Histórias Soltas Presas Dentro de Mim
Jim (2026). Um Livro Esquecido Num Banco. Alfragide: Edições ASA. 

Ilustração: Mig
Tradução: Helena Guimarães
N.º de páginas: 112
Início e fim da leitura: 01/08/2026

**SINOPSE WOOK**
"Camélia está sentada num banco. Ao seu lado, encontra-se um livro lá pousado, abandonado. Ela começa a folheá-lo. No interior do livro, uma palavra, pela mão de um desconhecido, convida-a a levá-lo…

Em sua casa, Camélia descobre que algumas palavras parecem estar rodeadas, formando frases… O desconhecido diz sentir-se entediado com a sua vida quotidiana, sonhando com uma vida amorosa intensa e desconcertante, como só se lê nos romances. "Mas quantos de nós não sonham com uma vida igual à dos romances?" Camélia rodeia seis palavras em resposta: "nós", "somos", "dois", "você", "e", "eu"… E volta a pousar o pequeno livro sobre um banco…

Na época das mensagens de telemóvel e dos e-books, Um Livro Esquecido num Banco é uma história encantadora entre dois apaixonados por livros… Uma conexão epistolar terna e cativante, em contracorrente do mundo digital contemporâneo."

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Há livros que nos recordam que, por vezes, basta um pequeno acaso para alterar o rumo de uma vida. Um Livro Esquecido num Banco, de Jim, parte precisamente dessa premissa simples: um livro abandonado num banco de jardim, encontrado por Camélia, torna-se o ponto de partida para uma narrativa delicada sobre o amor, o destino e a necessidade de encontrarmos aquilo que verdadeiramente nos faz felizes.
Ao começar a ler o exemplar que encontrou, Camélia depara-se com um pormenor insólito: algumas palavras encontram-se destacadas e, quando reunidas, revelam uma mensagem inesperada. Esse pequeno mistério desperta-lhe a curiosidade e acaba por desencadear uma reflexão mais profunda sobre a sua própria vida. Aos poucos, apercebe-se de que a relação em que vive já não corresponde às suas aspirações e de que existe um vazio difícil de ignorar, aquele indefinível je ne sais quoi que tantas vezes procuramos sem lhe conseguirmos dar um nome.
A partir daí, a história evolui de forma natural, recorrendo a uma troca de mensagens escondidas nas páginas do livro, num jogo de encontros e desencontros que prende o leitor sem recorrer a grandes artifícios. O mistério em torno da identidade do autor dessas palavras é conduzido com equilíbrio, mantendo a curiosidade até ao final, sem nunca perder de vista a dimensão emocional das personagens.
Jim constrói uma narrativa intimista, feita de silêncios, gestos e pequenas coincidências que parecem improváveis, mas que, no contexto da obra, surgem com uma autenticidade desarmante. Mais do que uma história romântica, esta é uma reflexão sobre as escolhas que fazemos, a coragem necessária para abandonar a rotina quando ela deixa de nos preencher e a importância de estarmos disponíveis para acolher o inesperado.
Também o desenho merece destaque. O traço expressivo e as cores suaves contribuem para a atmosfera melancólica e simultaneamente esperançosa que percorre toda a obra. A componente visual complementa o texto com grande sensibilidade, transmitindo todas as emoções que o livro encerra.











Poszepczyńska, Anna (2026). Três Irmãs. Prior Velho: A Seita.
Tradução do inglês: Pedro Cleto
N.º de páginas: 136
Início da leitura: 30/07/2026
Fim da leitura: 31/07/2026

**SINOPSE WOOK**
"Três irmãs vivem numa cidade pequena da Polónia. A mais nova, Dominika, está gravemente doente. Não fala nem anda, e precisa de ajuda todos os momentos da sua vida. As irmãs, Olza e Lena, tentam conciliar o trabalho com os cuidados que prestam 24 horas por dia a Domi. Um dia, surge a oportunidade de se mudarem para um centro de reabilitação. No entanto, as irmãs têm sentimentos diferentes sobre a perspectiva da mudança...

Um romance gráfico sensível, terno e terrivelmente realista, sem sentimentalismos, e que não julga os actos que nele decorrem.

