domingo, 9 de janeiro de 2011

Louvor à ficção


Procuro a harmonia

entre a palavra e o sentimento.

Busca incessante e infrutífera.

Incessante procura! Quando encontro a palavra,

o sentimento já não é o que sinto.

Se, pelo contrário, tenho o sentimento

não há palavra que o possa exprimir.



E os poetas que pensam ter

o domínio das palavras

e o auge dos sentimentos,

desconhecem que a palavra é criação,

e o sentimento ficção.

Convencem-se que são sinceras.

E não serão?

O que é afinal a sinceridade?

A ficção ou a verdade?



Indefinível verdade

se quem me olho ao espelho

já não é a realidade

mas a projecção do que penso,

do que sinto e do que me invento



Doce ficção,

tenebrosa ficção,

sempre pronta a criar

uma doce ilusão,

um sonho arrebatador,

uma dor e uma traição…

Dedico o meu louvor

à força da tua emoção!

1 comentário:

  1. Ao ler este poema, automaticamente me lembrei daquele célebre de Fernando Pessoa:

    "O poeta é um fingidor
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente"

    Só poemas de alto calibre fazem lembrar outros semelhantes... Parabéns

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