Hillier, Jennifer (2026). Nunca Esqueças o Passado. Lisboa: Penguin.
Tradução: Ângelo Santana
N.º de páginas: 368
Início da leitura: 14/08/2026
Fim da leitura: 16/08/2026
**SINOPSE WOOK**
"Há catorze anos, Angela Wong, com apenas 16 anos, desapareceu sem deixar rasto. O caso ficou por resolver e ninguém suspeitou de Georgina Shaw - Geo -, a sua melhor amiga, nem de Kaiser Brody, hoje inspetor da polícia, que fazia parte do mesmo círculo.
Quando os restos mortais de Angela são finalmente encontrados numa floresta perto da casa de infância de Geo, o passado vem à tona com uma força devastadora. A investigação é reaberta, e Kaiser vê-se confrontado com uma revelação perturbadora: Angela foi assassinada por Calvin James, um assassino em série responsável pela morte de várias mulheres.
Mas a verdade não é assim tão simples.
Calvin não era apenas um assassino - foi o primeiro amor de Geo, uma relação intensa e sombria, marcada por manipulação, obsessão e silêncio. Durante catorze anos, Geo escondeu a verdade, até que o peso dos segredos a levou à prisão.
Agora, quando tudo parece finalmente resolvido, surgem novos crimes, seguindo o mesmo padrão do assassínio de Angela. E torna-se claro que nada fica no passado, e que a verdade é mais complexa e perturbadora do que parece.
Um thriller psicológico envolvente sobre amizade, obsessão e segredos que se recusam a ficar enterrados."
Nunca Esqueças o Passado, de Jennifer Hillier, é um thriller psicológico que assenta numa ideia particularmente eficaz: há segredos que podem permanecer escondidos durante anos, mas isso não significa que tenham desaparecido. A história parte do desaparecimento de Angela Wong, uma adolescente de dezasseis anos, cujo corpo é encontrado catorze anos depois. A descoberta obriga a reabrir um caso que envolve Georgina Shaw, a antiga melhor amiga de Angela, e Kaiser Brody, agora inspetor da polícia, fazendo regressar à superfície acontecimentos que todos julgavam enterrados.
Um dos maiores méritos do livro está na forma como Jennifer Hillier gere esta matéria. A narrativa alterna entre diferentes momentos temporais e vai revelando gradualmente as relações entre as personagens, permitindo que o passado e o presente se contaminem mutuamente. Em vez de entregar todas as respostas desde o início, a autora vai acrescentando novas peças ao puzzle e deixando o leitor perceber que aquilo que parecia estar resolvido talvez esteja longe de o estar.
O resultado é uma leitura fluida. Há uma preocupação evidente em fazer avançar a narrativa e em terminar capítulos de modo a despertar a curiosidade para o seguinte, característica que contribui bastante para o seu lado viciante. É um daqueles livros que se lê com facilidade porque existe sempre alguma pergunta por responder.
A amizade, a culpa, a obsessão e os efeitos de decisões tomadas na adolescência assumem um papel importante na história, sem que o livro deixe de ser, acima de tudo, um thriller. O passado de Geo é particularmente relevante nesse sentido, não apenas pelo que aconteceu, mas pela forma como determinadas escolhas continuam a ter consequências muitos anos depois.
As reviravoltas são outro dos seus pontos fortes. Jennifer Hillier sabe introduzir novas informações no momento certo, obrigando o leitor a rever algumas das suas certezas. Nem todas as surpresas terão necessariamente o mesmo impacto para todos os leitores, mas existe uma preocupação constante em manter a tensão e em não permitir que a história fique demasiado previsível. E, quando parece que já conseguimos perceber para onde tudo caminha, surge ainda espaço para novas dúvidas.
Contudo, não consegui criar empatia com nenhuma das personagens principais, que têm comportamentos aberrantes, desde a adolescência inconsequente à idade adulta.
Um dos maiores méritos do livro está na forma como Jennifer Hillier gere esta matéria. A narrativa alterna entre diferentes momentos temporais e vai revelando gradualmente as relações entre as personagens, permitindo que o passado e o presente se contaminem mutuamente. Em vez de entregar todas as respostas desde o início, a autora vai acrescentando novas peças ao puzzle e deixando o leitor perceber que aquilo que parecia estar resolvido talvez esteja longe de o estar.
O resultado é uma leitura fluida. Há uma preocupação evidente em fazer avançar a narrativa e em terminar capítulos de modo a despertar a curiosidade para o seguinte, característica que contribui bastante para o seu lado viciante. É um daqueles livros que se lê com facilidade porque existe sempre alguma pergunta por responder.
A amizade, a culpa, a obsessão e os efeitos de decisões tomadas na adolescência assumem um papel importante na história, sem que o livro deixe de ser, acima de tudo, um thriller. O passado de Geo é particularmente relevante nesse sentido, não apenas pelo que aconteceu, mas pela forma como determinadas escolhas continuam a ter consequências muitos anos depois.
As reviravoltas são outro dos seus pontos fortes. Jennifer Hillier sabe introduzir novas informações no momento certo, obrigando o leitor a rever algumas das suas certezas. Nem todas as surpresas terão necessariamente o mesmo impacto para todos os leitores, mas existe uma preocupação constante em manter a tensão e em não permitir que a história fique demasiado previsível. E, quando parece que já conseguimos perceber para onde tudo caminha, surge ainda espaço para novas dúvidas.
Contudo, não consegui criar empatia com nenhuma das personagens principais, que têm comportamentos aberrantes, desde a adolescência inconsequente à idade adulta.

















