Histórias Soltas Presas Dentro de Mim


O Presságio da Sereia, Katy Gardner, traduzido por Luísa Feijó, é um livro com uma história cativante do início ao fim. Lê-se compulsivamente, pela sua intensidade, mistério e suspense… Com um final completamente inesperado.
Cass é uma professora de História que vive em Londres com o seu companheiro de há quase dez anos, Matt, e que decide aceitar uma proposta para assistente universitária em Brighton. É quando muda para Brighton, que todos os seus problemas começam.
As memórias dolorosas de um segredo que acabou de destruir o que restava da sua já problemática infância e mudou a sua vida para sempre começam então a assombrá-la. E a crescente sensação de que está a ser observada, numa altura em que violentos ataques a estudantes estão a ocorrer em pleno campus universitário, transforma o seu receio num imenso pânico que ameaça sugá-la. Será ela a próxima vítima? Ou haverá uma razão mais sinistra para que tenha sido precisamente Cass a ser transformada em alvo? Além disso, Brighton não é uma escolha natural para uma mulher com um já antigo medo do mar. Cass pode ter tentado encerrar um capítulo da sua vida ao deixar Londres, mas cedo vai descobrir que alguns elementos da sua nova existência são igualmente perturbadores. Segredos que tinha conseguido esquecer durante toda a sua vida são agora descobertos e revividos pela protagonista deste livro. No percurso de Cass, existem dois alunos que vão ter um papel muito importante na revelação deste segredo. Ao sentir-se pressionada, a professora vê-se obrigada a contar que teve de abandonar um filho, fruto de uma violação, quando tinha apenas 15 anos. Este é um livro capaz de nos transmitir as mais variadas emoções. E, como nos é dito na capa do livro, “Os segredos mais profundos arrastam consigo correntes sombrias”.
Esta obra fez-me realmente pensar nos segredos que todos escondem e não querem que sejam descobertos. No entanto, isso nem sempre acontece! Por mais voltas que a vida dê, se existir alguma coisa do passado que intimide, mais tarde ou mais cedo, vem ao de cima. Neste livro, pode observar-se a reação de pânico que o ser humano tem quando pensa que vai ser “descoberto”. É algo que a todos ultrapassa, algo que nunca se consegue nem se vai conseguir controlar. Porém, por outro lado, a revelação pode constituir o primeiro passo para a libertação, uma autêntica catarse.


Stilwell, Isabel (2001). Como Dei com o Meu Psiquiatra em Louco. Lisboa: Editorial Notícias

Este livro reúne dez contos, que são histórias com as quais nós, leitores, em algum momento das nossas vidas, nos identificamos. No fundo, são metáforas, através das quais a autora nos apresenta, de forma caricatural e um tanto absurda, mas muito divertida, os segredos da psicologia humana.  Como nos diz a própria sinopse do livro, e passo a citar “desde homicídios com queijo, duelos de faca e garfo, juízes que colocam os móveis em guarda conjunta, meias que fogem para a Terra das Meias, meninas cujo cérebro se alojou no cotovelo e mulheres que dão alvíssaras a quem lhes encontrar a alma perdida. Respire fundo e mergulhe sem medo. Vai ver que estas histórias falam de si.”
Por exemplo, no conto “A Cristaleira em Guarda Conjunta”, um juiz, questionado, um dia, sobre se os móveis, como o nome indica, são feitos para permanecerem no mesmo lugar ou para serem realmente “móveis”, decide colocar os móveis de um casal sem filhos em guarda conjunta, devendo estes passar a estar quinze dias em casa de um e quinze dias em casa do outro. Um assunto sério, no que se refere à guarda partilhada dos filhos, transposta, de forma muito engraçada para os móveis. Não podemos deixar de sorrir quando um elemento do casal refere que os seus móveis são maltratados em casa do antigo cônjuge, porque nem um paninho do pó a “outra lambisgóia” passa por eles. Finge que gosta deles, mas ignora-os, mal ele vira costas.




