Histórias Soltas Presas Dentro de Mim

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Há momentos em que
uma força poderosa,
mágica e secreta
nos empurra para a escrita.
Sossegar emoções?
Acalmar o desassossegado coração?
Deixar fluir a alma?
Não há explicação.
Só sei que...

Há momentos.

Daqueles que não esmorecem,
que nos impulsionam,
arremetendo de um intenso formigueiro
a mão que escreve
e o cérebro que fervilha.
E então
é com a pulsação acelerada,
a alma inflamada,
que me espraio nas folhas em branco,
que me enlaço nas palavras,
me quebranto,
me deixo envolver pela força dos sentimentos.
E tudo porque…

Há momentos!
                                          Célia Gil


(imagem do google)



Um beijo é um gesto sentido,
uma amizade agraciada,
um amor consentido,
uma carícia consumada.
Beijos há muitos…
Beijos da alma a um filho,
daqueles que apertam laços
que nos enchem o peito de amor!
Beijos de incentivo a um amigo,
com o intuito de o acalmar,
de nas quedas o amparar!
Beijos repenicados aos netos,
na bochecha suculenta,
que até a alma alimenta!
Beijos contrariados pela obrigação,
dados por delicadeza e educação,
mas desprovidos de emoção.
Beijos dados ao ser amado,
explosivos, suculentos,
que marcam momentos,
deixando o relógio parado!
Beijos na testa,
que nos lembram os nossos pais,
desses beijos que queremos sempre mais.
Beijos no nariz,
que nos deixam envergonhados
ao falharem por um triz.
Beijos que são sonhos,
dados com as palavras,
sentidos com os olhos,
ouvidos com a alma…

Beijos merecidos, imerecidos,
dados ou por dar,
repentinos, compridos,
doces ou amargos,
suaves ou agressivos,
velhos, novos,
roubados, consentidos.


Beijos são fonte de vida,
manifestações de afecto,
que tornam a alma colorida,
deixando o corpo desperto.


Beijos! Oh, quantos beijos!

                               Célia Gil

Apesar de super ocupada com testes, avaliações intercalares, resolvi começar a escrever um livro. Por isso estarei mais ausente do blog, mas, sempre que puder, dou aqui um pulinho. Não tem ainda título, mas posso adiantar que a protagonista é uma mulher dos seus 30 anos que, um ano após a morte da avó, vai à aldeia dela pôr a casa à venda e desfazer-se das coisas. Porém, é aí que tudo começa. Conheceria ela realmente a enigmática avó Dulce? Estaria preparada para abrir a porta de uma divisão que nunca vira e sobre a qual sempre se questionara? E um sótão que desconhecia? Que surpresas lhe reservara a avó?
Apenas tenho aproveitado os pouquinhos tempos livres que me restam para passear, tratar da minha horta e da casa. Aproveito para deixar algumas fotos da paisagem belíssima que tenho aqui perto de casa, tiradas num destes passeios.
As oliveiras, colhida a azeitona, são agora podadas. Em baixo os campos enchem-se de flores numa primavera antecipada.

O meu Dragão, a aproveitar o passeio, adora andar em cima dos muros!

Árvores com ninhos de cegonhas!

Um céu esplendoroso num final de tarde.


O Filipe, meu filho mais novo, que ainda gosta de passear connosco!

O Hulk, agora com seis meses, cansado da caminhada.

Boa semana e boas inspirações!


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No silêncio atroz da noite,
qualquer pequeno e breve som,
ecoa assim ... monstruosamente,
como um duro maléfico açoite.
Descanso meu cansaço no teu leito,
nas trevas da tua sombria solidão.
De olhos fechados fujo à razão
e em paraísos artificiais me deleito.
Quantas vezes me fazes sofrer,
com recordações que não desejo,
com profecias que não almejo,
momentos que preferia esquecer.
Por entre as paredes do meu ser,
és tu, feiticeira, que me procuras,
me tornas deusa das tuas loucuras,
para depois, ao acordar, sofrer.
Lá fora a noite é fria e escura,
há um vento que sopra longamente
não há luz, vida, gente...
Apenas uma realidade tão dura.
A chuva cai como lanças,
o mocho já nem ecoa o seu canto.
apenas um arrepiante frio, um pranto,
fragmenta meu ser, quebra alianças.
Mas, no fundo, de uma beleza triunfal,
atrais-me com íman poderoso.
Tens um cheiro doce e prazeroso.
Fujo...mas perco-me na Noite fatal!
                                        Célia Gil


