Cole, Daniel (2018). Boneca de Trapos. Lisboa: Suma das Letras.
Tradução: José Remelhe
N.º de páginas: 472
Início da leitura:19/04/2026
Fim da leitura: 21/04/2026
**SINOPSE WOOK**
"William Fawkes, um controverso detetive conhecido por «Wolf», acabou de ser reintegrado no seu posto após ter sido suspenso por agressão a um suspeito. Ainda sob avaliação psicológica, Fawkes regressa ao ativo, ansioso por um caso importante. Encontra-se com a sua antiga colega e amiga, a inspetora Emily Baxter, num local de crime, tem a certeza de que é aquele o grande caso: o corpo que encontram é formado pelos membros de seis vítimas, suturados de modo a formar uma marioneta, que ficou conhecida como «Boneca de Trapos». Fawkes é incumbido de identificar as seis vítimas, mas tudo se complica quando a sua ex-mulher, que é repórter, recebe uma carta anónima com fotografias do local do crime, acompanhada de uma lista na qual constam os nomes de seis pessoas e as datas em que o homicida tenciona assassiná-las. O último nome da lista é o de Fawkes. A sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf. O detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele — e com o seu passado — do que qualquer um possa imaginar."
Boneca de Trapos, de Daniel Cole, parte de uma premissa apelativa e imediatamente intrigante: um crime macabro que funciona como motor de uma investigação marcada pelo ritmo e pela tensão. Desde as primeiras páginas, o autor demonstra uma capacidade eficaz de construir suspense, conduzindo o leitor por uma narrativa ágil, bem estruturada e difícil de largar.
O encadeamento dos acontecimentos revela-se um dos pontos fortes da obra. A progressão da história é fluida, com reviravoltas bem doseadas que mantêm o interesse sem recorrer a excessos artificiais. Cole sabe como gerir a informação, revelando-a no momento certo para sustentar o mistério e alimentar a curiosidade. Há um equilíbrio competente entre ação e desenvolvimento narrativo, o que contribui para uma leitura envolvente.
Contudo, essa mesma dinâmica acaba por deixar algumas lacunas, sobretudo ao nível da caracterização das personagens. O protagonista, Wolf, surge como uma figura carismática e complexa, mas nem sempre plenamente explorada. Fica a sensação de que haveria espaço para um aprofundamento maior da sua psicologia e do seu passado, o que poderia enriquecer a ligação emocional do leitor à história. Essa relativa superficialidade não compromete o enredo, mas limita a densidade da obra.
Ainda assim, “Boneca de Trapos” cumpre com eficácia aquilo a que se propõe: entreter e prender o leitor. É um thriller sólido, com uma ideia inicial forte e uma execução competente, que se destaca pelo ritmo e pela construção do suspense. Mesmo com algumas reservas ao nível da profundidade das personagens, a leitura revela-se gratificante dentro do género.















