Seon-Ran, Cheon (2026). Mil Tons de Azul. Lisboa: Casa das Letras.
Tradução: Dinis Pires
N.º de páginas: 256
Início da leitura: 01/07/2026
Fim da leitura: 02/07/2027
**SINOPSE WOOK**
"Escondido num barracão, no meio de um ferro-velho, Coli espera pacientemente que alguém o encontre. Sentado no topo de uma pilha de lixo, contempla o céu e as suas maravilhosas tonalidades de azul. Coli é um robô especial. Possui uma poderosa capacidade de observação e algo que o distingue de todos os outros humanoides: a capacidade de sentir emoções.
A sua solidão é interrompida pela chegada de uma jovem fascinada por robôs. Juntos, embarcam numa missão improvável: resgatar Today, uma égua de corrida que, esgotada por uma vida de sobrecarga e competição, está destinada ao matadouro. Para a fazer feliz novamente, traçam um plano extraordinário: inscrevê-la numa última corrida e treiná-la para alcançar o tempo mais lento da sua vida.
Mas, no calor da competição, Coli percebe que Today está a correr demasiado depressa, em sofrimento, e prestes a lesionar-se gravemente. Para salvar a sua amada égua, Coli terá de cometer um último e derradeiro ato de coragem.
Uma história luminosa e inesquecível, Mil Tons de Azul é um hino à nossa Terra e à nossa humanidade, dando voz àqueles que são deixados para trás num mundo acelerado e toxicamente competitivo. Transbordando de esperança e fúria, esta obra mostra-nos, com empatia e ternura, como a amizade, a comunidade e o sacrifício nos podem libertar."
Mil Tons de Azul, da escritora sul-coreana Cheon Seon-Ran, é um romance de ficção científica ao qual não ficamos indiferentes. A autora, que venceu o 4.º Korea Sci-fi Literature Award, um dos prémios mais prestigiados da ficção científica sul-coreana, apresenta-nos uma história que, apesar de falar do futuro, de abordar temas delicados como a substituição do homem pela máquina em grande parte das profissões, o faz com uma humanidade e emoção que nos comovem. Perante a desumanização que vivemos, poderá a máquina ser mais sensível e humana que muitos humanos? Esta obra faz-nos refletir sobre a condição humana, a empatia e a forma como nos relacionamos uns com os outros e com o mundo que nos rodeia. Cheon Seon-Ran convida o leitor a pensar sobre o valor da empatia numa época em que a eficiência parece sobrepor-se às emoções.
A narrativa apresenta-nos Coli, um robô que acompanha uma égua nas suas corridas no hipódromo e que provoca estranheza aos humanos, quando acaricia a égua, tem pena da exaustão em que esta égua explorada se encontra e gosta de contemplar o céu. E, quando pensa em sacrificar-se pela égua, mostra uma sensibilidade, um cuidado e preocupação com o sofrimento do animal, que muitos humanos não possuem.
Apesar de duro, este romance apresenta temas que nos fazem acreditar que há alguma esperança. A amizade, a solidariedade e a capacidade de encontrar beleza nos pequenos gestos revelam-se forças transformadoras, lembrando-nos que ninguém é completo ou suficiente por si só. É precisamente na imperfeição das personagens e na forma como aprendem a confiar umas nas outras que reside uma das maiores qualidades do romance.
Com uma escrita delicada, sensível e envolvente, Cheon Seon-Ran demonstra que a ficção científica pode ser muito mais do que um exercício de imaginação tecnológica. Recomendo.
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