Toda a história da obra Quando as Girafas Baixam o Pescoço, de Sandro William Junqueira, decorre no lote 19, onde vivem muitas pessoas, cada uma com as suas especificidades: a Mulher Gorda, quer comprar jacintos e a filha, a Rapariga Magra, que aceita tudo menos ficar igual à mãe. O Velho, que sabe que não pode deixar que a morte o apanhe a dormir, enquanto o Homem Desempregado não sabe como saciar a fome a não ser com a memória de refeições passadas. E, entre estes e outros, a vida passa: para uns, traz vinganças e ligações de amor e ódio; para outros, a apatia do que se deixou de sentir. Ao lado, o lote 17, é um buraco à espera de construção - buraco como o das vidas que o observam ao passar.
A história nasce de uma multiplicidade de fragmentos, de pequenos momentos das vidas das várias personagens, como que vistos pelo olhar de alguma entidade distante.
Todos estes momentos estão escritos com a brevidade sintética de quem se cinge ao estritamente essencial. Narram-se os factos, expressam-se os pensamentos e os sentimentos como eles são, sem grandes elaborações nem divagações extensas.
Ao acompanhar tantas personagens num livro tão breve, o autor realça precisamente aquilo que as torna únicas - e, ao mesmo tempo, o que nelas mais desperta interesse, empatia e solidariedade. No fundo, todas estas personagens têm algo de estranho - mas do tipo de estranheza que existe nos recantos mais cruéis da realidade. E, sendo certo que a vida não acaba no fim de uma história, também a história destas personagens não acaba: ficam coisas por dizer, futuros possíveis, bons ou maus. E este ponto de equilíbrio onde tudo termina - pondo fim a algumas coisas, mas deixando tantas outras por dizer - faz um estranho sentido nesta história em que todas as vidas são, por natureza, incompletas.



No país que em mim habito
não há lugar para a hipocrisia,
é um imaginário mundo bonito
de amor, cumplicidade e fantasia.

Neste lugar em que a concórdia mora,
habitam sentimentos que são só meus,
e tudo quanto me magoa, lá fora,
não entra neste meu reino dos céus.

Se assim não fosse destilaria maldade,
não seria,de todo, confiável,
lançaria o meu fel a qualquer oportunidade,
deixaria de ser eu, de ser amável.

Esta dualidade que em nós existe
espera uma brecha para se manifestar,
uma crueldade latente que não desiste
e insiste em de nós se apropriar.

Não quero perder de todo a razão,
e fico quieta no meu vagar,
calando em vão o coração,
que teima sempre em se manifestar.

                                                   Célia Gil


                     (imagem pesquisada em https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=246168)




Rebelo, Tiago (2008). O Último Ano em Luanda. Barcarena: Editorial Presença.


Este romance começa quando, em 1961, a UPA – União dos Povos de Angola, enceta a luta armada pela independência.

Nesta obra descreve-se o início de uma guerra de cerca de treze anos contra os três movimentos de libertação de Angola – o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), o FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola).

Entretanto, em 1974, a revolução em Lisboa apanhou de surpresa centenas de milhares de portugueses que viviam em Angola, provocando a queda do regime em Lisboa, o que levou a que o novo poder desistisse de Angola.

É no meio destes acontecimentos, que nos são apresentadas as personagens deste romance. Nuno e Regina conhecem-se em Lisboa. Regina tem 25 anos, é rebelde e sente uma grande atração pelo perigo. Nuno era um pouco mais velho e tinha fama de marginal. Terá sido este seu lado de enfant terrible que cativou Regina na noite de Lisboa. Para fugir a problemas em que se afundara e decorrentes de negócios escuros, Nuno propõe-lhe a ida para Luanda. E é ali que vivem o seu romance e têm um filho. Quando o ambiente em Angola se torna insustentável, Nuno propõe a Regina que regresse com o filho para Lisboa, por uma questão de segurança. Nuno ficaria e continuaria a utilizar o seu avião para os seus negócios escuros – como o transporte de drogas e o último deles o transporte de armas para a UNITA - que o levariam a pôr a sua vida em risco.

Regina, garantida a tranquilidade do filho em Lisboa, com os pais que, entretanto, já lhe haviam perdoado as suas atitudes levianas, sem notícias de Nuno pelos seus informadores, decide voltar a Luanda determinada a trazer Nuno e é a sua determinação e coragem que conseguem resgatá-lo.

A história é narrada de forma intercalada e situada num momento histórico marcante, quando cerca de trezentos mil portugueses se viram obrigados a deixar tudo em Luanda e a fugir, por via aérea e marítima, para Portugal ou para a África do Sul, deixando tudo para trás – casas, carros, animais, empresas, comércio… Tudo.

É no navio Niassa que Regina e Nuno regressam a Portugal, pouco antes da independência entrar em vigor, em novembro de 1975, com a vitória do MPLA. Entretanto, deixavam para trás um país devastado pela guerra, guerra esta que prosseguiria numa mortífera guerra civil entre o MPLA e a UNITA e que só terminaria em 2002, com a morte de Jonas Savimbi.

Um livro duro, com uma narrativa em que as ações surgem alternadamente, de forma a que se percebam aspetos fulcrais da narrativa no momento em que nos questionamos sobre um qualquer episódio ou personagem. Um livro escrito de forma fluente, mas que exige uma leitura atenta.
                                                                   Célia Gil

Morris, Heather (2018). O Tatuador de Auschwitz. Queluz de Baixo: Editorial Presença.