Aquele quintal cheira a momentos que passaram, embebidos de naftalina para não se deixarem corroer pelas traças do tempo.
E nesta porta que abro esporadicamente, sempre que preciso de alento, remexo com uma chave preciosa na fechadura velha e ferrugenta, que teima em não se deixar abrir, que é a minha chave, só minha. A chave da minha casa de Luanda. Quando consigo, é uma batalha ganha às traças do tempo. A naftalina dissipa-se para deixar entrar todos os aromas que envolveram a minha infância. Cheira a camarão, a flores, a tremoços, a cerveja, a gasosa, a mangas, a fruta pinha, a mamão, a felicidade, a amor, a carinho, a gente, a suor, a mãe e pai, a água, a vida.
Mas abro a porta muito devagarinho. Quero comprazer-me com cada segundo que me é concedido, com todos os pormenores acessíveis à visão e ao olfacto.
Espreito, pela porta entreaberta, e vejo-me lá, um metro de gente, a saltar, a correr atrás de um cão rafeiro muito esperto, a rir alto e com vontade, a andar de triciclo, a refrescar-me numa mangueira que rega as flores e árvores dos canteiros, a sentar-me ao colo do meu pai, que ri e conversa alegremente. Paro e tento escutar o que dizem nessas conversas. Só ouço pequenos fragmentos de conversas soltas, que não sei precisar, e que não é importante precisar, porque estão felizes e isso é o que importa. Provavelmente contam peripécias do dia-a-dia, pequenos acontecimentos que servem para uma tarde bem passada entre amigos e familiares. Já não interessa o que dizem, só o que sentem e a alegria em que estou. Vejo-nos sair. Escondo-me atrás de um muro alto que se situa perto da porta. Sigo-os, sigo-me de olhos bem abertos, não querendo perder o rumo dos seus passos. Entram num carro azul, um Datsun azul, com muito bom aspecto, e sigo-os. Param junto a uma geladaria, perto de uma rotunda com palmeiras, e entram, alegres e confiantes. Estão felizes.
Regresso, então, ainda enlevada pelas gargalhadas. Hoje bebi uma refrescante limonada de memórias e sinto-me reconfortada e fresca. Guardo a chave no bolso, bem guardada, porque sei que, quando estou triste, preciso dessa chave mágica, para me dar um pouco de acalento aos dias mais cinzentos da minha vida.
                            Célia Gil

(imagem do google)

Durante toda a vida
acumulamos acontecimentos,
colecionamos sentimentos
até que esteja preenchida.
Construímos com eles altos
castelos de ilusão,
enfrentamos sobressaltos
mantendo-os em pé com dedicação.
Se os castelos tendem a desequilibrar-se
amparamo-los, a queda impedindo,
não queremos vê-los desmoronar-se
mas apenas subindo, erigindo...

Mas há um dia em que o vendaval
chega sem sequer avisar,
sem sequer dar sinal
e vira as ilusões de pernas para o ar.
Anos de um lento edificar
que vemos, espalhados pelo chão,
sonhos desfeitos sem nada restar
a não ser a dor da deceção.
E só há de duas uma solução,
escolha difícil, na decisão a tomar,
desistir, ceder, vegetar
ou começar do zero a nossa missão.
Então, há que encarar
o vendaval como uma lição,
o dia a dia será um novo recomeçar,
não o início de uma obrigação.
Para quê erguer novo castelo?
As ilusões não devem ser moldadas.
Para quê viver com excesso de zelo
se as ilusões não se querem aprisionadas?

Cada dia será um novo dia,
um dia para viver a ilusão
que, com um pouco de sabedoria,
voltará a erguer-se do chão.

