sempre a aparente vida tranquila e inocente dos seus habitantes. Nagal, indivíduo controverso, com uma personalidade irracional e autodestrutiva, simultaneamente um herói e um charlatão, estabelecerá uma relação especial com Grogaard, o Anão, personagem repudiada por todos. Com a involuntária ajuda deste exporá todos os segredos da pequena comunidade, fazendo emergir os seus instintos mais negros e os seus desejos reprimidos, para depois desaparecer logo a seguir, tão misteriosamente como quando surgiu.
Mistérios, pela primeira vez traduzido em português, é unanimemente considerado pela crítica, uma das obras fundamentais da literatura mundial e Joahn Nagel uma das suas personagens mais enigmáticas e marcantes. Um livro que impressionou os seus contemporâneos pela radical (e polémica) visão do mundo que destila das suas páginas, cuja leitura provoca ainda hoje o mesmo forte impacto no leitor."
Este livro enigmático, tem como protagonista, Nagel, um "charlatão estranho e singular", que se instala numa pensão, numa aldeia norueguesa. Leva consigo uma caixa de violino (sem violino), muitas histórias para contar e muitos enigmas. Nagel acaba por se integrar, de forma muito peculiar, na comunidade local, sendo convidado para contar as suas estranhas e bizarras histórias e sonhos. É uma personagem obscura, do início ao fim do livro, mas que nos permite conhecer e desvendar os mistérios dos habitantes da aldeia. Nagel, esse, permanecerá um mistério...
Gostei do livro, da forma como está escrito, das personagens enigmáticas que acompanhamos ao longo da narrativa. Ainda assim, gostei mais do livro Fome deste autor.

 Hislop, Victoria (2019). Quem É Amado Nunca Morre. Porto: Porto Editora.

Tradução: Elsa T. S. Vieira
Nº de páginas: 432
Início da leitura: 10/12/2023
Fim da leitura: 15/12/2023

**SINOPSE**
Atenas, abril de 1941. Tendo resistido a uma primeira tentativa de invasão, a Grécia é ocupada pelas potências do Eixo. Após décadas de incerteza, o país encontra-se dividido entre a direita e a esquerda políticas. Themis, então com quinze anos, vem de uma família separada por essas diferenças ideológicas. A ocupação nazi não só aprofunda a discórdia entre aqueles que a rapariga ama, como reduz a Grécia à miséria. É impossível ficar indiferente: na fome que se seguiu à ocupação, e que lhe levou os amigos, os atos de resistência são quase um imperativo moral para ela.
Porém, com o fim da ocupação, advém a guerra civil. Themis junta-se ao exército comunista, onde experimenta os extremos do amor e do ódio. Quando por fim é presa nas ilhas do exílio, encontra outra mulher cuja vida se entrelaçará com a sua de maneiras que nenhuma delas poderia antecipar, e descobre que deve pesar os seus princípios contra o desejo de viver.

Um romance poderoso, que lança luz sobre a complexidade e o trauma do passado da Grécia, a partir da vida extraordinária de uma mulher comum.
Neste livro, cuja ação decorre desde a invasão da Grécia, na II Guerra, passando por várias fases da vida de Themis, somos confrontados com a divisão política da família, entre a direita e a esquerda. Para além de conduzir a Grécia à miséria, a guerra trouxe a discórdia e a desunião familiares. Themis revela-se uma mulher lutadora, de muita coragem, desde os seus 15 anos. Luta, enfrenta, mata, é presa e, quando reencontra o amor da sua vida, que finge não a reconhecer, deixa-se dominar pela vontade de desistir. Porém, é nessa altura que sente que um ser se mexe dentro dela. E é este filho, que a fará mudar de ideias...
Um livro que gostei muito de ler, muito bem escrito, muito verosímil, no qual é possível perceber um bom trabalho de investigação por parte da autora e que recomendo sem reservas.

Murayama, Saki (2023). Quando Vires um Gato Branco. Lisboa: Editorial Presença.

