Histórias Soltas Presas Dentro de Mim

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(imagem do google)
Onde está a gargalhada genuína
da criança que fui um dia?
Quando foi que o sorriso deixou
de se delinear nos meus lábios?
Não sei ao certo,
mas foi há muito,
há tanto tempo
que nem me recordo bem…
Esse sorriso é hoje imagem difusa,
tela de contornos envelhecidos,
memórias perdidas no tempo…
Mas tenho saudades
do tempo em que a minha alma
tinha razões para sorrir,
em que os meus olhos
tinham o brilho das gargalhadas,
em que todo o meu rosto
era um reflexo de alegria.
Quem me dera que a mágoa
fosse como as palavras,
que a pudesse apagar…
Mas ela entra,
apodera-se de nós
e vem para ficar
escrita na linha da vida
a tinta permanente.

Há que boicotar a mágoa,
apagá-la definitivamente
e procurar o sorriso perdido.
Só assim a gargalhada
voltará a desenhar no rosto
a paz e a felicidade perdidas.
Quem sabe, quem sabe…
                               Célia Gil

(imagem do google)

Suave, solta, sinuosa,
a borboleta bamboleia-se
em celestiais céus cinza.
Soltas asas desenvoltas
contornam canteiros,
refrescam-se em frescas flores,
toque de tule translúcido
que roça rente ao rosto
iluminando a alma leve,
bela borboleta breve…
                               Célia Gil


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(imagem do google)


Não me digas quem devo ser,
qual o melhor caminho a seguir,
como sou quero permanecer,
pronta a sonhar, a me iludir.

Não me digas que não acredite,
que não ouça o que quero ouvir,
que não me entregue, não me dedique
e que não tenho razões para sorrir.

Por que ousas desmoronar
os castelos que sempre erigi?
Como ousas destronar
os sentimentos que eu ergui?

Ante tuas feras realidades
tapo fortemente os meus ouvidos
ignoro de todo essas verdades
e sigo o que me dizem os meus sentidos.
                                                  Célia Gil


(imagem do google)

Em certo momento um feiticeiro
fez com que o "a" se dissolvesse
e tudo ficou escuro, feio e frio.
O i sentou-se no pódio,
fez-se rei do mundo
e deixou-o misterioso e sombrio.
Fino, libertino, invencível,
enterrou o "a" num sítio fundo,
longe de tudo, um sítio perecível.
Logo o u se lhe juntou,
os dois fortes e invencíveis,
ciumentos, funestos,
fúnebres sentimentos difundindo.
E os seres, efémeros,
feridos bem no fundo do seu íntimo,
mortos os bons sentimentos,
sucumbem por vírus mortíferos.
                                            Célia Gil

(uma brincadeira com o "a" como letra proibida)

Onde quer que estejas, pai, sei que me vês, sei que me sorris e guias a minha vida. Aqui deixo os poemas que te escrevi quando adoeceste. Partiste tão jovem, com apenas 49 anos, tendo eu 23 e sinto-o sempre como se fosse hoje.
 

(imagens do google)

Teus olhos tão cansados de existir
poisam nos meus com ternura e carinho,
e na vã aparência de um sorrir,
sofres teus pesadelos tão sozinho!

Uma tragédia desola teu peito,
sonhos, ilusões morrem no teu rosto.
Também é meu esse sonho desfeito.
Também é meu todo o teu desgosto!

Pensa que não estás só, eu estou contigo!
Se quiseres chora em meu colo amigo,
de resto,  incapaz  ante o teu sofrer.

Se pudesse, ouve, tudo faria,
Contigo teu sonho construiria
Assim, só te resta o meu bem-querer!
                                                    Célia Gil
 

Quero gritar ao mundo a minha dor
para assim  aliviar esta tensão,
derramar lágrimas de dissabor
que andam perdidas no meu coração!

Queria ser como Asclépio, feiticeira,
para poder recuperar a vida
e dá-la a quem por ela em vão suplica,
a quem se sente sem eira nem beira.