E quando vier a rajada
do vento da destruição,
descerá em nós qual alvorada
e fará brotar nova ilusão.
Insistente, desprendida, libertada
e preparada, sempre, para nova missão.
                                             Célia Gil



     Até que ponto conhecemos mesmo as pessoas que julgamos conhecer? E será que as pessoas se dão mesmo a conhecer ou têm um alter ego subterfúgio que esconde os seus verdadeiros desejos, anseios e personalidade? E o que é, afinal, a personalidade? Aquela que se expõe perante a sociedade coincidirá com a que é muito íntima, pessoal e intransmissível?
     Quando olho para as pessoas, gostaria de ter o dom de visionar tudo o que não é percetível pela íris dos meus olhos. Gostaria de saber se o pudor, a consciência, a competência que apresentam e exteriorizam corresponde ao que sentem, anseiam e desejam. Mas o ser humano é um mistério e surpreende-nos a cada momento. Nem sempre da melhor forma.
     Por trás de um pai de família responsável e trabalhador não está, sobejas vezes, um ser sexualmente perturbado, um ser mentalmente desorganizado e que apenas consegue manter as aparências graças à sua inteligência?! Quantas vezes os crimes mais macabros, as condutas mais reprováveis, as atitudes mais repreensíveis não estão por detrás de uma figura real ficcionada, aparentemente de caráter íntegro e de conduta irrepreensível?
     Atenção que o "Lobo Mau" dos nossos dias é um indivíduo desequilibrado, mas suficientemente esperto para fazer crer aos que o rodeiam no dia a dia que é um inofensivo amigo do "Capuchinho Vermelho". Inofensivo ao ponto de super proteger, controlar e não se descontrolar, arranjando desculpas pertinentes e plausíveis e estratégias para ser a vítima e fazer do outro a fera, quando deixa entrever as orelhas ou arregala mais os olhos.
     O "Lobo Mau" dos nossos dias é o que percebe de política, fala de cultura, socializa com os vizinhos, acarinha os mais próximos quando é preciso. E repito quando é preciso! A sua afabilidade tem limites e não é despretensiosa. Há sempre o pensar de toda e qualquer atitude, pois nada acontece por acaso.
Por isso, jovens de hoje, cuidado com o "Lobo Mau"!
Célia Gil
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Bandos de gaivotas trespassam a minha cabeça
em voos de um azul petróleo estonteante,
e vejo em cada uma um problema que se libertou
e o céu enche-se de milhares de problemas
que se dissipam e parecem tão ínfimos no vasto horizonte.
Se a humanidade pudesse deitar os seus problemas ao largo,
deixando-os voar na vastidão desse céu de amor,
quem sabe eles não se dissipassem de vez
e se transformassem em estrelas abrilhantando a noite
e iluminando toda a escuridão humana...
Quem sabe...
                                                Célia Gil

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Este meu sentir forte e poderoso
deixa o coração a bater mais forte,
sentir devastador e doloroso
que tantas vezes faz perder o norte.

Alma sedenta de sentimentos,
capaz de virar o mundo do avesso,
em que as recordações viram tormentos.
Ser de memórias eternas possesso.

E esta sede de viver e sentir
nem sempre acalma e adormece o ser
antes no nosso intento persistir

e em cada dia um novo amanhecer,
ansiedade de ficar e fugir
de viver, esquecer, permanecer...
                                      Célia Gil


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Se a saudade chegar
num momento de fragilidade,
não a olhes com a ansiedade,
aproveita para a embalar
até que adormeça
e de ti se esqueça.

Se a tristeza te observar
não lhe ligues,
não a instigues,
que ela acaba por se afastar.
E pelo próprio cansaço
deixará o teu encalço.

Se a vida te decepcionar
não desistas logo à primeira
prossegue com foice certeira
até o objetivo alcançar.
Decepções todos temos,
mas a todas sobrevivemos!
                                   Célia Gil
(imagem do google)

Dias iguais passam inexoravelmente,
rotinas criadas como defesas
para nos sentirmos seguros, sempre!
Mas na vida nada é seguro, não há certezas.
E os dias passam, repetem-se.
A responsabilidade pesa toneladas
na nossa mente. Esquecem-se
as cores de novas alvoradas.
O conceito do inadequado à idade
impede-nos de sermos genuínos,
sobrepondo-se o valor da responsabilidade.
O compromisso com o emprego, 
nem sempre gratificante,
nem sempre estimulante,
torna-o no nosso pior degredo. 
Mas continuamos...
Repetimos rotinas durante toda a vida,
até deixar a vontade bem esquecida.
Porque nos acomodamos.