Esta obra inaugura a colecção Bursztyn / Âmbar, que procura trazer para o nosso país o que de melhor se faz em BD na Polónia, numa parceria com a editora polaca Timof Comics e com o Festival Internacional de Comics de Lódz (ao abrigo do apoio à edição no âmbito do PRR)."

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Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska, é uma novela gráfica de grande intensidade emocional que aborda, com muita sensibilidade e realismo, uma realidade tantas vezes invisível: a vida de quem cuida. Situada numa pequena cidade da Polónia, a narrativa centra-se na relação entre três irmãs, revelando a forma como a doença de uma delas redefine o quotidiano e, inevitavelmente, transforma a vida das restantes.
Longe de apresentar uma visão romantizada da dedicação ao outro, a autora constrói um retrato frontal do papel de cuidador. Através das vivências das personagens, somos confrontados com o desgaste físico e emocional, a sobrecarga permanente, as renúncias pessoais e os sentimentos contraditórios que acompanham quem assume, diariamente, a responsabilidade de cuidar de alguém totalmente dependente. O amor e a entrega coexistem com o cansaço, a frustração, a culpa e, por vezes, até com a revolta, numa abordagem que se destaca precisamente pela sua autenticidade.
O impacto da obra resulta não apenas da força da história, mas também da forma como o texto e a componente visual se complementam. A expressividade das ilustrações intensifica as emoções e comunica, muitas vezes sem necessidade de palavras, o silêncio, a exaustão e a solidão que envolvem as personagens. Cada página transmite uma carga emocional que convida o leitor a abrandar o ritmo da leitura e a refletir sobre uma realidade frequentemente vivida entre quatro paredes e longe do olhar da sociedade.
A narrativa evidencia como o cuidado continuado pode consumir quem o presta, levantando questões importantes sobre os limites da resistência humana, a necessidade de apoio aos cuidadores informais e o difícil equilíbrio entre o dever, o afeto e a preservação da própria identidade.

Tamaro, Susanna (2026). O Vento Sopra Onde Quer. Barcarena: Editorial Presença.

Tradução: Maria Ferro
N.º de páginas: 200
Início da leitura: 29/07/2026
Fim da leitura: 30/07/2026

**SINOPSE WOOK**
"Três cartas escritas do coração, um segredo e um legado.

Quando a vida começa a revelar a sua fragilidade, Chiara, à beira dos sessenta anos, decide fazer aquilo que nunca teve coragem de fazer antes: dizer a verdade. Então, escreve três cartas. à filha que escolheu. à filha que deu à luz. e ao homem com quem construiu uma vida.

Ao revisitar o passado, Chiara confronta-se com as escolhas que a moldaram, os silêncios que a afastaram dos outros e os amores que nunca soube proteger. Entre memórias, culpas e gestos de ternura, emerge o retrato de uma família marcada por ligações profundas e pelas feridas que persistem.

Com a sensibilidade única que conquistou milhões de leitores, Susanna Tamaro regressa com um romance íntimo e luminoso sobre aquilo que nos une, nos transforma e, por vezes, nos salva."

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O Vento Sopra Onde Quer, de Susanna Tamaro, é um romance profundamente intimista, construído em torno da memória, da identidade e dos laços familiares. Através de uma estrutura epistolar, a autora convida o leitor a entrar no universo interior de uma mulher que, aos sessenta anos, decide revisitar a sua vida, escrevendo a três das pessoas que mais marcaram o seu percurso de vida. É nesse exercício de revisitação que se desenrola uma narrativa de grande intensidade emocional, feita de recordações, dúvidas, arrependimentos e afetos.
O recurso à primeira pessoa confere uma autenticidade muito particular ao relato, criando a sensação de que o leitor é o destinatário privilegiado de uma confidência. Carta após carta, a protagonista revela episódios decisivos da sua existência, refletindo sobre a infância, a relação com os pais, o casamento, a maternidade e as circunstâncias que moldaram a mulher em que se tornou. Mais do que contar acontecimentos, procura compreendê-los, atribuindo-lhes um significado à luz da experiência acumulada ao longo dos anos.
Susanna Tamaro demonstra, uma vez mais, a sua reconhecida capacidade para explorar a complexidade da condição humana. Com uma escrita delicada, depurada e muito reflexiva, aborda temas universais como a procura de pertença, o peso da herança familiar, a influência da genética e da educação na construção da identidade, bem como a permanente tensão entre aquilo que recebemos da vida e aquilo que escolhemos fazer com esse legado.
A narrativa desenvolve-se num ritmo pausado, privilegiando a introspeção em detrimento da ação. É um livro que exige disponibilidade para escutar as inquietações da protagonista e acompanhar o seu processo de autoconhecimento, recompensando o leitor com reflexões que permanecem para além da leitura. 