Assim, resta-me apenas a esperança
ainda que ténue, ainda que vaga,
de poder beijar tua face branca,

ainda que por segundos de angustia.
Erguer os meus grous e flores de astúcia
e libertar-te de tão triste saga.
                                                             Célia Gil
 

É tão doloroso viver sem ti!
No meu peito sinto, apertado, um nó,
e quantas lágrimas por ti verti?!
Agora, meu querido, estou tão só!

Se recordo o passado em que te tinha,
vislumbro a tua imagem já cansada,
a tua dor que também foi minha,
a tua face tão amargurada...

Ah!, poder eu tirar-te à morte fria,
E nos meus braços aquecer teu ser.
Dar vida ao teu corpo que ali jazia,
sangue para em tuas veias correr.

E poder falar-te, acarinhar-te,
contar-te a minha vida, o mundo duro.
Ver-te sorrir, e, sem dores, ouvir-te
dar-me conselhos úteis para o futuro!
                                                    Célia Gil
                                                          

Se, sem dó, me levaste meu pai querido,
leva minh'alma que se t'oferece
Nada em mim mais vive! Só agradece
que recolhas meu ser enlouquecido!

Dói em meu peito o peso das saudades.
Lágrimas de um profundo sentimento,
são vestígios de cruel sofrimento.
É um viver de inúteis ansiedades.

a quem darei o Amor que por Ti sinto?
A minha mão já não aquece a tua,
minhas lágrimas não fazem viver

teu ser por quem sinto carinho infindo.
O meu olhar e minha face nua,
anseia tanto ver-te renascer !
                                                          1993
                                                    Célia Gil



Imagem relacionada
(imagem do google)



Nem sempre é fácil entender
tudo o que digo,
especialmente o que fica por dizer,
porque o que sou,
o caminho que sigo,
nem eu o chego a perceber.
O enigma do eu que me habita
será sempre uma interrogação
a pontuar-me a vida,
a questionar-me em vão.
E quem poderá afirmar
com toda a convicção
que o caminho a trilhar
está apenas na sua mão?
Tudo é incerto, até mesmo eu.
Tudo é mistério, muito mais a vida.
Tudo é incógnita, inclusive o céu.
Tudo é inesperado, até a despedida.
Se o que sou é uma linha insegura
delineada na folha em branco,
o futuro é uma névoa obscura
e o passado a prisão do desencanto.
E se para me encontrar,
tenho de sair de mim,
é a caneta que me irá guiar
nessa busca sem fim.
                               Célia Gil

(imagem do google)


Hoje preciso desabafar contigo,
irmã que nunca tive.
Quero pegar-te na mão,
contar-te como me sinto.
E tu, irmã sonhada,
ficarás acordada
apenas para me ouvir.
Ouvir-me-ás pacientemente,
sorrir-me-ás docemente,
saberás exactamente o que sinto.
Riremos juntas
dos momentos que não tivemos,
partilharemos juntas
os momentos que não vivemos.
E eu nunca mais estarei só.
Já velhinhas,
continuaremos unidas
em histórias fingidas,
por nós ficcionadas,
irmãs, amigas, conhecidas!

                                Célia Gil

                                                    (imagem do Futilish)
Há vazios que nos invadem,
nos preenchem de tal maneira,
que nos perdemos neles.
E quando queremos sair
estamos enlaçados e abraçados por eles,
numa prisão de sentimentos ausentes.
Abomino vazios…
Quero-me grávida de sentimentos e emoções,
sempre prontos a nascer a qualquer momento.
O que quer que seja será sempre melhor,
porque será vida…vitalidade...
Abomino vazios
que nos fazem perder momentos
esquecer quem somos
ignorar para onde caminhamos
e nos invadem, tomando-nos nos braços
preenchendo a mente, esmagando o ser…
Prefiro a consciência, ainda que dura e cruel
a essa prostração improfícua,
a essa antecipação da morte.
Quero viver!
Quero sentir
os músculos, as veias, o sangue,
a lágrima quente, o sorriso espontâneo,
a fome, a sede, a náusea, o desejo…
cada ínfimo acontecimento como se fosse o último…
Quero existir!
                       Célia Gil

(imagem do google)

Os meus olhos moram em profundezas,
nas águas límpidas dos oceanos
e abarcam corais e peixes de todas as cores.
E no mais fundo dos oceanos
moram os meus medos, as minhas incertezas,
escondem-se os meus secretos pavores.
Mas é nessas profundezas
que estão também sonhos guardados,
ilusões delineadas no infinito
em contornos de delicadezas,
sonhos ainda não concretizados
ilusões marcadas em granito
nas rochas dessas profundezas.
                                              Célia Gil

(imagem do google)



Há momentos em que
uma força poderosa,
mágica e secreta
nos empurra para a escrita.
Sossegar emoções?
Acalmar o desassossegado coração?
Deixar fluir a alma?
Não há explicação.
Só sei que...

