Lopes, Anabela (2026). Castelo de Cartas. Lisboa: Penguin.
N.º de páginas:328
Início da leitura: 26/06/2026
Fim da leitura: 28/06/2026
**SINOPSE WOOK**
"Constança Boaventura sempre acreditou que o Hotel Esperança — o luxuoso refúgio que outrora fora um sanatório — era o seu legado perfeito. Criada pela imponente Alma Boaventura, a avó que lhe deu tudo: educação de elite, estatuto social e um amor firme, embora distante, Constança cresceu convencida de que nada lhe faltava.
Mas o destino começa a rachar essa fachada impecável. Fenómenos inexplicáveis perturbam os quartos do hotel, um apagão mergulha tudo em pânico, a cadela da família desaparece sem deixar rasto e a relação com um celebrado escritor desmorona-se diante dos seus olhos.
É então que o regresso inesperado de um familiar quase esquecido desencadeia revelações perturbadoras. Entre corredores que sussurram histórias antigas e paredes que escondem mais do que memórias, Constança descobre que o passado tem formas engenhosas de regressar.
Enredada entre traumas, segredos e jogos de poder, ela terá de montar o puzzle da própria vida antes que o seu brilhante castelo de cristal se revele, afinal, um frágil castelo de cartas prestes a ruir."
Mas o destino começa a rachar essa fachada impecável. Fenómenos inexplicáveis perturbam os quartos do hotel, um apagão mergulha tudo em pânico, a cadela da família desaparece sem deixar rasto e a relação com um celebrado escritor desmorona-se diante dos seus olhos.
É então que o regresso inesperado de um familiar quase esquecido desencadeia revelações perturbadoras. Entre corredores que sussurram histórias antigas e paredes que escondem mais do que memórias, Constança descobre que o passado tem formas engenhosas de regressar.
Enredada entre traumas, segredos e jogos de poder, ela terá de montar o puzzle da própria vida antes que o seu brilhante castelo de cristal se revele, afinal, um frágil castelo de cartas prestes a ruir."
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Há livros que se distinguem pela forma como conseguem envolver o leitor desde as primeiras páginas, e Castelo de Cartas, de Anabela Lopes, é um desses casos. A autora constrói uma narrativa cativante, marcada por um ritmo equilibrado, uma atmosfera envolvente e uma sucessão de revelações que mantêm a curiosidade sempre desperta.
A história desenrola-se em torno de um antigo hotel de família, um edifício carregado de memórias e de segredos, cuja história remonta a tempos em que terá funcionado como sanatório. O cenário, por si só, revela-se um dos grandes trunfos do romance. Entre corredores silenciosos, histórias por contar e relatos de hóspedes que afirmam ouvir vozes, instala-se uma inquietação subtil que acompanha o leitor ao longo de toda a narrativa.
No centro da história encontramos Constança, herdeira de um legado construído pela avó, Alma, figura marcante que dedicou a vida à gestão do hotel. A relação entre passado e presente assume um papel fundamental no desenvolvimento da obra, levando-nos a refletir sobre o peso das heranças familiares, as expetativas que recaem sobre as novas gerações e a dificuldade de preservar aquilo que outros ergueram antes de nós.
Anabela Lopes demonstra particular habilidade na construção das personagens, conferindo-lhes profundidade e credibilidade. As suas motivações, dúvidas e fragilidades surgem de forma natural, permitindo que o leitor estabeleça uma ligação emocional com o seu percurso. Ao mesmo tempo, a autora sabe dosear a informação, revelando gradualmente os diferentes fios da trama e mantendo o suspense até ao final.
Mais do que uma história de mistério, Castelo de Cartas é também um romance sobre identidade, pertença e escolhas. A metáfora presente no título atravessa toda a narrativa: aquilo que parece sólido e duradouro pode revelar-se surpreendentemente frágil, dependendo das decisões de quem o sustenta. Resta saber quem está disposto a arriscar, quem procura preservar o passado e quem aceita o desafio de construir algo novo sobre alicerces incertos.
Com uma escrita fluida e acessível, capaz de prender a atenção sem recorrer a artifícios desnecessários, Anabela Lopes confirma-se como uma autora que merece ser acompanhada. Castelo de Cartas oferece uma leitura envolvente, repleta de mistério e emoção, que dificilmente deixará indiferentes os apreciadores de ficção contemporânea portuguesa.


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