Walter, Jess (2014). A Bela Americana. Lisboa: Edições ASA.

Tradução: Elsa T. S. Vieira
N.º de páginas: 360
Início da leitura: 27/07/2026
Fim da leitura: 29/07/2026

**SINOPSE WOOK**
Pasquale é um italiano sonhador. Tem 20 anos, vive numa aldeia costeira no mar da Ligúria, é dono do hotel local. Está na praia no dia em que uma inesperada hóspede chega de barco. É uma americana alta, frágil, de uma beleza aparentemente banal. Vai caminhando hesitante pelo cais, aproxima-se, até que se vira e o olha de frente. E o seu rosto, visto no ângulo certo, é o rosto perfeito. E o momento, aquele momento - perceberá Pasquale mais tarde -, vai durar uma vida inteira. Desde a primeira página, percebemos que A Bela Americana é um romance invulgar. Porque nos dá a ler um diário perdido, de cortar o coração. Porque nos fala de um músico vergado ao álcool e desesperado por se reencontrar. Porque nos revela um Richard Burton torturado pelo amor de Elisabeth Taylor nas filmagens de Cleópatra. E porque todas essas personagens, tão imperfeitas, tão impossivelmente românticas, estão misteriosamente ligadas umas às outras. E todas elas existem apenas porque, um dia, a bela americana desapareceu sem deixar rasto. E porque um italiano sonhador, passado meio século, cruzou o Atlântico na esperança de a reencontrar.

Jess Walter assina aqui o seu melhor romance até à data. Traduzido em 28 países, A Bela Americana foi incluído na selecção de Melhores Livros do Ano.

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A Bela Americana, de Jess Walter, é um romance que seduz desde as primeiras páginas pela atmosfera que cria e pela capacidade de transportar o leitor entre universos tão distintos quanto complementares. De um lado, encontramos a serenidade de uma pequena localidade da Ligúria, nos anos 60, onde um modesto hotel, acessível apenas por mar, parece viver suspenso no tempo. Do outro, surge o brilho intenso e muitas vezes ilusório de Hollywood, palco de ambições, aparências e sonhos de grandeza.
É neste cenário italiano, marcado pela beleza das paisagens e pelo ritmo pausado da vida costeira, que conhecemos Pasquale, um jovem hoteleiro que alimenta projetos para o futuro e deseja dar um novo rumo ao pequeno hotel que herdou. A chegada de uma misteriosa hóspede americana altera subtilmente o equilíbrio daquele lugar e desencadeia uma sucessão de acontecimentos que atravessará décadas, ligando destinos improváveis e revelando a forma como um único encontro pode ecoar ao longo de uma vida.
Jess Walter constrói uma narrativa rica em contrastes, alternando entre a simplicidade genuína da costa italiana e a artificialidade fascinante da indústria cinematográfica norte-americana. Essa mudança constante de cenários imprime um dinamismo muito próprio ao romance, sem nunca comprometer a profundidade das personagens nem a consistência da história. O autor explora com grande sensibilidade temas como o amor, a esperança, a desilusão, o peso das escolhas e a distância entre aquilo que sonhamos e aquilo que a realidade nos permite alcançar.
A escrita é elegante, envolvente e marcada por um humor subtil que equilibra os momentos de maior carga emocional. As descrições da Ligúria são particularmente conseguidas, fazendo sobressair a beleza natural da região e transformando a paisagem num elemento quase tão importante quanto as próprias personagens. Em contraste, Hollywood surge retratada com ironia e alguma nostalgia, revelando o fascínio, mas também as fragilidades de um mundo construído em torno da imagem e da ilusão.