Hether Morris, a autora de O Tatuador de Auschwitz (livro traduzido por Miguel Romeira) entrevistou um idoso, nos últimos anos da vida deste, momento em que ele acedeu a contar a sua história para que o seu testemunho e passo a citar “ficasse registado” e "jamais torne a acontecer”.

Esta obra conta a história de duas pessoas que se conheceram em circunstâncias terríficas, privadas da liberdade e que vivenciaram todos os horrores do holocausto, em Auschwitz II – Birkenau, entre 1942 e 1945.

Lale, judeu recém-chegado a Auschwitz, é incumbido de tatuar o número de prisioneiro nos braços de todos os que ali chegavam, tornando-se o tetovierer. É neste local, quando tatua Gita, que descobre o amor.

O relato dos tempos passados em Auschwitz é comovedor e avassalador. No meio de tanta tristeza, dor, fome, desespero e morte, Lale é perseverante e continua a acreditar que há de sobreviver. Aprende que a obediência e o silêncio o poderão ajudar a conseguir atingir o seu principal objetivo – continuar vivo.

Trava conhecimento com dois dos homens que foram contratados para ajudar a construir os crematórios, Vítor e Yuri, que começam a trazer-lhe alimentos em troca de jóias e dinheiro, que algumas raparigas que trabalham na triagem do que os prisioneiros levam consigo, lhe dão em troca de comida. Passa a trazer comida e a dividi-la. Entretanto, vai-se desenvolvendo o relacionamento amoroso entre Lale e Gita que, sempre que podem, se encontram às escondidas, por exemplo, quando Lale suborna com comida e jóias a Kapo que tomava conta do edifício em que Gita se encontrava. Lale promete a Gita que, quando saírem dali, farão amor onde e quando quiserem.

Quando são descobertos o dinheiro, as jóias e a comida que escondia debaixo do seu colchão, Lale julgou que seria o seu fim. Foi levado para o bloco 11, onde eram castigados até à morte. Mas, os conhecimentos travados, a coragem de Lale e o amor por Gita são os grandes impulsionadores que o movem para a vida e o levam a trapacear a própria morte.

No entanto, o destino não lhe traz a felicidade de mão beijada, nem mesmo quando, em 1945, se abrem os portões que os encarceraram durante três anos e que testemunharam tantas mortes e sacrilégios. Passa por muitas situações em que entre a vida e a morte existe apenas um ténue fio, uma simples palavra, um gesto irrefletido.

Lale, apesar de não saber se Gita está viva, nem onde se encontra, não desiste de a procurar.
Um amor que resiste a tudo e que os faz acreditar que a felicidade talvez até exista.

Como dizia Gita, mais tarde, ao filho, em momentos mais difíceis das suas vidas “O que importa é estarmos vivos e com saúde; tudo o resto se resolve.”

Foi esse o espírito que os ajudou a reerguer a cada nova queda, sempre que a vida lhes pregou rasteiras.

O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris é um livro emocionante, numa escrita fluida, pungente e cativante.
                                                                                                 Célia Gil


Kawabata, Yasunari (2009).  Terra de Neve. Espanha: Sant Vicenç dels Horts. Biblioteca Sábado.



Em Terra de Neve, de Yasunari Kawabata, que ganhou o prémio Nobel em 1968, traduzido por Armando da Silva Carvalho, o protagonista, Shimamura, viaja de comboio, de Tóquio para um balneário das montanhas, no norte do Japão, com a intenção de descansar nas termas e de se reencontrar com Komako, que conheceu numa viagem anterior e que se teria tornado gueixa para pagar os tratamentos de Yukio, filho de uma professora de música. A relação entre eles prolonga-se durante o tempo em que o livro decorre, e que se concretiza durante as inúmeras viagens que Shimamura faz para estar com ela.

As paisagens, atitudes e acontecimentos são descritos de forma extremamente minuciosa, numa poética observação que o narrador faz constantemente de tudo o que observa, até ao mais ínfimo pormenor. Tudo o que descreve relativamente ao exterior, tem, no interior do protagonista um efeito meditativo, levando-o a empreender várias reflexões. Apesar de se sentir amado, Shimamura não deixa de sentir uma tristeza inexplicável que o domina, uma sensação de que ele e Komako se afastarão inevitavelmente, mais tarde ou mais cedo.

Este livro permite ainda conhecer lugares e tradições da cultura japonesa, imaginar as tecedeiras de chijimi, um raro tecido de uma brancura imaculada feito a partir do “cânhamo colhido nos campos em declive na montanha”, que Shimamura comprava em Tóquio e com que mandava fazer alguns dos seus quimonos de Verão.