Tradução: André Pinto Teixeira
Nº de páginas: 304
Início da leitura: 07/12/2023
Fim da leitura: 09/12/2023

**SINOPSE**
"Imagine que tem um desejo que goste muito de ver realizado. Há uma forma de conseguir, mas só quando vir um gato branco…

Na mais conhecida grande loja do Japão, esconde-se um segredo que tem passado ao longo de várias gerações: por entre prateleiras e produtos maravilhosos, passeia-se um gato branco , capaz de realizar desejos. Quem o conseguir descobrir poderá, finalmente, ver o seu maior desejo de concessão. Mas encontrá-lo não é fácil: o gato branco esconde-se dos mil sonhos guardados no coração das pessoas…

No grande dourado elevador, Isana, a responsável por fazer os clientes subir e descer aos mágicos pisos da loja, sonha voltar a ver o pai, que a deixou ainda em criança. Na sapataria, encontramos Sakiko, que gostaria de reencontrar a sua melhor amiga, com quem não fala há anos. Na seção de produtos de luxo, vemos Kengo, que deseja saber quem é a mãe, que o abandonou à nascente. E no arquivo que conheço Ichika, que quer recuperar um amor perdido. Todos acalentam a esperança de ver o gato branco. Todos têm memórias agridoces do passado ou um futuro cheio de incertezas, mas será que precisamos que tudo seja como sonhámos para sermos felizes? Quanta felicidade está, afinal, guardada na palavra surpresa?"
É um livro inspirado no realismo mágico japonês, que não me encheu completamente as medidas.
A história passa-se nuns armazéns comerciais, onde, supostamente, existe um gato branco e, quando alguém o vê, pode ver um sonho concretizado. Muitas são as personagens com sonhos e desejos que gostariam de encontrar o gato. 
O ritmo narrativo é bastante lento, apesar de bem escrito. Tornou-se, para mim, além de irreal, muito maçador. Mas, para quem gosta do género, pode experimentar esta leitura!

Mensagens mais recentes Mensagens antigas Página inicial
Ver a versão para telemóvel

Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

POSTS POPULARES

  • Poesia, a redescoberta dos sonhos
  • Viagem ao meu ser
  • Histórias do vento
  • Natas do céu
  • Nas mãos do destino

Arquivo

  • ▼  2026 (114)
    • ▼  setembro (2)
      • Quem Me Dera Ser Onda, Manuel Rui
      • Atos de Desobediência, Helena Magalhães
    • ►  agosto (16)
    • ►  julho (15)
    • ►  junho (16)
    • ►  maio (11)
    • ►  abril (16)
    • ►  março (12)
    • ►  fevereiro (14)
    • ►  janeiro (12)
  • ►  2025 (176)
    • ►  dezembro (14)
    • ►  novembro (11)
    • ►  outubro (13)
    • ►  setembro (13)
    • ►  agosto (19)
    • ►  julho (16)
    • ►  junho (16)
    • ►  maio (15)
    • ►  abril (12)
    • ►  março (19)
    • ►  fevereiro (11)
    • ►  janeiro (17)
  • ►  2024 (160)
    • ►  dezembro (7)
    • ►  novembro (17)
    • ►  outubro (13)
    • ►  setembro (12)
    • ►  agosto (18)
    • ►  julho (22)
    • ►  junho (20)
    • ►  maio (17)
    • ►  abril (7)
    • ►  março (9)
    • ►  fevereiro (10)
    • ►  janeiro (8)
  • ►  2023 (153)
    • ►  dezembro (18)
    • ►  novembro (13)
    • ►  outubro (12)
    • ►  setembro (7)
    • ►  agosto (20)
    • ►  julho (16)
    • ►  junho (12)
    • ►  maio (13)
    • ►  abril (9)
    • ►  março (10)
    • ►  fevereiro (11)
    • ►  janeiro (12)
  • ►  2022 (150)
    • ►  dezembro (13)
    • ►  novembro (9)
    • ►  outubro (15)
    • ►  setembro (13)
    • ►  agosto (17)
    • ►  julho (13)
    • ►  junho (13)
    • ►  maio (16)
    • ►  abril (14)
    • ►  março (9)
    • ►  fevereiro (7)
    • ►  janeiro (11)
  • ►  2021 (125)
    • ►  dezembro (9)
    • ►  novembro (4)
    • ►  outubro (8)
    • ►  setembro (15)
    • ►  agosto (20)
    • ►  julho (19)
    • ►  junho (13)
    • ►  maio (10)
    • ►  abril (6)
    • ►  março (6)
    • ►  fevereiro (6)
    • ►  janeiro (9)
  • ►  2020 (67)
    • ►  dezembro (5)
    • ►  novembro (5)
    • ►  outubro (5)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (11)
    • ►  julho (6)
    • ►  junho (6)
    • ►  maio (9)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (4)
    • ►  fevereiro (5)
    • ►  janeiro (3)
  • ►  2019 (36)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (4)
    • ►  setembro (2)
    • ►  agosto (5)
    • ►  julho (3)
    • ►  maio (2)
    • ►  abril (7)
    • ►  março (3)
    • ►  fevereiro (5)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2018 (37)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (1)
    • ►  outubro (4)
    • ►  setembro (2)
    • ►  agosto (2)
    • ►  julho (5)
    • ►  junho (4)
    • ►  maio (1)
    • ►  abril (4)
    • ►  março (3)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2017 (55)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (4)
    • ►  outubro (9)
    • ►  setembro (10)
    • ►  agosto (8)
    • ►  julho (7)
    • ►  junho (5)
    • ►  maio (10)
  • ►  2015 (1)
    • ►  julho (1)
  • ►  2014 (9)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (1)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (1)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2013 (34)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (4)
    • ►  setembro (4)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (3)
    • ►  abril (6)
    • ►  março (2)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2012 (102)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (3)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (6)
    • ►  agosto (7)
    • ►  julho (12)
    • ►  junho (9)
    • ►  maio (10)
    • ►  abril (9)
    • ►  março (9)
    • ►  fevereiro (10)
    • ►  janeiro (16)
  • ►  2011 (279)
    • ►  dezembro (19)
    • ►  novembro (21)
    • ►  outubro (23)
    • ►  setembro (25)
    • ►  agosto (17)
    • ►  julho (36)
    • ►  junho (25)
    • ►  maio (29)
    • ►  abril (24)
    • ►  março (22)
    • ►  fevereiro (22)
    • ►  janeiro (16)
  • ►  2010 (25)
    • ►  dezembro (9)
    • ►  novembro (4)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (3)
    • ►  junho (1)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (4)