Rodrigues, José (2017). Voltar a Ti. Porto: Coolbooks.

N.º de páginas: 272
Início da leitura: 26/07/2026
Fim da leitura: 27/07/2026

**SINOPSE WOOK**
"«O amor não é sentimento para repousos longos e confiantes, mas, como acontece com todas as coisas intensas deste mundo, é uma das fontes maiores da felicidade humana.»

Constança divide os seus dias entre dois mundos. Na cidade grande do Norte, dedica-se ao trabalho e a Guilherme, o companheiro com quem reparte os planos para o futuro. Na sua pequena aldeia do interior, encontra a doçura das memórias de infância e o carinho dos pais, enquanto apoia e conforta o irmão mais velho, Luís, recentemente regressado a casa, onde procura recuperar de um profundo desgosto.

Um inesperado desafio profissional força-a a alterar as rotinas. Se a distância geográfica a obriga a reconstruir a sua presença habitual entre os dois lugares, sentimentos novos e inesperados abrem-lhe um caminho até agora desconhecido pelo seu coração.

Entre a tragédia e a perda, o amor e a saudade, o novo mundo de Constança surge de forma intensa, surpreendendo-a a cada passo e a cada incerteza. Com ele, a sua reconstrução interior e também a espera, sempre paciente, pela felicidade…"

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Voltar a Ti é um romance onde as emoções se afirmam de forma discreta, mas persistente, convidando o leitor a acompanhar um percurso marcado por encontros, desencontros e pela inevitabilidade das perdas que moldam a existência. José Rodrigues constrói uma narrativa que privilegia a dimensão humana das personagens e a forma como estas enfrentam o peso das escolhas, da memória e do tempo.
A escrita revela um cuidado evidente na escolha das palavras, mantendo sempre uma linguagem elegante, equilibrada e de leitura muito fluida. Há um ritmo sereno que permite que a história se desenvolva naturalmente, deixando espaço para a reflexão e para a identificação com os sentimentos que atravessam as páginas. O autor demonstra sensibilidade na forma como aborda as relações humanas, explorando as suas fragilidades e a capacidade de resistência perante a adversidade.
Mais do que uma sucessão de acontecimentos, Voltar a Ti propõe uma viagem interior, onde cada episódio contribui para aprofundar o retrato emocional das personagens. O leitor é levado a questionar a influência do passado nas decisões do presente e a reconhecer que, por vezes, regressar pode significar muito mais do que voltar a um lugar ou a uma pessoa: pode representar um reencontro consigo próprio.
José Rodrigues consegue transmitir autenticidade e proximidade, tornando a leitura envolvente do início ao fim. É um romance que privilegia as emoções genuínas e a complexidade dos afetos, deixando ao leitor espaço para interpretar e sentir, em vez de lhe impor respostas ou conclusões.

Keegan, Claire (2022). Pequenas Coisas Como Estas. Lisboa: Relógio D'Água Editores.
Tradução: Inês Dias
N.º de páginas: 96
Início da leitura: 25/07/2026
Fim da leitura: 26/07/2026

**SINOPSE WOOK**
"Estamos em 1985, numa pequena cidade irlandesa. A autora narra-nos a vida de Bill Furlong, um comerciante de carvão e pai de família.

Uma manhã, ainda muito cedo, quando vai entregar uma encomenda no convento local, Bill faz uma descoberta que o leva a confrontar-se com o passado e os complicados silêncios de uma povoação controlada pela Igreja."

