quinta-feira, 22 de julho de 2010

o tempo

   «O tempo voa», ouvia eu dizer aos mais velhos e eu, nos meus dez anos, considerava que os «velhos» eram muito pessimistas, porque o tempo parecia não passar. Há, de facto, uma época da nossa vida em que parece termos tempo para tudo e ainda sobra tempo e esse tempo que se interpõe entre a infância e adolescência e a idade adulta parece uma eternidade. Nunca mais chega o tempo de nos tornarmos independentes, de vivermos a nossa vida, sem que ninguém dê ordens ou sequer opine.
    Depois, esse tempo passa...
    E, quando chegamos à idade adulta, damos por nós a pedir ao tempo que nos dê mais tempo, porque este nunca chega para nada. É sempre pouco para milhares de afazeres que temos. É sempre insuficiente para toda as tarefas que temos de realizar. Então e o tempo para descansar, relaxar, usufruir, viajar...O  tempo para nós próprios? Esse fica sempre para segundo plano e só existe se houver, e facto, tempo. O tempo para nós termina quando começa o tempo de trabalhar, de cuidar da casa, de educar e dar atenção aos filhos. Só então compreendemos o que nos diziam os mais velhos na infância. Realmente, "o tempo voa", "passa a correr". E quantas vezes desejámos interiormente que as horas esticassem e não chegasse a hora de ir dormir sem metade do que tinhamos estipulado para esse dia por fazer?
   Daí o tempo ser tão precioso. Nunca temos tempo para pensar sequer na sua importância e dar-lhe o seu verdadeiro valor.
   Passemos a viver todos os segundos da nossa vida como se fossem os últimos!

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