Vareille, Marie (2025). O Desaparecimento de Sarah Leroy. Lisboa: Marcador.
Tradução: Helder Guégués
N.º de páginas: 304
Início da leitura: 10/05/2026
Fim da leitura: 11/05/2026
**SINOPSE**
"O desaparecimento de Sarah Leroy, aos quinze anos, virou do avesso a vida da pequena vila de Bouville-sur-Mer e comoveu toda a França. Em cada casa, em cada esquina, as pessoas tinham as suas próprias convicções e especulavam sobre o que realmente lhe teria acontecido. Mas aqueles que sabiam permaneceram em silêncio.
Vinte anos depois, Fanny regressa ao local da tragédia que marcou a sua juventude. E todo um passado que ela preferia esquecer ressurge…. Porque esta não é apenas a história de Sarah Leroy, é também a de Angélique, Jasmine e Morgane - é a história das Desencantadas.
É uma narrativa que nos traz à memória os primeiros cigarros, as promessas de amizade, o cloro da piscina local, as primeiras festas, as primeiras vezes e os segredos mais pesados."
Vinte anos depois, Fanny regressa ao local da tragédia que marcou a sua juventude. E todo um passado que ela preferia esquecer ressurge…. Porque esta não é apenas a história de Sarah Leroy, é também a de Angélique, Jasmine e Morgane - é a história das Desencantadas.
É uma narrativa que nos traz à memória os primeiros cigarros, as promessas de amizade, o cloro da piscina local, as primeiras festas, as primeiras vezes e os segredos mais pesados."
O Desaparecimento de Sarah Leroy confirma Marie Vareille como uma autora particularmente hábil na construção de narrativas onde o suspense nunca existe apenas pelo mistério em si, mas sobretudo pelo peso emocional que sustenta cada revelação. Ao longo do romance, a autora conduz o leitor por uma história marcada pela ausência, pelos silêncios e pelas zonas obscuras que permanecem entre pessoas que se conhecem intimamente, conseguindo manter uma tensão constante sem recorrer a artifícios excessivos.
Mais do que um simples thriller psicológico, este livro é também uma reflexão sobre a amizade, a adolescência e as marcas que determinados acontecimentos deixam muito depois de terem terminado. A relação entre as personagens femininas é construída com subtileza e autenticidade, revelando cumplicidades, fragilidades e lealdades difíceis de explicar a quem observa de fora. Há segredos que sobrevivem ao tempo não apenas por medo, mas porque fazem parte da própria natureza das relações humanas, e é precisamente essa ambiguidade que Marie Vareille explora com inteligência.
A narrativa alterna entre diferentes tempos e perspetivas de forma fluida, permitindo ao leitor reconstruir lentamente os acontecimentos sem nunca perder o interesse. A escrita é envolvente, acessível e emocionalmente eficaz, equilibrando momentos de maior tensão com passagens mais introspetivas. Mesmo quando se aproxima de temas mais duros, a autora evita dramatismos fáceis, preferindo trabalhar as emoções através das pequenas feridas nas personagens e das memórias que regressam de forma inevitável.
Um dos maiores méritos do romance está precisamente na forma como consegue prender o leitor até às últimas páginas sem depender exclusivamente do efeito-surpresa. O interesse nasce tanto do mistério em torno do desaparecimento como da necessidade de compreender aquelas personagens, as suas escolhas e as consequências silenciosas do passado.


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