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Pequenas Coisas Como Estas confirma a extraordinária capacidade de Claire Keegan para dizer muito com muito pouco. Em poucas páginas, a autora constrói uma narrativa de enorme densidade emocional, onde o peso das palavras reside tanto no que é dito como no que permanece por dizer.
A história decorre na Irlanda de 1985, numa pequena comunidade onde a rotina e as convenções sociais parecem imutáveis. É neste contexto que acompanhamos Bill Furlong, um homem íntegro, dedicado à família e ao trabalho, cuja vida sofre um abalo ao confrontar-se com uma realidade que muitos preferem ignorar. A partir desse momento, o romance transforma-se numa reflexão subtil sobre a consciência individual, a responsabilidade moral e o preço de agir quando o silêncio é a atitude socialmente aceite.
Embora a narrativa evoque um dos capítulos mais sombrios da história irlandesa, como as tristemente célebres Lavandarias da Madalena, Claire Keegan evita o tom sensacionalista. Em vez disso, privilegia uma abordagem contida, deixando que os gestos, os silêncios e as hesitações das personagens transmitam toda a carga emocional da história. É precisamente essa contenção que torna o impacto da leitura ainda mais profundo.
A escrita é elegante, depurada e de uma precisão admirável. Não há excessos nem descrições supérfluas; cada frase parece cuidadosamente medida para servir a narrativa. A autora cria uma atmosfera melancólica e intimista, onde a simplicidade da linguagem contrasta com a complexidade dos dilemas éticos colocados ao protagonista.
Bill Furlong é uma personagem profundamente humana, construída com rara sensibilidade. As suas dúvidas, memórias e conflitos interiores conferem autenticidade à narrativa e convidam o leitor a questionar até que ponto teria a coragem de agir perante uma injustiça evidente. Mais do que um herói, é um homem comum confrontado com uma decisão que poderá definir a forma como olha para si próprio.
Pequenas Coisas Como Estas é uma novela de leitura breve, mas de enorme alcance. Fala de compaixão, de coragem e da responsabilidade individual perante o sofrimento alheio, ao mesmo tempo que lança um olhar crítico sobre o silêncio coletivo e o poder exercido por instituições que, durante demasiado tempo, permaneceram imunes ao escrutínio. É uma obra que permanece na memória muito depois de terminada, precisamente pela sobriedade com que aborda temas de enorme profundidade e pela humanidade que atravessa cada uma das suas páginas.

 Reid, Taylor Jenkins (2026). Uma Vida em Suspenso. Lisboa: Penguin.

Tradução: Marlene Campos
N.º de páginas: 336
Início da leitura: 23/07/2026
Fim da leitura: 25/07/2026

**SINOPSE WOOK**
Num Dia de Ano Novo chuvoso, Elsie Porter vai buscar uma pizza para o jantar. No restaurante, conhece o encantador Ben Ross, e a química entre os dois é imediata e elétrica, o que faz com que ele não espere um dia sequer para a convidar para sair. Em poucas semanas, estão perdidamente apaixonados. em maio, casam-se em segredo.

Nove dias depois, Ben sai de casa de bicicleta para ir comprar cereais e sofre um grave acidente. Quando Elsie começa a estranhar a demora, vai à procura dele e ouve as sirenes, mas, ao chegar ao local, percebe que ele já está a ser levado para o hospital. Aí, será confrontada com a dura realidade e terá de enfrentar Susan, a sogra que nunca conheceu e que nem sequer sabia da sua existência.

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Uma Vida em Suspenso é um romance que explora, com grande sensibilidade, o impacto devastador da perda e o difícil processo de reconstrução emocional que se lhe segue. Mais do que uma história sobre o luto, é uma reflexão sobre os laços que se criam de forma inesperada e sobre a possibilidade de encontrar algum sentido quando tudo parece ter deixado de o ter.
O ponto de partida da narrativa é particularmente interessante. Um casamento breve, mantido em segredo por um jovem casal, acaba por aproximar duas mulheres que nunca se tinham cruzado: a viúva e a mãe do homem que ambas perderam. Unidas pela mesma ausência, mas marcadas por vivências e formas de encarar a dor muito distintas, são obrigadas a confrontar-se não apenas com o vazio deixado pela perda, mas também com a descoberta de uma relação que desconheciam por completo.
Taylor Jenkins Reid constrói esta história com uma escrita delicada e equilibrada, evitando cair no excesso sentimental que um tema desta natureza facilmente poderia suscitar. As emoções surgem de forma natural, através das personagens, das suas fragilidades e da forma imperfeita como procuram seguir em frente. O romance privilegia os pequenos gestos, os silêncios e as mudanças subtis, tornando o percurso emocional das protagonistas credível e genuinamente comovente.
Embora o luto seja o eixo central da narrativa, o livro acaba por falar também de aceitação, perdão e da capacidade humana para criar novas ligações nos momentos mais inesperados. Sem recorrer a grandes reviravoltas ou a dramatismos artificiais, a autora demonstra que algumas das histórias mais marcantes são precisamente aquelas que se concentram nas emoções e nas relações entre as pessoas.
Uma Vida em Suspenso é, por isso, um romance emotivo, mas contido, que aborda temas universais com maturidade e autenticidade. Uma leitura que convida à reflexão e que deixa a sua marca não pela intensidade dos acontecimentos, mas pela humanidade das personagens e pela honestidade com que retrata o caminho, tantas vezes incerto, da superação.

