Histórias Soltas Presas Dentro de Mim

Narcejac, Thomas; Boileau, Pierre. Vertigo A Mulher que Viveu Duas Vezes. Lisboa: Edições ASA, 2017.
Tradução: Maria de Jesus Páscoa
N.º de páginas: 176
Início e fim da leitura: 02/04/2026

**SINOPSE WOOK**
"Paris, 1940. O ex-detetive Roger Flavières é contactado por um velho conhecido, que lhe pede um estranho favor. A mulher tem tido um comportamento invulgar - ausências misteriosas, uma melancolia que a leva a contemplar as águas do Sena durante horas a fio, visitas a um cemitério - e ele quer que o amigo a vigie para descobrir o que se passa. Intrigado, Flavières aceita… e dedica-se a seguir todos os passos da estonteante Madeleine. A curiosidade depressa dá lugar à obsessão, os sonhos ao pesadelo, à medida que a linha entre realidade e ilusão se esbate. De Paris a Marselha, de Madeleine a Renée, esta é a história de um homem desesperado, atormentado pela busca da verdade, e que acaba por ser destruído por um segredo obscuro e terrível.

Foi este livro que serviu de inspiração ao filme de Alfred Hitchcock, A Mulher Que Viveu Duas Vezes, com James Stewart e Kim Novak nos papéis principais, considerado obra-prima e filme de culto."

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Publicado em 1954, Vertigo: A Mulher que Viveu Duas Vezes, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, apresenta-se à partida como um policial de contornos clássicos, mas cedo revela uma ambição mais inquietante e ambígua. A intriga é desencadeada quando o ex-detetive Roger Flavières aceita vigiar Madeleine, a mulher de um antigo conhecido, cuja conduta enigmática, feita de silêncios, ausências e uma melancolia quase espectral, parece apontar para algo que escapa à explicação racional.
O que poderia ser apenas um exercício de observação transforma-se, gradualmente, numa descida a um território dominado pela obsessão. Flavières não se limita a seguir Madeleine; deixa-se absorver por ela, pela sua aura de mistério e pela estranha teatralidade dos seus gestos. A narrativa constrói-se, assim, menos sobre a resolução de um enigma exterior do que sobre a progressiva desagregação interior do protagonista. A tensão não advém tanto de “o que aconteceu”, mas de “como se sente” e “até onde pode ir” alguém capturado por uma ideia fixa.
Boileau e Narcejac demonstram aqui um domínio notável da sugestão e do ritmo. A escrita, aparentemente simples e despojada, é cuidadosamente calibrada para gerar inquietação. Há momentos em que o leitor se sente deliberadamente desorientado, como se a lógica da narrativa fosse sendo substituída por uma lógica emocional, mais difusa e perturbadora. Essa estratégia pode, por vezes, criar uma sensação de confusão, mas é precisamente nesse desconforto que reside parte da força do romance.

Pereira, Madeleine (2025). Borboleta. Alfragide: Edições ASA.


Tradução: Alice Pereira e Hélio Pereira
N.º de páginas: 176
Início da leitura: 01/04/2026
Fim da leitura: 02/04/2026

**SINOPSE WOOK**
«"Ei, Madeleine, é óbvio que você é portuguesa, você até tem Pereira no apelido."

Constantemente trazida de volta às suas origens, o conhecimento de Madeleine sobre Portugal limita-se a Cristiano Ronaldo, piadas xenófobas sobre o Guesh e a língua, mesmo assim, algo que o seu pai lhe transmitiu. Mas este último, chegou a França aos doze anos, recusou-se a vida toda a falar do seu país natal e da sua infância sob a ditadura...

Como resultado, Madeleine mal sabe que Salazar era um ditador e não apenas um bruxo malvado em Harry Potter. Porém Madeleine sente uma necessidade profunda de se reconectar com suas raízes, e se seu pai não quiser ajudar, então ela terá de procurar respostas em outro lugar. Começando pelos muitos amigos, imigrantes portugueses, que têm.

Da região de Paris a Lisboa, Madeleine vai recolhendo as suas histórias de vida. Aos poucos, traça o fio da história de Portugal e, através dele, tenta conhecer mais sobre si mesma.»

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Borboleta, de Madeleine Pereira, é uma obra autobiográfica que cruza a memória individual com momentos decisivos da história recente de Portugal, nomeadamente o 25 de Abril de 1974 e as emigrações portuguesas para França, muitas vezes motivadas pela necessidade de fugir à prisão e à repressão do regime ditatorial. A autora constrói uma narrativa que avança sem esforço, despertando a curiosidade do leitor e evitando o cansaço, ao mesmo tempo que ilumina experiências comuns a muitas famílias portuguesas do século XX.
A estrutura do livro assenta numa autorrepresentação em diferentes tempos da vida da autora: a infância, a adolescência e a idade adulta. É já enquanto adulta que Madeleine Pereira procura convencer o pai a contar a história da família, no âmbito de um projeto de banda desenhada, e é desse diálogo, por vezes difícil, marcado por silêncios e resistências, que nasce grande parte da força emocional da obra. A memória surge aqui não apenas como recordação, mas como construção, negociação e, em certa medida, reparação.
Um dos grandes méritos de Borboleta reside na forma como o privado e o coletivo se entrelaçam. A história familiar nunca se fecha sobre si mesma: está sempre atravessada pela História com maiúscula, pelas marcas da ditadura, pela experiência do exílio, pela condição do emigrante e pela identidade portuguesa vivida fora de Portugal. Nesse sentido, trata-se de uma obra profundamente portuguesa, não por recorrer a lugares-comuns, mas por dar voz a vivências que fazem parte do imaginário e da memória coletiva do país.
Do ponto de vista gráfico, porém, o livro apresenta um aspeto mais discutível. A ilustração da capa é belíssima e cria uma expectativa que nem sempre se confirma no interior da obra. Embora o uso da cor seja interessante e expressivo, o traço das personagens revela-se pouco apelativo: são figuras marcadamente feias, por vezes difíceis de ler visualmente, obrigando o leitor a deter o olhar durante algum tempo para compreender o que está representado. Esse contraste entre a capa e as ilustrações internas constitui, na minha opinião, o principal ponto menos conseguido do livro.
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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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