sexta-feira, 27 de março de 2020

Sangue Frio, Robert Bryndza

Célia Gil

Bryndza, Robert (2018). Sangue Frio. Loures: Alma dos Livros.


Nº de páginas: 318

Sangue Frio é o quinto livro da série Érika Foster, de Robert Bryndza, traduzido por Ana Lourenço. Mais um thriller que se lê ininterruptamente, alternando entre a investigação da equipa de Erika Foster e a história de dois assassinos cruéis.

A ação inicia-se com a descoberta de dois corpos, cortados e acondicionados dentro de malas de viagem. Apesar de não terem sido encontradas no mesmo local, os corpos tinham, de alguma forma, uma ligação, pois tinham sido acondicionados da mesma maneira e, diga-se de passagem, dificilmente um crime exatamente igual poderia ser atribuído a diferentes assassinos.

Nina, uma jovem ingénua e inexperiente, conhece Max numa loja de fish & chips e sente-se atraída por ele, fazendo tudo para que aquele rapaz de cabelo loiro comprido e bonito olhe para ela. Maldito o dia em que ele resolve aproximar-se dela e a envolve nos seus esquemas (venda de droga, relacionamentos estranhos…). E Nina deixa-se envolver, perdidamente apaixonada. Aos poucos, apercebe-se de que está em apuros, que ele é um criminoso, mas já está de tal maneira presa e amedrontada, que se limita a evitar que ele se zangue com ela, tentando ao máximo passar despercebida. Mas Max envolve-a nos seus crimes e torna-a a ela também numa criminosa.
Cabe à equipa de Érika deslindar esta situação.

Quando os criminosos raptam duas crianças, as filhas gémeas de um colega de Érika, tudo fazem para resolver a situação sem dano para as crianças.
Conseguirão salvar as gémeas? Max não tem nada a perder e tem as balas necessárias para matar Nina e as gémeas.

Para o descobrir, aconselho vivamente a leitura deste livro. Eu, por meu turno, continuo com a clara certeza de querer descobrir todos os livros deste escritor. Mesmo não os lendo pela ordem por que foram escritos.

                                                                    Célia Gil

sábado, 21 de março de 2020

Um Pingo na Água, Ann Yeti

Célia Gil

Yeti, Ann (2020). Um Pingo na Água. Castro Verde: Editorial Grupo Narrativa






Um Pingo na Água, de Ann Yeti é um livro jovem, repleto de vida e de todas as expetativas, anseios e paixões da juventude.
A protagonista, Ana, é uma mulher profissionalmente realizada e bem resolvida. Porém, revela-se uma mulher sensual, com a vida “à flor da pele”, que facilmente se entrega às paixões, sejam ou não duradouras. Vive essas paixões de forma exacerbada, não controlando os seus instintos, mesmo quando a razão lhe diz que não devia e que era melhor parar. Um pouco perversa, não hesita em trair, quando se lhe oferece a oportunidade para o fazer. Quanto a mim, revela-se um pouco fraca na questão amorosa, pois não sabe dizer que não, não resiste e persiste no logro das suas emoções. Tudo dá a entender que termina bem, mesmo depois de um momento de muito sofrimento, com a perda de João. Porém, na minha ótica, não sei se terminará assim tão bem. Numa relação, não basta um amar. Ana não me pareceu ser mulher de um homem só, por isso, acredito que o fim poderá se poderá considerar em aberto.
Yeti escreve muito bem, uma escrita leve, mas bem ponderada. Apresenta-nos as ações de forma direta, sem momentos mortos, o que faz com que o leitor entre na narrativa e só dela saia ao terminar o livro.
Este é mais um livro de Yeti com uma capa lindíssima, onde o horizonte se contempla como infinito ou inalcançável, como inalcançáveis são os sentimentos de Ana.
Gostaria, agora, de ver Yeti num outro registo, de que se vislumbrou um pouco em Um Fio de Sangue, um thriller, pois penso que a sua capacidade de escrita fluente seria totalmente adequada a um livro desse género. Fico a aguardar e expectante de que vai ser, com certeza, também muito bom!
                                                                                                                Célia Gil

sexta-feira, 20 de março de 2020

A Paciente Silenciosa, Alex Michaelides

Célia Gil

Michaelides, Alex (2019). A Paciente Silenciosa. Lisboa: Editorial Presença.


