quinta-feira, 11 de outubro de 2012

vida citadina

Célia Gil

(imagem do google)

No fulgor dos dias citadinos
agitam-se passos apressados
e os dias correm
sem destino, desesperados.
Multiplicam-se imagens passageiras
que são logo substituídas por outras,
todas efémeras, derradeiras
imagens sem vida, ocas.
Vagueiam sentimentos nulos de sentido,
sentimentos sem coração.
Cada ser é um ego perdido
na imensidão de uma vida sem razão.
Soltam-se notas e acordes musicais
que perdem rumo nas ondas auditivas,
ecos de quem não ouve mais
e se desvia, em manifestações fingidas.
Cidade nua de memórias,
onde se perde a identidade,
onde não se cultivam histórias...
Onde está a minha verdadeira cidade?
Quero andar sem pressa,
sentir cada cheiro,
analisar cada gesto
e sentir-me em casa.
Quero dizer bom dia, olá, até amanhã,
respirar a minha cidade,
sentir-me em paz
viver sem ansiedade,
ter a minha interioridade.
                                   Célia Gil

Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

11 comentários:

  1. A correria da vida, faz com que nos percamos muitas vezes de nós mesmos...excelente seu poema amiga, adorei.
    Beijos,
    Valéria

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  2. Reproduziste lindamente a cidade, sua perda de identidade, sua frieza de agora. Linda poesia!! beijos,tudo de bom,chica

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  3. Eu já morei em uma cidade pequena qdo era criança, e sinto falta dela. A vida tem ficado difícil nas cidade maiores, pois nos tornamos anônimos.
    Seu poema descreveu bem o que eu sinto tb.
    xoxo

    GOSTO DISTO!

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  4. muito bem descrito querida..
    temos que lutar por nós para não cair nesta frieza..
    beijos

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  5. Querida amiga,

    Meu silencio tem sido longo.

    Mas não tem sido por esquecimento, mas sim por conta dos acontecimentos do dia a dia.

    Quero muito agradecer a sua presença amiga lá no meu cantinho, a qual trás muita alegria para o meu coração.

    Que Deus a abençoe, e realize todos os seus sonhos e projetos.

    Uma linda semana para você coberta de muita paz e Amor!

    Abraço Amigo

    Maria Alice

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  6. Olá Célia,

    Também gostaria de poder respirar a minha cidade, nos moldes de seu lindo poema, mas isto se tornou impossível com o crescimento das cidades e de sua população. Parecemos estranhos em meio à multidão. Não existe calor humano, somente pessoas apressadas, cada um voltado para seus próprios problemas.
    Seu poema é o retrato da vida nas cidades.

    Beijo.

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  7. Célia, vivo numa diminuta cidade do interior do Paraná e por aqui é possível "... andar sem pressa,
    sentir cada cheiro,
    analisar cada gesto
    e sentir-me em casa."

    Amei seu poema, uma preciosidade!
    Beijos

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  8. Olá minha querida Célia! Adorei o poema, super realidade dos nossos dias! Que seu feriado seja incrível e renovador! Afinal, merecemos, né?!
    Mil beijos, saúde e sucesso sempre.
    CoisadeMenina

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  9. Olá,Célia!!!

    Que lindo,minha amiga!!!E que possa ser assim, que possamos ver a verdadeira cidade, com tudo o que há de bom.
    Beijos e meu carinho!!!

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  10. Que lindo Célia!
    É exatamente isso que sinto querida, você escreveu exatamente a ralidade.
    Feliz final de semana e que possamos desfrutar das coisas boas e aprender com as não tão boas de nossa cidade...beijinhos.

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  11. Oi Célia
    Obrigada pela visita e comentário.
    Gostei do poema que fala das mudanças modernas que nos afasta de certos valores.
    As cidades tem alma e elas refletem o seu povo.
    Que possamos 'respirar' as coisas simples e belas por onde passarmos.
    abraços

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