Amorim, Filipa (2026). A Casa da Falésia. Lisboa: Penguin.
N.º de páginas: 400
Início da leitura: 10/09/2026
Fim da leitura: 13/09/2026
**SINOPSE WOOK**
"Na idílica vila de Santa Cruz, a casa da família Saavedra é um refúgio de elegância e harmonia — ou assim parece. Quando Vasco, o filho mais velho, apresenta finalmente a sua namorada Inês à família, o que deveria ser um verão de celebração transforma-se num pesadelo.
Inês, fascinada pelo mundo sofisticado dos Saavedra e pela bondade da matriarca Madalena, acredita ter encontrado o seu lugar. Mas, na segunda noite que passa na casa, Madalena é encontrada morta — um aparente suicídio que ninguém acredita ser real.
À medida que a Polícia Judiciária e uma jornalista determinada desvendam o caso, segredos enterrados começam a vir à tona. Todos têm algo a esconder. Todos são suspeitos. E Inês verá o seu amor posto à prova quando tiver de escolher entre proteger a família perfeita… ou revelar a verdade."
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Depois de ter lido A Corrente, primeiro livro de Filipa Amorim, e de não ter ficado particularmente convencida com a leitura, confesso que hesitei antes de pegar em A Casa da Falésia. Ainda assim, pareceu-me justo dar uma nova oportunidade à autora, sobretudo por se tratar do seu terceiro livro. E, neste caso, a aposta revelou-se acertada.
Senti neste romance uma evolução clara relativamente ao primeiro livro que li da autora. Algumas das características que então me tinham afastado da narrativa estão aqui bastante mais trabalhadas, dando lugar a uma história mais segura, mais equilibrada e, sobretudo, mais capaz de prender a atenção do leitor.
A Casa da Falésia parte de uma premissa interessante, que rapidamente cria um ambiente de tensão e de expetativa. A história desenvolve-se em torno de um crime e das circunstâncias que o envolvem, mas Filipa Amorim não se limita a conduzir o leitor à descoberta daquilo que aconteceu. Vai introduzindo pistas, suspeitas e diferentes possibilidades, fazendo com que a narrativa avance através de sucessivas dúvidas.
As personagens são também um dos pontos fortes do livro. São suficientemente envolventes para nos interessarmos pelo que lhes acontece e para querermos perceber até que ponto aquilo que nos é mostrado corresponde à realidade. Num thriller, esta relação com as personagens é particularmente importante: não basta existir um mistério; é necessário que o leitor tenha interesse em descobrir o que está por detrás dele. E foi precisamente isso que senti durante a leitura.
Outro aspecto de que gostei foram as reviravoltas. Algumas delas podem não surgir completamente de surpresa para um leitor mais atento, e admito que, a determinada altura, comecei a suspeitar do que poderia estar relacionado com o crime. Isso, contudo, não retirou interesse à leitura. Pelo contrário, fiquei particularmente atento à forma como a autora iria desenvolver essa possibilidade e conduzir a história até à confirmação ou não das minhas suspeitas.
Penso que essa é uma das qualidades do livro: mesmo quando o leitor consegue antecipar uma parte do caminho, continua a existir curiosidade suficiente para querer perceber de que forma a narrativa irá chegar ao destino. O suspense não depende exclusivamente de esconder a resposta, mas também da maneira como as peças vão sendo colocadas e relacionadas.
Há, naturalmente, aspetos que poderiam ser mais aprofundados e momentos em que algumas soluções me pareceram previsíveis. Mas, no conjunto, isso não teve peso suficiente para prejudicar a experiência de leitura. Encontrei um romance mais consistente do que aquele que tinha conhecido em A Corrente e, acima de tudo, encontrei uma autora que me parece ter evoluído na construção da narrativa.
Senti neste romance uma evolução clara relativamente ao primeiro livro que li da autora. Algumas das características que então me tinham afastado da narrativa estão aqui bastante mais trabalhadas, dando lugar a uma história mais segura, mais equilibrada e, sobretudo, mais capaz de prender a atenção do leitor.
A Casa da Falésia parte de uma premissa interessante, que rapidamente cria um ambiente de tensão e de expetativa. A história desenvolve-se em torno de um crime e das circunstâncias que o envolvem, mas Filipa Amorim não se limita a conduzir o leitor à descoberta daquilo que aconteceu. Vai introduzindo pistas, suspeitas e diferentes possibilidades, fazendo com que a narrativa avance através de sucessivas dúvidas.
As personagens são também um dos pontos fortes do livro. São suficientemente envolventes para nos interessarmos pelo que lhes acontece e para querermos perceber até que ponto aquilo que nos é mostrado corresponde à realidade. Num thriller, esta relação com as personagens é particularmente importante: não basta existir um mistério; é necessário que o leitor tenha interesse em descobrir o que está por detrás dele. E foi precisamente isso que senti durante a leitura.
Outro aspecto de que gostei foram as reviravoltas. Algumas delas podem não surgir completamente de surpresa para um leitor mais atento, e admito que, a determinada altura, comecei a suspeitar do que poderia estar relacionado com o crime. Isso, contudo, não retirou interesse à leitura. Pelo contrário, fiquei particularmente atento à forma como a autora iria desenvolver essa possibilidade e conduzir a história até à confirmação ou não das minhas suspeitas.
Penso que essa é uma das qualidades do livro: mesmo quando o leitor consegue antecipar uma parte do caminho, continua a existir curiosidade suficiente para querer perceber de que forma a narrativa irá chegar ao destino. O suspense não depende exclusivamente de esconder a resposta, mas também da maneira como as peças vão sendo colocadas e relacionadas.
Há, naturalmente, aspetos que poderiam ser mais aprofundados e momentos em que algumas soluções me pareceram previsíveis. Mas, no conjunto, isso não teve peso suficiente para prejudicar a experiência de leitura. Encontrei um romance mais consistente do que aquele que tinha conhecido em A Corrente e, acima de tudo, encontrei uma autora que me parece ter evoluído na construção da narrativa.









