Allende, Isabel (2025). O Meu Nome é Emília Del Valle. Porto: Porto Editora.
Tradução:Carla Ribeiro
N.º de páginas:328
Início da leitura: 07/03/2026
Fim da leitura: 10/03/2023
**SINOPSE WOOK**
"São Francisco, 1866. Uma freira irlandesa, abandonada após uma tórrida relação com um aristocrata chileno, dá à luz uma menina a que chama Emilia del Valle. Criada com devoção pelo seu carinhoso padrasto, Emilia tornar-se-á uma jovem autónoma e independente, que desafiará as normas sociais do seu tempo para seguir a sua verdadeira paixão: a escrita.
Com apenas 17 anos, publica o seu primeiro romance de cordel, sob pseudónimo masculino. Quando o mundo da ficção se revela incapaz de conter o seu desejo de aventura, Emilia opta pelo jornalismo. No San Francisco Examiner, conhece o talentoso Eric Whelan, com quem partirá para o Chile, para cobrir a iminente guerra civil.
À medida que a guerra se intensifica, Emilia vê-se em perigo de vida e numa encruzilhada, colocando em questão a sua identidade, as suas raízes e o seu destino.
Uma história fascinante de autodescoberta e amor de uma das contadoras de histórias mais magistrais do nosso tempo. Na senda das inspiradoras personagens femininas fortes e inspiradoras, Emilia del Valle perdurará por muito tempo no coração dos leitores."
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O romance O Meu Nome é Emilia del Valle, de Isabel Allende, insere-se na linha narrativa a que a autora já nos habituou: histórias de vida marcadas por circunstâncias históricas turbulentas, protagonizadas por mulheres determinadas que procuram afirmar a sua voz num mundo que lhes é pouco favorável.
A narrativa começa com um episódio que já anuncia o tom romanesco da história: uma noviça irlandesa envolve-se com um aristocrata chileno e dessa relação nasce Emilia del Valle. Criada pela mãe e pelo padrasto, Emilia cresce num ambiente que, apesar das suas limitações sociais e morais, lhe permite desenvolver uma personalidade curiosa, observadora e pouco conformada com o destino tradicional reservado às mulheres do seu tempo. Desde cedo revela um desejo muito claro: tornar-se escritora.
A narrativa começa com um episódio que já anuncia o tom romanesco da história: uma noviça irlandesa envolve-se com um aristocrata chileno e dessa relação nasce Emilia del Valle. Criada pela mãe e pelo padrasto, Emilia cresce num ambiente que, apesar das suas limitações sociais e morais, lhe permite desenvolver uma personalidade curiosa, observadora e pouco conformada com o destino tradicional reservado às mulheres do seu tempo. Desde cedo revela um desejo muito claro: tornar-se escritora.
O percurso de Emilia até à escrita faz-se, contudo, por caminhos sinuosos. Numa sociedade em que o espaço literário e jornalístico é dominado por homens, começa por publicar romances populares sob um pseudónimo masculino, estratégia que lhe permite contornar as barreiras editoriais impostas ao género feminino. Mais tarde, consegue entrar no mundo do jornalismo, embora não da forma que desejaria. Num jornal local, é encarregada de escrever crónicas, um género considerado mais apropriado para uma mulher, em vez das notícias que ambicionava redigir.
É precisamente nesse espaço intermédio entre a crónica e o relato factual que a personagem se afirma. O reconhecimento do seu talento acaba por conduzi-la a uma tarefa de maior responsabilidade: cobrir a Guerra Civil chilena, deslocando-se para o campo de batalha. Este momento marca uma viragem na narrativa, pois coloca Emilia perante a violência da História e confronta o seu idealismo com a realidade dura do conflito.
Um dos pontos fortes do romance reside na construção da protagonista. Emilia é apresentada como uma mulher independente e determinada, claramente à frente do seu tempo, mas sem perder a complexidade humana que caracteriza as personagens de Allende. A autora procura equilibrar a dimensão íntima da personagem, os seus desejos, dúvidas e ambições, com o pano de fundo histórico que molda o seu percurso.
Do ponto de vista estilístico, o romance mantém a fluidez narrativa e o tom envolvente que tornaram a obra de Isabel Allende tão reconhecida. A escrita é acessível, marcada por uma forte componente narrativa e por um interesse evidente em cruzar histórias individuais com acontecimentos históricos mais vastos.




