Ao longo da história paira a sombra de outra mulher, que Shimamura contempla no reflexo do vidro do comboio, cuja voz o seduz, quando fala e quando canta, Yoko. É uma personagem que não se chega a conhecer bem e que tem um fim dramático. Nunca se chega a saber a relação entre KomaKo, Yoko e Yukio, mistério sobre o qual Komako se recusa a falar. O fim dramático desta mulher é, quanto a mim, simbólico, pois com a morte dela, algo deixa de fazer sentido, perdido o brilho do seu reflexo. Estaria a relação de Shimamura e Komako também condenada?

O ritmo da narrativa é tão lento quanto a descrição é contemplativa, como a própria passagem do tempo nas montanhas. É como se se sentisse, ao ler, o frio, a aragem de uma Terra de Neve a perder de vista, um frio que repele e, ao mesmo tempo, prende e cativa.
                                                                  Célia Gil


Couto, Mia (2018). A Água e a Águia. Alfragide: Editorial Caminho.


No livro A Água e a Águia, escrito por Mia Couto e brilhantemente ilustrado por Danuta Wojciechowska, tudo se passa e passo a citar “quando não era ainda nenhuma vez”, num céu de aves sobre o último rio do mundo.
Quando, certa vez, deixou de chover, a sede invadiu plantas e animais e tudo começou a morrer. Das aves caíam penas secas. Até que a águia mais velha teve uma ideia e, decidida a enfrentar a desgraça, engoliu a letra i da palavra águia e transformou-a na água com que saciou a sua sede. Imitada por todas as aves, começaram a saciar a sede nos iis até que estes acabaram por esgotar, voltando a sede a invadir e a dominar as águias. Sequiosas de letras, mas desconhecendo o alfabeto da vida, lançaram-se a todos os iis, deixando até o rio sem i.
Questionando-se sobre o que é a letra i, depois de muitas sentenças, foi uma avó águia que propôs uma solução que passo a citar “a letra i era uma mulher carregando água na cabeça. O que as águias iriam fazer seria regurgitar essa mulher." E esta águia avó, com as últimas forças que lhe restavam, subiu ao cume da montanha e regurgitou todos os iis que tinha bebido, voltando a encher o rio. Por isso as águias sobrevoam as montanhas e, ao som do seu estridente piar, caem iis como gotas de chuva.
Uma história brilhante pautada pela linguagem poética e metafórica a que já nos habituou Mia Couto. Um livro imperdível!
                                                               Célia Gil
                                                                                           

Ciraolo, Simona (2017). O Rosto da Avó. Lisboa: Orfeu Negro.


Hoje trago uma sugestão um pouco diferente, um livro infantil para ser devorado em todas as idades.

Em O Rosto da Avó, de Simona Ciraolo, traduzido por Rui Lopes, no dia em que uma avó faz anos, questionada pela sua neta sobre a razão por que parece que está um pouco triste e preocupada até, a avó responde que talvez seja devido às linhas do seu rosto. 
Então, a neta decide questioná-la sobre cada uma das linhas do seu rosto e são deliciosas as respostas desta avó cujas memórias estão guardadas em cada ruga, como pequenos cofres que cobrem o seu rosto e o preenchem de vida.
                                                                                          Célia Gil
                                                                                                           

Faria, Rosa Lobato de (2010). Os Três Casamentos de Camilla S. Alfragide: Edições ASA.

     Numa narrativa pessoal, biográfica e emotiva, Os Três Casamentos de Camilla S, de Rosa Lobato de Faria, é um romance envolvente, que cativa não só pela intensidade das vivências narradas pela protagonista, como pela beleza e expressividade da linguagem, num ritmo que envolve e prende desde a primeira página.
     Aos 90 anos, Camilla, entrega à sua neta os seus diários, para que ela os reveja, corrija e os transforme num livro de, e paço a citar, “leitura amena e portuguesa”.
Camilla vive desde cedo com os tios, após a morte precoce dos pais, vítimas de tuberculose. Paca é a sua ama de leite, uma adivinha, mestre em artes da bruxaria, que a cria, a educa e que a acompanha ao longo da sua vida e a quem Camilla considera como a sua verdadeira mãe.
     Aos doze anos, os tios comunicam-lhe que casará com um médico, Monsieur Seabra, de pouco mais de quarenta anos e, de casamento marcado, Camilla apenas questiona se pode levar consigo as suas bonecas.
     Paca ensina-lhe tudo o que Camilla tem de saber sobre o casamento, a puberdade e a entrega ao marido, aconselhando-a a que, para ser feliz, deverá escutar o seu sangue, abrir-se ao mistério e entregar-se ao prazer. O marido, entretanto, aguarda pacientemente que ela se torne numa mulher.
     Quando Camilla faz 15 anos, o marido organiza um baile para a apresentar à sociedade. Nesse baile, Camilla dança com André Sobral, a quem deixa elogiar, cortejar e murmurar o desejo de um encontro no dia seguinte.
     É quando a vê nos braços de outro, que o marido se apercebe que já é uma mulher e que lhe pertence.
     Paca prepara-a para a noite em que Emídio pretende ensiná-la, para que nunca se esqueça, do que significa ser casada.
     Mas terá o seu envolvimento com André terminado, mesmo com o afastamento que se vai impondo entre eles?
     É em Londres que Camilla é mãe pela primeira vez e que perde o marido.
Regressa a Portugal para tentar recuperar a casa da Estrela, quando recebe uma carta a mencionar as dívidas que o marido deixou em Lisboa.
     Começa a trabalhar como pianista para uma modista da época, uma tal Madame Armandine, momento da vida de Camilla de que não se orgulha, mas que contribuiu para o seu amadurecimento.
     Volta a casar, desta feita com Salomão, um engenheiro abastado, com quem também vive um período de felicidade. Tem, entretanto, outro filho, desta vez de André.
     Este acontecimento acaba por levá-la a um divórcio.
     Casa-se, depois de alguns anos, com Alexandre, um antigo amigo da família, sogro do seu filho mais velho, que lhe proporciona uma felicidade serena, um companheirismo, cumplicidade e confiança, levando-a a prescindir da paixão.

