Feeney, Alice (2026). A Mulher do Meu Marido. Lisboa: Cultura Editora.
Tradução: Nuno Carvalho
N.º de páginas: 320
N.º de páginas: 320
Início da leitura: 12/08/2026
Fim da leitura: 13/08/2026
**SINOPSE WOOK**
"Eden Fox, uma artista na iminência de alcançar o patamar de sucesso a que almeja, sai para uma corrida antes da sua primeira exposição. Quando regressa à habitação para a qual se mudou recentemente, a Spyglass, uma encantadora casa antiga na bonita vila costeira de Hope Falls, nada está como deveria estar. A sua chave não abre a porta. Uma mulher, assustadoramente parecida com ela, é quem lhe aparece à entrada. E o seu marido insiste que a estranha é a esposa dele.
Seis meses antes, uma londrina reclusa chamada Birdy, abalada por um diagnóstico que lhe mudou a vida, herdara a Spyglass, um inesperado presente de uma avó.
Entretanto, Birdy toma conhecimento de uma obscura clínica em Londres, que afirma ser capaz de prever a data da morte de qualquer pessoa. Segredos começam a desvendar-se e, à medida que a linha entre a verdade e a mentira se esbate, Birdy sente-se compelida a corrigir erros do passado.
A Mulher do Meu Marido é uma teia emaranhada de engano, obsessão e mistério que manterá o leitor na expetativa até à última página."
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A Mulher do Meu Marido, de Alice Feeney, parte de uma premissa que dificilmente deixa o leitor indiferente: uma mulher regressa a casa e depara-se com outra mulher que se parece consigo, enquanto o próprio marido insiste que é a desconhecida quem ocupa legitimamente aquele lugar. A partir daqui, a autora constrói uma narrativa assente na dúvida, na identidade e na dificuldade de distinguir a verdade da mentira, acrescentando diferentes linhas narrativas e segredos que vão sendo revelados ao longo do livro.
O início foi, para mim, o ponto mais forte do romance. Alice Feeney consegue criar desde cedo uma atmosfera de inquietação e estranheza que desperta a curiosidade e torna difícil pousar o livro. A premissa é suficientemente intrigante para nos levar a querer perceber o que está realmente por detrás daquela situação, e a autora sabe dosear a informação de forma a manter o leitor envolvido. A escrita é fluida, acessível e eficaz, contribuindo para um ritmo que funciona particularmente bem nas primeiras páginas.
No entanto, à medida que a história avança, a minha relação com o livro foi mudando. A determinada altura, as reviravoltas começam a suceder-se com maior frequência e algumas acabaram por me parecer excessivamente construídas. Se inicialmente cada revelação acrescentava tensão e levantava novas questões, mais para a frente tive a sensação de que a narrativa procurava surpreender a qualquer custo. Algumas escolhas deixaram de me parecer tão naturais dentro da história e acabaram por retirar algum impacto às próprias surpresas.
É precisamente aqui que senti que a autora forçou um pouco a narrativa. Alice Feeney demonstra domínio dos mecanismos do thriller psicológico e sabe jogar com as expetativas do leitor, mas nem todas as reviravoltas tiveram, para mim, o mesmo efeito. Em vez de reforçarem a história, algumas pareceram complicá-la, tornando o enredo menos convincente do que prometia ser no início.
O desfecho acabou por seguir essa mesma linha. Sem revelar demasiado, diria apenas que esperava que algumas das peças se encaixassem de outra forma. O final não me desagradou apenas por ser inesperado, mas porque senti que determinadas soluções não tiveram a força necessária para justificar todo o caminho percorrido até lá.
O início foi, para mim, o ponto mais forte do romance. Alice Feeney consegue criar desde cedo uma atmosfera de inquietação e estranheza que desperta a curiosidade e torna difícil pousar o livro. A premissa é suficientemente intrigante para nos levar a querer perceber o que está realmente por detrás daquela situação, e a autora sabe dosear a informação de forma a manter o leitor envolvido. A escrita é fluida, acessível e eficaz, contribuindo para um ritmo que funciona particularmente bem nas primeiras páginas.
No entanto, à medida que a história avança, a minha relação com o livro foi mudando. A determinada altura, as reviravoltas começam a suceder-se com maior frequência e algumas acabaram por me parecer excessivamente construídas. Se inicialmente cada revelação acrescentava tensão e levantava novas questões, mais para a frente tive a sensação de que a narrativa procurava surpreender a qualquer custo. Algumas escolhas deixaram de me parecer tão naturais dentro da história e acabaram por retirar algum impacto às próprias surpresas.
É precisamente aqui que senti que a autora forçou um pouco a narrativa. Alice Feeney demonstra domínio dos mecanismos do thriller psicológico e sabe jogar com as expetativas do leitor, mas nem todas as reviravoltas tiveram, para mim, o mesmo efeito. Em vez de reforçarem a história, algumas pareceram complicá-la, tornando o enredo menos convincente do que prometia ser no início.
O desfecho acabou por seguir essa mesma linha. Sem revelar demasiado, diria apenas que esperava que algumas das peças se encaixassem de outra forma. O final não me desagradou apenas por ser inesperado, mas porque senti que determinadas soluções não tiveram a força necessária para justificar todo o caminho percorrido até lá.


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