Ah, ser humano, sempre tão complicado!
Liberta-te da rotina,
não encares como sina
o teu existir triste e cansado.
Vive plenamente,
torna a vida sempre diferente
e verás
que tudo ganhará novo sentido.
E quem sabe, não encontrarás
o alter ego de ti tão perdido.
                                         Célia Gil


Hoje, como estive muito ocupada a estudar o dicionário terminológico da nova gramática (pois estou a fazer uma ação de formação), limitei-me a aspirar, limpar e fiz uma sobremesa muito conhecida, mas com uma variante, menos doce que a habitual, a baba de camelo:
Esta com pepitas de chocolate e caramelo moído

E esta com amêndoas laminadas e caramelo moído

E aqui vai a receita:

4 ovos
1 embalagem de leite condensado cozido
1 pacote de natas.

Misturo as gemas com o leite condensado com um garfo. Bato as claras em castelo. À parte, bato as natas até ficarem durinhas (as agros são fáceis de solidificar). Finalmente, envolvo tudo e o resultado é ótimo! Os meus filhotes e maridão são grandes apreciadores!

Bom apetite!
E uma excelente semana!




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Cozinhar é um ato sensual.
Escolher a receita muito bem,
selecionar os ingredientes,
temperar com ervas aromáticas
com cheiros e sabores diferentes.
É um ato de conquista pelo paladar,
esperar aquele “Mm, que delícia!”
e no teu rosto o prazer espelhar.
E os odores,
as massas lânguidas,
o arroz malandro
constituirão efémeros momentos de prazer
após horas e horas de entrega e dedicação.
E os sons das verduras tenras
a serem cortadas na tábua
juntando-se depois no tacho
numa envolvência indecente
é pura fonte de prazer,
é sensual e envolvente.
O borbulhar
da cebola a refogar,
dos alhos a estalar,
dos assados no forno a crepitar
são sons com cheiro
aos quais nos entregamos sem pensar.
E o preparar do prato
é a arte do paladar
que torna tudo tão apetecível
despoletando a ansiedade de provar.
Cozinhar é uma entrega total,
é esquecer o que nos rodeia,
estar concentrada e alheia
de olhos postos apenas no resultado final.
                                                        Célia Gil


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A terra árida estende-se à minha frente
em montes despidos de folhas e flores.
Por uma gota de água, em tom clemente
contam ao sol os seus maiores temores.

assim estava o coração daquela
que despida das vestes do amor
contemplava perdida essa tela
de secura, solidão e horror.

E o sol, inclemente, queimava
os seus cabelos, searas vastas ...
desilusões de quem amava
sempre as pessoas erradas, nefastas.

Secos os olhos no vazio do deserto,
alonga o olhar em direção ao nada
neles não mora já a madrugada
mas o destino perdido no incerto.

E o seu corpo funde-se na terra,
cinza que jaz  em torno de pedras quentes,
a sua existência é mera quimera,
o que resta de passados ausentes.
                                       Célia Gil



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Perdida nos meus pensamentos
reparo que, quando desperto,
não sei onde estou ao certo,
restam ocos e vazios fragmentos.

Reúno o que resta de mim,
guardo num saco bem fechado.
À proa de um barco apetrechado
parto por esse mar sem fim.

O vento desperta-me no rosto os sentidos,
traz-me de novo à tona da realidade,
não sei do que fujo, se da verdade,
da consciência ou de sonhos perdidos.

Sorvo e absorvo gotículas da água
que guia todos os meus sentidos
e pego no saco de sonhos esquecidos,
ocos e vazios fragmentos libertos de mágoa.

Livre, solta, leve, prossigo a viagem.
E nesta viagem que faço ao meu ser
sinto um novo eu renascer,
um eu que sente a brisa, a água, a aragem!

E tudo o resto é pura miragem!
                                               Célia Gil
Quantos objetos novos podemos recriar! E que bom poder reciclar o que temos em casa, o que nos cansamos de ver!
Uma proposta das professoras de EV e OFA do meu filho mais novo, levou-nos a dar voltas à cabeça para criar algo minimamente útil com objetos reciclados. Lembrei-me então do blog especial da Gil (http://coisasdagil.blogspot.com/ /) que tem sempre propostas maravilhosas e resolvi seguir dois dos seus conselhos. O resultado foi este:
Um quadro feito com objetos guardados: uma tela, tinta castanha e botões de todo o tipo e cor. Ficará muito bem na minha lavandaria por cima da minha velhinha máquina de costura.