Sveistrup, Søren (2026). A Cria de Cuco. Lisboa: Penguin.

Tradução: José Remelhe
N.º de páginas: 528
Início da leitura: 18/07/2026
Fim da leitura: 23/07/2026

**SINOPSE WOOK**
"Num frio e chuvoso Dia de São Valentim, uma mulher regressa a casa inquieta e apressada; há algum tempo que recebe mensagens de texto anónimas, e tem andado atenta a qualquer movimento à sua volta. Assim que chega a casa, coloca um novo cartão no telemóvel e avisa a filha do novo número. Por um momento, sente-se segura, até receber a notificação de uma nova mensagem, o que significa não só que não conseguiu escapar ao seu perseguidor, como também que ele está muito perto. Pouco depois, a mulher desaparece.

A investigação fica a cargo de Naia Thulin e Mark Hess. Este será o primeiro de vários casos que seguem um padrão muito semelhante, e Thulin e Hess não tardam a estabelecer a relação com o homicídio por resolver de uma estudante de dezanove anos e com um outro caso arquivado há mais de trinta anos, quando uma divertida excursão escolar se transformou num pesadelo em que uma criança foi morta e desmembrada, assim como uma cria de cuco. Todos os casos envolvem um perverso jogo de escondidas, acompanhado de uma lengalenga assustadora. Conseguirão Thulin e Hess encontrar quem está por trás deste jogo em que o prémio para quem é encontrado é nunca mais ser visto?"

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Depois do impacto que O Homem das Castanhas me causou, era inevitável iniciar a leitura de A Cria de Cuco com expetativas elevadas. Søren Sveistrup volta a demonstrar a sua capacidade para construir uma narrativa policial sólida, mas desta vez o resultado acaba por ser menos envolvente e menos memorável.
Ao contrário do romance anterior, que cativava desde as primeiras páginas pelo seu ritmo intenso e pelas imagens quase cinematográficas que evocava, A Cria de Cuco opta por uma progressão mais pausada. A investigação desenrola-se de forma meticulosa, exigindo uma atenção constante do leitor, sobretudo devido ao elevado número de personagens e às múltiplas ligações entre elas. Essa complexidade enriquece a construção do enredo, mas também torna a leitura menos fluida, especialmente na primeira metade do livro.
Sveistrup mantém a sua habitual atenção ao detalhe e a capacidade de criar um ambiente sombrio e inquietante, características que continuam a distinguir a sua escrita. No entanto, a tensão demora mais tempo a consolidar-se e os momentos de maior intensidade surgem de forma mais espaçada, o que faz com que o impacto global seja inferior ao da sua obra de estreia.
Ainda assim, trata-se de um thriller competente, bem estruturado e com uma resolução coerente, capaz de manter o interesse de quem aprecia investigações policiais de desenvolvimento gradual. Não é um livro que impressione pelo espetáculo ou pela ação constante, mas antes pela forma paciente como vai encaixando as diferentes peças do puzzle.
Talvez o maior obstáculo seja, precisamente, a inevitável comparação com O Homem das Castanhas. Esse romance estabeleceu um padrão muito elevado, quer pela tensão narrativa, quer pela força visual das suas cenas, e A Cria de Cuco dificilmente consegue atingir o mesmo nível de intensidade. Lido de forma isolada, continua a ser uma proposta interessante dentro do género; lido à sombra do seu antecessor, acaba por deixar a sensação de que lhe falta aquele elemento diferenciador que transforma um bom policial num livro verdadeiramente marcante.

 Guedes, José Correia. O Aviador. Alfragide: Lua de Papel.