Há momentos.

Daqueles que não esmorecem,
que nos impulsionam,
arremetendo de um intenso formigueiro
a mão que escreve
e o cérebro que fervilha.
E então
é com a pulsação acelerada,
a alma inflamada,
que me espraio nas folhas em branco,
que me enlaço nas palavras,
me quebranto,
me deixo envolver pela força dos sentimentos.
E tudo porque…

Há momentos!
                                          Célia Gil


(imagem do google)



Um beijo é um gesto sentido,
uma amizade agraciada,
um amor consentido,
uma carícia consumada.
Beijos há muitos…
Beijos da alma a um filho,
daqueles que apertam laços
que nos enchem o peito de amor!
Beijos de incentivo a um amigo,
com o intuito de o acalmar,
de nas quedas o amparar!
Beijos repenicados aos netos,
na bochecha suculenta,
que até a alma alimenta!
Beijos contrariados pela obrigação,
dados por delicadeza e educação,
mas desprovidos de emoção.
Beijos dados ao ser amado,
explosivos, suculentos,
que marcam momentos,
deixando o relógio parado!
Beijos na testa,
que nos lembram os nossos pais,
desses beijos que queremos sempre mais.
Beijos no nariz,
que nos deixam envergonhados
ao falharem por um triz.
Beijos que são sonhos,
dados com as palavras,
sentidos com os olhos,
ouvidos com a alma…

Beijos merecidos, imerecidos,
dados ou por dar,
repentinos, compridos,
doces ou amargos,
suaves ou agressivos,
velhos, novos,
roubados, consentidos.


Beijos são fonte de vida,
manifestações de afecto,
que tornam a alma colorida,
deixando o corpo desperto.


Beijos! Oh, quantos beijos!

                               Célia Gil

Apesar de super ocupada com testes, avaliações intercalares, resolvi começar a escrever um livro. Por isso estarei mais ausente do blog, mas, sempre que puder, dou aqui um pulinho. Não tem ainda título, mas posso adiantar que a protagonista é uma mulher dos seus 30 anos que, um ano após a morte da avó, vai à aldeia dela pôr a casa à venda e desfazer-se das coisas. Porém, é aí que tudo começa. Conheceria ela realmente a enigmática avó Dulce? Estaria preparada para abrir a porta de uma divisão que nunca vira e sobre a qual sempre se questionara? E um sótão que desconhecia? Que surpresas lhe reservara a avó?
Apenas tenho aproveitado os pouquinhos tempos livres que me restam para passear, tratar da minha horta e da casa. Aproveito para deixar algumas fotos da paisagem belíssima que tenho aqui perto de casa, tiradas num destes passeios.
As oliveiras, colhida a azeitona, são agora podadas. Em baixo os campos enchem-se de flores numa primavera antecipada.

O meu Dragão, a aproveitar o passeio, adora andar em cima dos muros!

Árvores com ninhos de cegonhas!

Um céu esplendoroso num final de tarde.


O Filipe, meu filho mais novo, que ainda gosta de passear connosco!

O Hulk, agora com seis meses, cansado da caminhada.

Boa semana e boas inspirações!