E:

com as mangas de uma velha camisa, nasceu esta manguinha para vestir garrafas e que as torna bem mais charmosas, principalmente se for para vestir garrafas de vinho caseiro sem rótulo ou sumos de marca branca.
Para além destes trabalhos, aproveitei a máquina para fazer a bainha a cinco pares de calças do meu marido.
Foi um fim de semana bem atarefado: limpezas, passar a ferro, cozinhar! Enfim...sabem do que estou a falar. Mas ainda houve tempo para andar na minha horta, onde já plantei umas cebolas:
Quase não se veem, mas estão naquele espaço que parece mais vazio!

E os meus bróculos também estão a ficar lindos.

As alfaces já comemos umas quantas e são ótimas:
Esta foi a nossa estreia!

E que bem ficou a acompanhar o pudim de galinha que fiz:
Facílimo: frango refogado, pão de forma sem côdea embebido em leite com duas gemas de ovo e fiambre. Tudo colocado alternadamente numa forma de bolo e eis que é uma delícia, a acompanhar com uma saladinha temperada com azeite caseiro, sal e vinagre de sidra!

Enquanto isso, o meu marido com o Hulk, que já faz cinco meses no dia 7 de Fevereiro, a curtir o solzinho lá fora na relva:

Espero que tenham gostado e desejo uma excelente semana para todos!




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Hoje ousei escrever a letra para um fado! E digo ousei, porquanto penso que seja uma tarefa extremamente difícil. Então, aqui a deixo em homenagem aos nossos grandes fadistas que tornaram o fado em Património da Humanidade.
O nosso fado é triste
E rasa os olhos de água
A todo o bem resiste
E vive da sua mágoa.
A todo o bem resiste
E vive da sua mágoa.

Este fado português
Sofre em silêncio, calado
Este fado que tu vês
É um fado malfadado.
Este fado que tu vês
É um fado malfadado.

E quando a tristeza chora
Mais triste o homem fica
Que até a alegria ignora
Quando o amor lhe suplica.
Que até a alegria ignora
Quando o amor lhe suplica.

Fado que me consomes
Dia e noite sem parar
Não me deixas nem te somes
Alma sempre a atormentar.
Não me deixas nem te somes
Alma sempre a atormentar.

Vai-te fado malfadado
Deixa a alegria entrar
Não feches a porta, ó fado
A felicidade está a chegar.
Não feches a porta, ó fado
A felicidade está a chegar.
                                   Célia Gil
E, por fim, um fado que aprecio muito:


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Há sons que nos preenchem
que iluminam a nossa vida.
Os sons da natureza
em ventos uivantes
ou leves brisas que nos fazem estremecer,
em chuvas torrenciais
ou caindo em pingas cadenciadas,
em cantos de aves
que nos vêm dar os bons dias.
Os sons do amor
na gargalhada inocente dos filhos,
nas suas zangas e birras,
nos seus beijos repenicados;
na porta que abre
quando chegas, meu amor!
Nas palavras que sussurras
aos ouvidos ansiosos de ti.
Os sons da casa
no forno que uiva
para nos deliciar
com um bolo ou um assado;
na cama que range
quando viramos nela o nosso cansaço
ou perpetuamos o nosso abraço
até ao êxtase do amor;
no rádio, na televisão...
Os sons da rua,
dos carros, comboios, bicicletas…
dos cães exigindo atenção
ou pedindo a refeição;
do carrinho cortando a relva;
do peixe ou carne
grelhando na brasa quente.
Os sons do silêncio,
dos momentos em que
precisamos estar a sós connosco,
pensar no futuro,
reviver o passado.
Estes são os sons da minha vida!
                                                      Célia Gil


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Urge fazer uma limpeza a fundo
ao que somos,
àquilo em que nos tornámos.
É preciso começar por esvaziar
gavetas poeirentas de memórias
que nos impedem de sermos felizes.
Arejar as memórias...
Libertarmo-nos das que nos fazem mal,
guardar bem ao fundo as que doem,
deixar à mão as que alentam
e nos dão força para prosseguir.
Há ainda os sentimentos
que é preciso sacudir,
qual tapete poeirento,
os maus sentimentos.
Outros, como o receio e o medo,
podemos reciclá-los,
torná-los em confiança e determinação.
E, com tudo limpo
do que nos faz mal
e faz mal aos outros,
sentir-nos-emos mais leves
e enfrentaremos a vida
com mais convicção!
                           Célia Gil

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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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