Isaac, Maria (2025). As Histórias Que Nos Matam. Porto: Porto Editora.
N.º de páginas: 248
Início da leitura: 17/03/2026
Fim da leitura: 20/03/2026
**SINOPSE WOOK**
"Amor é um sonho que ninguém esquece.
Miguel Godói viveu um casamento feliz, que deveria ter durado para sempre. Mas acidentes acontecem, as histórias mudam, os heróis também morrem, e até os casamentos felizes chegam ao fim. Agora sozinho numa vida que não escolheu para si, aprende a conviver com as limitações de um corpo partido e mal emendado, com uma epilepsia peculiar que o tornou num doente crónico, e a fazer sentido do mundo entre as suas memórias imperfeitas. Numa manhã de inverno, Miguel conhece uma misteriosa criança que o leva até a uma casa desconhecida na Madragoa à procura de respostas sobre o livro enigmático que chegou às suas mãos. O que lá encontra, porém, são ainda mais perguntas e uma possibilidade inesperada: um novo amor por uma mulher. Perdido há demasiado tempo no lugar-comum do sofrimento, onde as dores familiares transformam a nostalgia na escolha preferencial, Miguel Godói enfrentará agora a vertigem de alcançar uma esperança até aqui desconhecida."
Miguel Godói viveu um casamento feliz, que deveria ter durado para sempre. Mas acidentes acontecem, as histórias mudam, os heróis também morrem, e até os casamentos felizes chegam ao fim. Agora sozinho numa vida que não escolheu para si, aprende a conviver com as limitações de um corpo partido e mal emendado, com uma epilepsia peculiar que o tornou num doente crónico, e a fazer sentido do mundo entre as suas memórias imperfeitas. Numa manhã de inverno, Miguel conhece uma misteriosa criança que o leva até a uma casa desconhecida na Madragoa à procura de respostas sobre o livro enigmático que chegou às suas mãos. O que lá encontra, porém, são ainda mais perguntas e uma possibilidade inesperada: um novo amor por uma mulher. Perdido há demasiado tempo no lugar-comum do sofrimento, onde as dores familiares transformam a nostalgia na escolha preferencial, Miguel Godói enfrentará agora a vertigem de alcançar uma esperança até aqui desconhecida."
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As Histórias Que Nos Matam, de Maria Isaac, apresenta-se como um romance profundamente introspetivo, centrado na figura de Miguel Godói, um homem comum, cuja vida sofre uma rutura total, na Lisboa dos anos 90. Até ao momento do acidente que o marca física e psicologicamente, Miguel vive numa aparente estabilidade emocional e afetiva; contudo, a partir desse ponto, nós, leitores, somos conduzidos por uma narrativa fragmentada, que espelha as próprias falhas de memória e a desorientação do protagonista.
A obra constrói-se, em grande medida, a partir desse estado de suspensão: entre o que foi e o que resta, entre a memória e a sua erosão. As sequelas do acidente, dores crónicas, lapsos de memória, epilepsia, não são apenas elementos clínicos, mas dispositivos narrativos que moldam a estrutura do texto. A perda da companheira e, posteriormente, do emprego, acentuam esse vazio existencial, empurrando Miguel para um processo de reconstrução identitária que nunca se revela linear ou plenamente resolvido.
Um dos aspetos mais marcantes do romance é precisamente a forma como Maria Isaac trabalha a memória enquanto matéria instável e falível. O leitor é colocado dentro de um verdadeiro labirinto, onde as recordações surgem dispersas, repetidas ou contraditórias, exigindo uma leitura atenta e, por vezes, reiterada. Este efeito, embora coerente com o universo interno da personagem, pode revelar-se desafiante: há momentos em que a narrativa se torna densa e algo confusa, obrigando a recuos frequentes para recompor o fio condutor, sobretudo na parte final, onde a ambiguidade se intensifica.
Essa dificuldade de “sincronização” com o texto não diminui, no entanto, o mérito literário da obra. Pelo contrário, evidencia uma opção estética deliberada, que privilegia a experiência subjetiva em detrimento de uma linearidade confortável. Ainda assim, é legítimo reconhecer que tal escolha pode afastar alguns leitores, mesmo aqueles familiarizados e, à partida, recetivos ao universo da autora.


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