     Passo a citar duas passagens nas quais Camilla resume bem o que significaram para ela os seus casamentos e a forma como vivenciou as suas relações:
     “Não sei se conseguirei acabar de contar a minha vida, se é que ela já não se contou a si própria. Mas pelo menos, gostaria de falar dos meus três casamentos porque eles pautam a vivência de três mulheres diferentes que são todas eu. Poderia considerar três ciclos que se interligam e se separam, se sobrepõem e se distinguem, que entre si se criticam, se julgam e se perdoam: o ciclo do sonho, o ciclo do corpo e o ciclo do coração. Espero serenamente o ciclo da alma”.
     “Pensa-se que uma mulher se deita com um homem sempre pelo mesmo motivo, mas não é assim. Há mil razões para uma mulher receber um homem no seu corpo. Ao longo da minha aventurosa vida deitei-me por obrigação, por paixão, por medo, por necessidade, por amor ou por prazer mas nunca, como com o Alexandre, por ternura infinita, por repouso secreto, por procura da paz.”
                                                                               Célia Gil



O livro de contos A Última Colina de Urbano Tavares Rodrigues é daqueles livros que pedem para ser lidos. Realista e crítico, não deixa de conciliar a intervenção social com um lirismo estonteante, bem como a realidade crua e dura com o fantástico, o onírico e um raio de luz a acender os olhos da esperança.

A abrir os contos, “Judas” é um conto que nos fala do confronto entre patrão e funcionários, no qual o patrão tenta convencer Jesualdo a ser seu mediador para com uma multidão em fúria. Jesualdo não se deixa subornar, nem mesmo quando é chamado de Judas por outros funcionários. Acaba por regressar a casa levando apenas na roupa as medalhas de sangue da derrota.
É do meio dos escombros, quando um grupo de jovens tenta socorrer os sobreviventes, após um sismo, que o narrador consegue ver um raio de esperança. Foi preciso um sismo para que em “Um Dia na Vida”, acordassem estes conservadores do seu ceticismo, para um empenho e fraternidade que o narrador pensara já não existirem.
Em “Aquém da Luz”, Jesualdo é um padre que cumpre os rituais de extrema-unção com a mesma aparente dignidade de sempre, apesar de há muito, depois de vastas leituras à margem da igreja, ter deixado de acreditar na religião e ter perdido a fé. Cumpre o ritual com Adosinda, sua iniciadora nos prazeres do corpo; com o Dr. Rego Cortês, um pecador que tentou violar a própria filha; uma mulher idosa que, vítima de maus tratos por parte do marido, confessa que o matou para se libertar. Sente-se dividido entre a repulsa e a solidariedade.
Nem sempre “A Mais Bela do Baile”, título de outro dos contos, acaba por ficar com o príncipe e vive feliz para sempre. Falena casa com um homem que lhe consome a herança no Casino do Estoril e que foge para Las Vegas, deixando-a com dois filhos. Nem sempre se aprende à primeira e Falena volta a envolver-se emocionalmente, desta vez com um homem casado, que acaba por optar pela família quando é descoberto pela mulher. O filho mais velho parte para a Alemanha em busca de riqueza e Falena fica a viver com o filho mais novo, um falhado, que não consegue arranjar emprego estável, vive às custas da mãe, deixa-se consumir pelo álcool e acaba por morrer num acidente.