A Paciente Silenciosa é um livro escrito por Alex Michaelides e traduzido por Marta Mendonça. É um livro que nos absorve logo nas primeiras páginas e que só conseguimos largar se tivermos mesmo algo urgente para fazer. Caso contrário, as suas 333 páginas são devoradas compulsivamente.
Alicia era pintora. Encontra-se internada e, desde que supostamente matou o marido, não voltou a proferir nenhuma palavra. No Grove, onde se encontra internada, já tinham desistido de tentar que ela falasse.
Théo Faber, cuja infância foi bastante conturbada, tornou-se psicoterapeuta para resolver o seu caos interior. Conseguiu uma entrevista de trabalho para a Grove, porque queria ajudar Alicia a falar. Todos lhe diziam que ela era louca, que nunca mais falara e que ele não iria conseguir, era uma perda de tempo. Além disso, ela era perigosa. Mas Théo não desiste, considera que Alicia está demasiado medicada e consegue interceder para que lhe seja reduzida a dose de medicação. Na primeira sessão, depois de reduzida a medicação, Alicia atacou Théo, apertando-lhe o pescoço com o intuito de o matar. Estava já a sufocar, quando conseguiu premir o alarme.
A par das sessões que vai tendo com Alicia, nas quais não se notam grandes progressos, vai-nos sendo apresentado o diário dela e momentos da vida pessoal de Théo. Este era casado com Kathy, que era a sua esposa e a mulher da sua vida. Certo dia, Théo encontra, sem querer, mensagens de cariz pessoal e sexual, no computador da mulher. Esta estaria a traí-lo e isso era inconcebível para ele. No entanto, também não a queria perder, por isso não a abordou. A mulher era atriz e uma boa atriz no que toca a não dar a entender o que se passava na sua vida pessoal. Théo resolve adotar a mesma estratégia e, apesar de ferver por dentro, sorria para ela como se nada fosse.
Entretanto, é ponderada a continuação das sessões de terapia de Théo com Alicia, uma vez que não estão a surtir efeito. Mas este não desiste. Na última sessão, Alicia não fala, no entanto entrega-lhe o seu diário. Théo lê o diário de um só fôlego e começa a investigar por conta própria, mesmo sabendo que não o deve fazer, pois é apenas o terapeuta. Questiona todos os que pudessem estar envolvidos na morte do marido de Alicia, Gabriel, e todos os que, de alguma maneira, o pudessem ajudar a chegar ao âmago de Alicia, para perceber que acontecimentos a terão levado a calar-se voluntariamente para sempre. Não acredita que tenha sido ela a matar o marido. Acredita, isso sim, num homicídio.
No diário, Alicia conta que sentia que era perseguida por um homem, mas, nem o marido nem o médico que a seguia na altura, acreditavam nela. Mas Théo acreditava.
Entretanto, na narrativa encaixada nesta sobre a vida pessoal de Théo, este começa a seguir a esposa para ver com quem ela o traía.
Chegaria Théo a descobrir quem era o seu rival?
Conseguiria Théo que Alicia falasse?
Muito mais haveria a contar, mas não quero revelar mais. Só posso afiançar que o fim é totalmente inesperado e incrível.

segunda-feira, 16 de março de 2020

A Bailarina de Auschwitz, Edith Eger

Célia Gil
Eger, Edith (2018). A Bailarina de Auschwitz. Porto Salvo: Saída de Emergência.