Citar textos deste blog

Para citar textos deste blog utilize o seguinte modelo:

Gil, Célia , (*ano*), *título do artigo*, in Histórias Soltas Presas dentro de Mim, *data dia, mês e ano*, *Endereço URL*

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ - Esta licença permite que os reutilizadores copiem e distribuam o material em qualquer meio ou formato apenas de forma não adaptada, apenas para fins não comerciais e apenas enquanto a atribuição for dada ao criador.

O nosso Hulk (saudades)

O nosso Hulk (saudades)

O nosso cãozinho, o Dragão (saudades)

O nosso cãozinho, o Dragão (saudades)

O meu mais que tudo e eu

O meu mais que tudo e eu

O meu filho mais novo

O meu filho mais novo

O meu filho mais velho

O meu filho mais velho

Categorias

25 de Abril de 1974 5 500 anos Camões 1 acróstico 1 Agradecimento 1 banda desenhada 31 biografia 7 biografia romanceada 1 biologia 1 bullying 1 chaves da memória 4 cidadania 4 clássico 7 Conto 20 conto infantil 7 contos 6 Crónica 3 Crónicas 9 Daqui 1 Dedicatória 2 dissertação de mestrado 1 distopia 6 Divulgação 9 divulgação - leituras 948 divulgação de livros 921 escrita 1 espionagem 2 fábula 2 fantasia 11 ficção científica 1 gótico 1 halooween 1 higiene do sono 1 Hiroxima 1 histórias com vida 1 1 histórias com vida 3 1 Histórias com vida 7 1 Holocausto 16 homenagem 2 ilustração 4 LGBT 3 literatura brasileira 3 literatura de viagens 2 literatura portuguesa 6 livro 48 livro ilustrado 11 livro infantil 19 livro infanto-juvenil 15 magia 3 manga 1 mangá 2 memórias 9 motivação para a leitura 432 não ficção 4 Nobel 14 novela 1 novela gráfica 88 O Enigma mora cá dentro 2 opinião 896 opiniãooutono da vida 3 outono da vida 3 Outros 271 Paleta poética 5 pnl 6 poema declamado 9 poemas 402 Poesia 17 policial 11 pós 25 de Abril de 1974 1 prémio Leya 3 quadras ao gosto popular 1 realismo mágico 1 receitas 10 reedição 17 Reflexão 7 reflexões 26 relações humanas 8 releitura 2 resenha 324 romance 22 romance gráfico 13 romance histórico 15 soneto 29 sugestões de leitur 1 sugestões de leitura 838 terror 3 thriller 93 thriller de espionagem 2 thriller psicológico 19 trilogia 1 viagens 4

TOP POSTS (SEMPRE)

  • Histórias de embalar
  • Luta inglória
  • Conceitos invertidos
  • Querido Janota

Link de Afiliada Wook

Comprar na Wook

Ficção Literária Wook

Pesquisa neste blog

Seguidores

Visualizações

TOP POSTS (30 DIAS)

  • Poesia, a redescoberta dos sonhos
  • Viagem ao meu ser
  • Histórias do vento
  • Natas do céu

Designed by OddThemes | Distributed By Gooyaabi