Estes são apenas 4 dos 36 contos que compõem esta obra onde os nossos olhos descobrem frases tão belas como:
“Estávamos a meio da Primavera, o sol parecia latir nas paredes brancas e o seu peso aquecia-me os ombros”
“Adosinda, deitada de barriga para o ar, na cama baixa e um pouco descomposta, como um cobertor de lã excessivo sobre as ruínas do seu corpo, ergue para Jerónimo uns olhos implorativos”
 “…a divina mãe floresta…é a grande mãe universal, amantíssima consoladora, que por toda a parte se esconde e por vezes se recolhe na claridade dos rios, na névoa que outras vezes palpita nas matas. Ou nos lábios da própria terra gretada.”
“O dia amanheceu triste, com aves naufragando na brancura do espaço e sinais de ausência à minha volta”.

Entre contos que evocam memórias alentejanas, celebram os jubilosos dias de abril, trazem África e o desespero dos tempos coloniais, recordam Lisboa de outros tempos, lembram praias de Raúl Brandão, Urbano também aborda temas intensos como o nazismo, a Inquisição, o lesbianismo, a bruxaria, com um olhar atento, crítico, simultaneamente perplexo, onde a luz e os escombros se encontram e permanece a ideia de que a esperança se pode alcançar, ainda que seja necessário subir até à “Ultima Colina”.
                                                                               Célia Gil


O Tempo Entre Costuras é um romance arrebatador de Maria Dueñas, com uma narrativa de ritmo imparável e que, apesar de extenso (624 páginas), se lê rapidamente, porque prende o leitor logo desde as primeiras linhas.

Num ambiente que contempla a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), somos convidados a conhecer a história de uma jovem espanhola, Sira Quiroga, que trabalha na costura com a mãe, no ateliê da D. Manuela, em Madrid. De casamento marcado, deixa-se envolver por Ramiro, um charmoso vendedor de máquinas de escrever, deixando para trás o noivo. Em pouco tempo, conhece o seu pai, Gonzalo Alvarado, um empresário de sucesso que resolve assumir a filha e lhe dá uma avultada quantia de dinheiro e jóias. Sira, na sua ingenuidade e cegueira de amor, confia tudo ao amante, que acaba por convencê-la a abandonar Madrid e a mãe e a partir com ele para Marrocos.

Em Tânger, depois de momentos envolventes, a relação amorosa começa a esmorecer e Ramiro acaba por fugir com a herança de Sira, deixando-lhe apenas as dívidas. É aqui que, quanto a mim, começa verdadeiramente a história de Sira. As pessoas com que se cruza, depois deste momento, serão determinantes para o seu futuro. Consegue provar que é uma grande costureira, à custa de situações em que acaba por se ver envolvida e que constituem autênticas missões de espionagem. Transforma-se numa mulher madura, segura de si, que pesponta a história ao ritmo dos seus interesses e consoante as circunstâncias com que se vai deparando.


Com excelentes críticas por parte da imprensa, é um livro com mais de um milhão de livros vendidos em Espanha.


                                                                                              Célia Gil 




Sentia-se exausto. Mais uma vez, naquela postura cansada, sentado num banco, com o tronco a abalar-se nos joelhos, vergado pelo sentimento de derrota, pela frustração de quem falha na educação da filha, sabendo-se sozinho, sozinho há demasiados dias a fio, sentiu-se dominado por uma tempestade de lágrimas que o deixou encharcado, por um tufão de suspiros que lhe sorveu as poucas energias que lhe restavam, numa vida que deixara de ter chão e céu.
Pai e mãe, sem ninguém que lhe dissesse o caminho mais certo, as palavras ideais (se as há), aquelas palavras que aquecem, que mudam o rumo dos acontecimentos e criam uma bolha de ar em volta de qualquer tufão de emoções e onde apenas fica o que conforta, o que abraça, Júlio sentiu-se à beira do abismo, dele separado apenas pela sensação de dever, dele separado apenas por uma ínfima sensação de dependência (se é que esta existia para além do que é o estritamente material).
Porventura, fora muito duro, exigindo que fosse sempre boa estudante, que lutasse pelo seu futuro, que fizesse por si.
À procura dos seus erros, na memória dos últimos acontecimentos, Júlio só conseguia ouvir as palavras da filha a ferirem-lhe os ouvidos, deixando um rasto de dor em direção ao coração. “Eu faço o que quero. Quem és tu para me impores isto ou aquilo? Para me dares conselhos? Não vales nada. Não quero saber do que dizes. Não és pai, não és nada. Para ti, sou um empecilho. Eu é que sei da minha vida. Eu é que decido. E, se possível, o contrário daquilo que me dizes, que nada vale.” E tantas outras palavras que os ouvidos de um pai varrem da memória. Isto, entre gritos insolentes, palavras que ferem menos do que o olhar que as acompanha, um olhar de desprezo roçando o nojo, mais que uma chapada, um escarro na cara.
Nessas alturas, cai por terra tudo o que foi, os sacrifícios, o amor incondicional que sempre deu à filha, o quanto trabalhou para que nada lhe faltasse, as horas a passar a sua roupa, a limpar,  sem lhe pedir nada, para que ela não perdesse tempo e estudasse pelo seu futuro. Só nunca tivera consciência de que nesse futuro, ela não o incluía.
Afastados, meses sem se falarem, numa troca de olhares circunstanciais sem sentimento…
Sentado naquele banco, sozinho, agora abraçado aos joelhos, encharcava-se na sua tempestade de emoções. Sentia-se tão inútil, tão vazio… Errara na educação, errara na vida…Errara!