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(imagem do google)
No silêncio atroz da noite,
qualquer pequeno e breve som,
ecoa assim ... monstruosamente,
como um duro maléfico açoite.
Descanso meu cansaço no teu leito,
nas trevas da tua sombria solidão.
De olhos fechados fujo à razão
e em paraísos artificiais me deleito.
Quantas vezes me fazes sofrer,
com recordações que não desejo,
com profecias que não almejo,
momentos que preferia esquecer.
Por entre as paredes do meu ser,
és tu, feiticeira, que me procuras,
me tornas deusa das tuas loucuras,
para depois, ao acordar, sofrer.
Lá fora a noite é fria e escura,
há um vento que sopra longamente
não há luz, vida, gente...
Apenas uma realidade tão dura.
A chuva cai como lanças,
o mocho já nem ecoa o seu canto.
apenas um arrepiante frio, um pranto,
fragmenta meu ser, quebra alianças.
Mas, no fundo, de uma beleza triunfal,
atrais-me com íman poderoso.
Tens um cheiro doce e prazeroso.
Fujo...mas perco-me na Noite fatal!
                                        Célia Gil


Aquele quintal cheira a momentos que passaram, embebidos de naftalina para não se deixarem corroer pelas traças do tempo.
E nesta porta que abro esporadicamente, sempre que preciso de alento, remexo com uma chave preciosa na fechadura velha e ferrugenta, que teima em não se deixar abrir, que é a minha chave, só minha. A chave da minha casa de Luanda. Quando consigo, é uma batalha ganha às traças do tempo. A naftalina dissipa-se para deixar entrar todos os aromas que envolveram a minha infância. Cheira a camarão, a flores, a tremoços, a cerveja, a gasosa, a mangas, a fruta pinha, a mamão, a felicidade, a amor, a carinho, a gente, a suor, a mãe e pai, a água, a vida.
Mas abro a porta muito devagarinho. Quero comprazer-me com cada segundo que me é concedido, com todos os pormenores acessíveis à visão e ao olfacto.
Espreito, pela porta entreaberta, e vejo-me lá, um metro de gente, a saltar, a correr atrás de um cão rafeiro muito esperto, a rir alto e com vontade, a andar de triciclo, a refrescar-me numa mangueira que rega as flores e árvores dos canteiros, a sentar-me ao colo do meu pai, que ri e conversa alegremente. Paro e tento escutar o que dizem nessas conversas. Só ouço pequenos fragmentos de conversas soltas, que não sei precisar, e que não é importante precisar, porque estão felizes e isso é o que importa. Provavelmente contam peripécias do dia-a-dia, pequenos acontecimentos que servem para uma tarde bem passada entre amigos e familiares. Já não interessa o que dizem, só o que sentem e a alegria em que estou. Vejo-nos sair. Escondo-me atrás de um muro alto que se situa perto da porta. Sigo-os, sigo-me de olhos bem abertos, não querendo perder o rumo dos seus passos. Entram num carro azul, um Datsun azul, com muito bom aspecto, e sigo-os. Param junto a uma geladaria, perto de uma rotunda com palmeiras, e entram, alegres e confiantes. Estão felizes.
Regresso, então, ainda enlevada pelas gargalhadas. Hoje bebi uma refrescante limonada de memórias e sinto-me reconfortada e fresca. Guardo a chave no bolso, bem guardada, porque sei que, quando estou triste, preciso dessa chave mágica, para me dar um pouco de acalento aos dias mais cinzentos da minha vida.
                            Célia Gil

(imagem do google)

Durante toda a vida
acumulamos acontecimentos,
colecionamos sentimentos
até que esteja preenchida.
Construímos com eles altos
castelos de ilusão,
enfrentamos sobressaltos
mantendo-os em pé com dedicação.
Se os castelos tendem a desequilibrar-se
amparamo-los, a queda impedindo,
não queremos vê-los desmoronar-se
mas apenas subindo, erigindo...

Mas há um dia em que o vendaval
chega sem sequer avisar,
sem sequer dar sinal
e vira as ilusões de pernas para o ar.
Anos de um lento edificar
que vemos, espalhados pelo chão,
sonhos desfeitos sem nada restar
a não ser a dor da deceção.
E só há de duas uma solução,
escolha difícil, na decisão a tomar,
desistir, ceder, vegetar
ou começar do zero a nossa missão.
Então, há que encarar
o vendaval como uma lição,
o dia a dia será um novo recomeçar,
não o início de uma obrigação.
Para quê erguer novo castelo?
As ilusões não devem ser moldadas.
Para quê viver com excesso de zelo
se as ilusões não se querem aprisionadas?