Poderia ser apenas mais um relato sobre o Holocausto, mas não é. É uma obra muito bem escrita, que se lê com o coração nas mãos, mas que vai para além de uma vivência traumatizante, uma vez que nos apresenta um exemplo, o exemplo de uma mulher que viveu os piores horrores, que passou por todas as dificuldades, traumas pós-holocausto, exclusão social, mas que conseguiu repensar e refazer a sua vida. Hoje, com 92 anos, continua uma força da natureza, mesmo depois de tudo o que vivenciou. Tornou-se psicóloga, e especialista em stress pós-traumático, tendo decidido escrever um livro para contar o que aconteceu, mas, principalmente, para mostrar que todas as pessoas têm alternativas na vida.
Numa madrugada de 1944, a família - que residia em Kassa, na Hungria - foi acordada pelos nazis. Viveram quase toda a guerra sem saberem o que se passava com os judeus na Europa. Edith sonhava ser bailarina e, até ser deportada, trabalhava diariamente para atingir esse objetivo.
"Não sabíamos de nada. Os meus pais tinham bilhetes para irmos para a América e não os usaram. Não fazíamos ideia do que se estava a passar. Nunca ouvir falar de Auschwitz até ao dia em que cheguei lá vi a tabuleta a dizer: O trabalho traz a liberdade. Mesmo assim não sabia onde estava até ver o Dr. Mengele que me separou da minha mãe. Os meus pais morreram nas câmaras de gás nessa mesma noite. Eu vi a chaminé e o fogo sair e disseram-me que eles estavam lá a arder."
Acompanhada pela irmã mais velha, Magda, Edith começou o percurso pelas mãos dos nazis frente a Joseph Mengele, o homem que ficou conhecido como Anjo da Morte, pelas experiências que realizou em seres humanos, em especial em crianças e gémeos.
A jovem foi obrigada a dançar, e foi nessa noite, que descobriu a primeira estratégia para sobreviver - "Fechei os olhos quando dancei para o doutor Mengele, imaginei a música de Tchaikovsky e estava a dançar o Romeu e Julieta na Opera House de Budapeste".
Ela reconhece que muita da resistência lhe vem da forma como decidiu encarar o mundo, logo aos 16 anos "Não sei de onde me veio a ideia mas imaginei, que de alguma forma, seriam os nazis a pagar com a consciência o que estavam a fazer. Eram eles os verdadeiros prisioneiros. Não sei como criei dentro de mim esse mundo em que me podiam espancar, enviar para a câmara de gás, mas nunca poderiam matar o meu espírito."
Em dezembro de 1944, Edith e a irmã mais velha, Magda, foram retiradas de Auschwitz e seguiram numa marcha da morte através da Europa. Em maio de 1945 foram libertadas na Áustria, quando ambas davam já poucos sinais de vida. Um soldado americano notou a mão de Edith mover-se ligeiramente numa pilha cadáveres.
De regresso à terra natal Edith e Magda reencontram a irmã, Klara, que passou o último ano da guerra com um professor católico. As três são os únicos elementos da família que residia na Europa a sobreviverem.
Durante os 20 anos seguintes a jovem sobrevivente esconde totalmente a experiência que teve em Auschwitz. Ninguém sabe que ela foi vítima dos nazis. Escondeu-o porque pensou que assim poderia esquecer mais depressa.
Foi já como psicóloga que percebeu que a estratégia não estava a resultar. Nos anos 80 regressou ao antigo campo de concentração na Polónia "Perdoar-nos é muito difícil e ainda estou a fazê-lo. Demorei cerca de 40 anos até começar realmente a dar-me autorização para libertar a culpa e a vergonha. Não sei porque é que tinha a vergonha e a culpa de ser sobrevivente, mas foi ao ponto de faltar à minha licenciatura porque achava que não o merecia porque os meus pais estavam mortos".

A História deve ser contada para que não se repita.
                                                                                               Célia Gil

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