                                                                                                                   Célia Gil

Percorro um rasgo de luz
que embate no meu olhar.
A cada momento,
a cada novo olhar,
tudo se nos oferece,
tudo se nos revela.
À distância
de um olhar atento.
Alento que ilumina o dia,
lhe dá cor,
toque de sabor
a irradiar

luz, em mais um dia cinzento.

(https://unsplash.com/photos/qUFmzR-MKrs)

A zona do interior, onde vivo, tem também, como em todo o meu país, paisagens lindíssimas e de cortar a respiração! Partilho para que possam apreciar!

Monsanto situa-se a nordeste das Terras de Idanha, aninhada na encosta de uma elevação escarpada - o Alcandorada num cabeço que se impõe ao olhar na maior parte dos horizontes, a Aldeia Histórica de Portugal de Monsanto detém um encanto singular, para o que contribuem os dois títulos atribuídos no séc. XX – Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, em 1938, e o de Aldeia Histórica em 1995. Ícone turístico da região, Monsanto é uma experiência peculiar para quem a visita. Concederam-lhe foral D. Afonso Henriques, D. Sancho I, D. Sancho II e D. Manuel. A parte mais antiga está no ponto mais alto, onde os Templários construíram uma cerca com uma torre de homenagem.
Monsanto (Mons Sanctus) - Trata-se de um local muito antigo, onde se regista a presença humana desde o paleolítico. Vestígios arqueológicos dão conta de um castro lusitano e da ocupação romana no denominado campo de S. Lourenço, no sopé do monte. 
In http://www.aldeiashistoricasdeportugal.com/monsanto










Penha Garcia
Na Beira Baixa, a poucos quilómetros de Espanha, uma povoação típica espraia-se pela encosta da serra. A sua posição privilegiada de defesa terá sido um dos motivos da fixação neste lugar de um povoado neolítico, mais tarde transformado num castro lusitano e, depois, numa povoação romana. Mas não terá sido menor a atração exercida durante séculos pela existência de ouro por explorar no leito do rio Pônsul. Hoje, os principais atrativos para quem visita Penha Garcia são, sem dúvida, a vista deslumbrante que rodeia a vila, a originalidade do seu castelo, empoleirado no cimo da penha, e as marcas que a natureza e a história deixaram neste lugar. Venha conhecer esta terra plena de lendas e tradições, com todo o encanto da Beira Baixa.
As muralhas de Penha Garcia
Construído, possivelmente, no reinado de D. Sancho I para ajudar a proteger a fronteira portuguesa das investidas de Leão, o castelo de Penha Garcia foi doado por D. Dinis aos Templários mais de cem anos depois, regressando à posse da coroa no século XVI, com a extinção das ordens.
Vale a pena subir ao cimo da penha para percorrer as imponentes muralhas e observar a magnífica paisagem que rodeia a povoação. As pedras contam-nos a lenda de que, naquele lugar, vagueia ainda o fantasma do antigo alcaide do castelo, D. Garcia. Depois de raptar a filha do governador de Monsanto, D. Branca, o nobre terá sido capturado e condenado à morte. Mas os apelos de D. Branca por misericórdia, valeram-lhe a redução da pena. Condenado a ficar sem um braço, D. Garcia é ainda hoje conhecido por “o decepado”.
Icnofósseis de Penha Garcia – as cobras pintadas
Se o homem deixou a sua marca em Penha Garcia, o mesmo se pode dizer da natureza. Um dos maiores tesouros da povoação encontra-se nas rochas quartzíticas com 490 milhões de anos. No tempo em que todos os continentes estavam unidos em torno do Pólo Sul, os mares eram habitados por organismos invertebrados que se deslocavam nos substratos arenoargilosos, deixando marcas. A essas marcas, que ficaram preservadas nas rochas sedimentares e são visíveis ainda hoje em Penha Garcia, o povo chama as cobras pintadas e os cientistas icnofósseis. E se as gentes de Penha Garcia se habituaram há muito à sua presença, os investigadores continuam a estudá-las, considerando-as um importantíssimo contributo para o conhecimento científico de um passado com milhões de anos.
In http://www.centerofportugal.com/pt/penha-garcia/












Coelho, João Pinto (2017). Os Loucos da Rua Mazur. Alfragide: Leya.


