domingo, 21 de março de 2010

Fuga


(imagem do Google)

Onda que vens tão de mansinho,
trazes o cheiro doce do sal,
ignorante do teu próprio destino,
desfazes-te em gesto sensual.
Abraça-me com esse teu carinho,
protege-me da crueldade do mundo,
enlaça-me assim...devagarinho
e adormece-me num sono profundo.
Depois, deixa-me dormir no teu leito,
esquecer aquele ser imundo
que um dia sonhou ser perfeito.
Abraça-me assim...para sempre,
cristaliza-me no teu sal,
para que permaneça eternamente
como o teu herói imortal.
Se te cansares de me embalar,
serve-me aos peixes em bela refeição
para que ao menos estes possam festejar
aquele que ansiou a perfeição.
                                         Célia Gil

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