Cada dia será um novo dia,
um dia para viver a ilusão
que, com um pouco de sabedoria,
voltará a erguer-se do chão.

E quando vier a rajada
do vento da destruição,
descerá em nós qual alvorada
e fará brotar nova ilusão.
Insistente, desprendida, libertada
e preparada, sempre, para nova missão.
                                             Célia Gil



     Até que ponto conhecemos mesmo as pessoas que julgamos conhecer? E será que as pessoas se dão mesmo a conhecer ou têm um alter ego subterfúgio que esconde os seus verdadeiros desejos, anseios e personalidade? E o que é, afinal, a personalidade? Aquela que se expõe perante a sociedade coincidirá com a que é muito íntima, pessoal e intransmissível?
     Quando olho para as pessoas, gostaria de ter o dom de visionar tudo o que não é percetível pela íris dos meus olhos. Gostaria de saber se o pudor, a consciência, a competência que apresentam e exteriorizam corresponde ao que sentem, anseiam e desejam. Mas o ser humano é um mistério e surpreende-nos a cada momento. Nem sempre da melhor forma.
     Por trás de um pai de família responsável e trabalhador não está, sobejas vezes, um ser sexualmente perturbado, um ser mentalmente desorganizado e que apenas consegue manter as aparências graças à sua inteligência?! Quantas vezes os crimes mais macabros, as condutas mais reprováveis, as atitudes mais repreensíveis não estão por detrás de uma figura real ficcionada, aparentemente de caráter íntegro e de conduta irrepreensível?
     Atenção que o "Lobo Mau" dos nossos dias é um indivíduo desequilibrado, mas suficientemente esperto para fazer crer aos que o rodeiam no dia a dia que é um inofensivo amigo do "Capuchinho Vermelho". Inofensivo ao ponto de super proteger, controlar e não se descontrolar, arranjando desculpas pertinentes e plausíveis e estratégias para ser a vítima e fazer do outro a fera, quando deixa entrever as orelhas ou arregala mais os olhos.
     O "Lobo Mau" dos nossos dias é o que percebe de política, fala de cultura, socializa com os vizinhos, acarinha os mais próximos quando é preciso. E repito quando é preciso! A sua afabilidade tem limites e não é despretensiosa. Há sempre o pensar de toda e qualquer atitude, pois nada acontece por acaso.
Por isso, jovens de hoje, cuidado com o "Lobo Mau"!
Célia Gil
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(imagem do google)



Bandos de gaivotas trespassam a minha cabeça
em voos de um azul petróleo estonteante,
e vejo em cada uma um problema que se libertou
e o céu enche-se de milhares de problemas
que se dissipam e parecem tão ínfimos no vasto horizonte.
Se a humanidade pudesse deitar os seus problemas ao largo,
deixando-os voar na vastidão desse céu de amor,
quem sabe eles não se dissipassem de vez
e se transformassem em estrelas abrilhantando a noite
e iluminando toda a escuridão humana...
Quem sabe...
                                                Célia Gil

(imagem do google)

Este meu sentir forte e poderoso
deixa o coração a bater mais forte,
sentir devastador e doloroso
que tantas vezes faz perder o norte.

Alma sedenta de sentimentos,
capaz de virar o mundo do avesso,
em que as recordações viram tormentos.
Ser de memórias eternas possesso.

E esta sede de viver e sentir
nem sempre acalma e adormece o ser
antes no nosso intento persistir

e em cada dia um novo amanhecer,
ansiedade de ficar e fugir
de viver, esquecer, permanecer...
                                      Célia Gil


(imagem do google)


Se a saudade chegar
num momento de fragilidade,
não a olhes com a ansiedade,
aproveita para a embalar
até que adormeça
e de ti se esqueça.

Se a tristeza te observar
não lhe ligues,
não a instigues,
que ela acaba por se afastar.
E pelo próprio cansaço
deixará o teu encalço.

Se a vida te decepcionar
não desistas logo à primeira
prossegue com foice certeira
até o objetivo alcançar.
Decepções todos temos,
mas a todas sobrevivemos!
                                   Célia Gil
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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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