Neste romance, João Pinto Coelho aborda a história de uma comunidade da “rua Mazur”, situada na Polónia, uma sociedade que convivia pacatamente, não fazendo prever a crueldade praticada pelos cristãos em relação aos judeus durante a II Guerra Mundial. O convívio inicial é substituído, de forma perversa, pela denúncia e antissemitismo extremistas, que acontecia entre os polacos, sem que fossem necessários campos de concentração para se viver uma situação infernal de fragmentação da sociedade e de execução.
Uma narrativa que nos prende desde o início e para a qual é necessária alguma concentração, uma vez que vai mudando o espaço, o tempo da ação e os próprios acontecimentos se vão intercalando.
Tudo começa com dois velhos, Yankel, cego, dono de uma livraria em Paris, que só aceitava como amantes quem se transformasse nos seus olhos e lhe prometesse “maratonas de leitura” e Eryk, amigo de infância de Yankel, que o procura para escrever um livro, depois de anos a fio a escrever supostos ensaios do único que queria escrever. Para tal, considera que precisa da ajuda de Yankel que, apesar de cego, teve sempre uma visão mais ampla de todos os momentos e acontecimentos. Apresenta-se na livraria com a sua mulher, Vivianne, a fria editora de Eryk. Mas quem seria mesmo esta Vivianne? EryK está doente e não quer morrer sem se redimir com o livro que quer escrever.
A narrativa, a partir deste momento, passa a ser a duas vozes, a de Yankel, que fala e a de Eryk, que escreve, dando dinamismo e diferentes perspetivas de cada acontecimento.
Eryk decide começar este romance pela inocência e é assim que conhecemos a história de Yankel, Eryk e Shionka, na adolescência. Um triângulo perturbador de amizade e amor. O primeiro, cego e judeu; o segundo, cristão e maquiavélico e a última, uma bela jovem convenientemente muda. E é neste ambiente inocente que começa a ser brilhantemente abordada a história de uma comunidade polaca de shtetl, uma pequena cidade no leste da europa, de cristãos e judeus, de sãos e loucos, que se fragmenta com a invasão de alemães e russos, uma invasão cruel que haveria de a dizimar.
“Quando as cinzas assentaram, ficaram apenas um judeu, um cristão e um livro por escrever.”
Os Loucos da Rua Mazur, prémio Leya 2017, é, sem dúvida, um livro marcante que aconselho vivamente à leitura.
                                                                                                             Célia Gil


Ruiz Zafón, Carlos (2006). A Sombra do Vento. Lisboa: Dom Quixote. 8.ª edição.


Hoje venho sugerir a leitura de A Sombra do Vento, de Ruiz Zafón, um livro intrigante, emocionante e envolvente.  Com um ritmo alucinante, que prende o leitor nas primeiras páginas, é um livro de 507 páginas que apetece ler todo de seguida. A linguagem ora choca o leitor pela forma direta e abrupta como as palavras chicoteiam, ora deleita com a sua poeticidade.
Tudo começa na cidade espanhola de Barcelona, no ano de 1945. Daniel Sempere completou 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir lembrar-se do rosto da mãe, que morrera, o pai dá-lhe um presente inesquecível: certa madrugada, leva-o a um lugar único e que se envolve em mistério, no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. Um lugar desconhecido por quase todos. É uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, de Julián Carax. Este livro desperta em Daniel um enorme encantamento por aquele autor desconhecido e pela obra, que ele descobre ser vasta. Obcecado, Daniel começa então a procurar os restantes livros de Carax e, para sua admiração, descobre que alguém tem queimado regularmente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em mãos pode ser o último existente. E ele logo irá entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível.

Quanto mais o interesse dele pelo livro aumenta, mais coisas estranhas acontecem e mais desconfortáveis ficam as pessoas que conhecem parte do mistério que envolve Carax. Outras personagens como Clara Barceló, Tomaz Aguilar, Beatriz Aguilar, o Inspetor Fumero e Fermín Romero são apresentados, todos contribuem para deixar a história cada vez mais envolvente, mas a personagem que se torna imprescindível para a compreensão do enredo, que deixa a Daniel uma carta esclarecedora antes de morrer, é Nuria Monfort.

Resultado de imagem para a sombra do vento
(Imagem retirada de: https://livretosepensamentos.wordpress.com/2018/04/12/veda-2018-a-sombra-do-vento-carlos-ruiz-zafon/)


                                                                                                         Célia Gil

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Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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