quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Poder da Ficção

(imagem do Google)



Nem sempre corre uma brisa na minha vida,
ou as estrelas iluminam o meu caminho,
nem sempre sou tocada pelo condão da inspiração,
ou empreendo voos de imaginação,
nem sempre o amor me abre os braços,
ou as flores me despertam os sentidos,
nem sempre o sol resplandece os meus dias.

A brisa contraria-me e morre sufocada,
as estrelas apagam-se quando as olho,
o condão da inspiração desaparece por magia,
a imaginação voa para bem longe de mim,
o amor ignora-me todo o dia,
as flores fecham-se quando passo,
o sol envergonha-se e esconde-se na encosta.

Mas, mesmo assim,
enalteço a brisa que não corre,
sonho o brilho das estrelas apagadas,
procuro a imaginação fugitiva,
sorrio ao amor que me ignora,
contemplo as flores fechadas,
aqueço-me nesse sol envergonhado.
Porque, apesar de nada ser perfeito,
tudo tem a sua verdadeira perfeição,
basta que eu a veja ou imagine,
a respire, a toque, a ouça
ou, simplesmente,
a sinta com o coração,
ou a recrie com o poder da ficção!
                                           Célia Gil

2 comentários:

  1. Albert Einstein disse que "a imaginação é mais importante que o conhecimento" e ficcionar é de facto um sublime exercício mental e espiritual! É ter o poder da criação, da reinvenção... e da destruição! É sermos o Deus ou a Deusa que existe dentro de cada um de nós, e abrir as portadas do nosso paraíso para outros também entrarem...

    Excelente poema evocativo desta nossa divindade cara poetisa!

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  2. Excelente o seu comentário! Excelente, inteligente e inspirado!
    Obrigada!

    ResponderEliminar

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