N.º de páginas: 240
Início e fim da leitura: 17/07/2026

**SINOPSE WOOK**
"Ser comissário de bordo não é fácil, mas comandante de aviões comerciais ainda menos. José Correia Guedes passou metade da sua vida a pilotar aviões. E aconteceu-lhe um pouco de tudo. À cabeça dos infortúnios, viu o avião que co-pilotava ser sequestrado - estávamos em 1980, Sá Carneiro era o então primeiro-ministro e a RTP o único canal de televisão.

 Houve outros problemas, claro. Aterradores para quem viaja de avião, mas quase corriqueiros para quem os pilota - desde o trem de aterragem encravado até "passageiros" clandestinos, passando por… partos improvisados a dez mil metros de altitude. E houve momentos gloriosos. Como o primeiro e único desfile de moda feito em pleno ar. Ou o voo dos campeões, que trouxe para Portugal um Mourinho vitorioso, com a taça da Liga dos Campões debaixo do braço.

O autor recorda-nos as suas muitas aventuras, que começaram nos tempos (ainda) dourados da aviação comercial, quando voar era um luxo, e Nova Iorque quase tão remota como a Lua. De então para cá houve o atentado às Torres Gémeas, nasceram as lowcost, o mundo ficou mais pequeno - e as ex-colónias, para onde o Comandante tantas vezes voou, ficaram estranhamente mais longe, ou pelo menos na memória.

Em O Aviador redescobrimos um Portugal em mudança, nas histórias ora divertidas, ora nostálgicas, de quem viu o nosso País lá de cima. E é um mundo à parte, onde o medo de voar ainda afecta muita gente. Este livro passa também por aí, mostrar aos leitores que não há nada a temer: o comandante tem tudo sob controlo."

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Em O Aviador, José Correia Guedes apartilha episódios vividos ao longo da sua carreira, num testemunho que alia a experiência de quem esteve durante décadas nos comandos de uma aeronave ao talento de quem sabe contar uma boa história.
Conhecido por ter desempenhado funções como comandante e, mais tarde, responsável máximo da TAP, José Correia Guedes revela-se também um narrador cativante. Escreve com simplicidade, clareza e um sentido de ritmo que torna a leitura extremamente agradável, conseguindo transmitir ao leitor a emoção, a tensão e, por vezes, o humor que marcaram muitos dos momentos vividos no exercício da sua profissão.
Ao longo do livro, sucedem-se episódios de natureza muito diversa. Alguns colocam à prova o sangue-frio, a capacidade de decisão e o espírito de equipa indispensáveis a quem tem nas mãos a responsabilidade de transportar centenas de passageiros em segurança. São relatos que permitem perceber a enorme preparação técnica e humana exigida a um piloto, bem como a confiança mútua que sustenta o trabalho de toda uma tripulação.
Mas nem tudo são momentos de elevada tensão. O autor intercala essas situações com episódios inesperados e francamente divertidos, demonstrando que a aviação também é feita de pequenos imprevistos e histórias que só a realidade consegue escrever. Essas memórias, narradas com um humor discreto e elegante, equilibram o tom do livro e aproximam o leitor do homem por detrás da farda.
Mais do que um conjunto de recordações, O Aviador oferece um olhar privilegiado sobre uma profissão que muitos imaginam conhecer, mas cuja complexidade raramente é revelada. osé Correia Guedes mostra-nos os bastidores da aviação, permitindo compreender melhor a responsabilidade, a disciplina e a serenidade que cada voo exige.
É também um livro sobre a confiança: confiança na preparação, na experiência acumulada, na equipa e na capacidade de tomar decisões sob enorme pressão. Talvez por isso, cada episódio seja mais do que uma simples história; é também um testemunho da dedicação e do profissionalismo de todos aqueles que trabalham para que um voo decorra sem sobressaltos, mesmo quando os passageiros nunca chegam a imaginar os desafios enfrentados.
O Aviador lê-se com enorme prazer, tanto por quem se interessa pelo mundo da aviação como por quem aprecia bons livros de memórias. José Correia Guedes demonstra que as melhores histórias são, muitas vezes, as que nasceram da experiência vivida e são contadas com autenticidade, inteligência e uma saudável dose de humor.
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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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