A Minha Mamã Está na América e Encontrou o Buffalo Bill, Jean Regnaud e Émile Bravo
Regnaud, Jean e Bravo, Émile (2024). A Minha Mamã está na América e encontrou o Buffalo Bill. Alfragide: Edições ASA.
Tradução: Maria Rita Furtado
N.º de páginas: 120
Início da leitura: 13/09/2026
Fim da leitura: 14/09/2026
**SINOPSE WOOK**
"No arranque de um ano letivo, algures numa aula do ciclo preparatório, a professora pergunta aos alunos qual era a profissão dos seus pais.
Meu pai era chefe, mas minha mãe?
Eu não sabia nada sobre ela. Qual era o trabalho dela? O que ela parecia? Onde ela morava? Nem tão pouco sabia aonde ela andava.
Quando somos crianças, não gostamos de ser diferentes dos outros. Esta é a história de Jean Regnaud, um menino amoroso que desde cedo ficou sem mãe. Com toda a sua modéstia, a história é nos contada com ajuda do traço de Émile Bravo, onde é possível fazer as pessoas rirem sem qualquer cinismo, mas ao mesmo tempo comovê-las pela força do drama.
A não perder!"
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A Minha Mamã Está na América e Encontrou o Buffalo Bill, de Jean Regnaud e Émile Bravo, é um livro que aborda temas difíceis sem se tornar pesado. Sob a aparência de uma história simples, acompanhamos Jean, um menino que vive com uma ausência que não consegue compreender inteiramente e sobre a qual os adultos parecem não querer falar.
Jean não sabe onde está a mãe nem o que lhe aconteceu. Na escola, quando surgem perguntas sobre a família, encontra maneiras de contornar as respostas e de esconder aquilo que não sabe. É uma forma de se proteger, mas também de preservar uma realidade que criou para si próprio. Quando uma amiga, Michèle Meunier, lhe pergunta pela mãe, Jean responde que ela está a viajar. A partir daí, essa explicação ganha vida através dos postais que Michèle começa a escrever-lhe, fingindo que são enviados pela mãe a partir dos mais variados lugares.
É através deste olhar infantil que os autores conseguem abordar assuntos particularmente delicados: a ausência, o luto e a dificuldade em compreender aquilo que os adultos muitas vezes não conseguem ou não querem explicar. Nós, leitores, percebemos a dimensão daquilo que está a acontecer, mas a narrativa permanece próxima da forma como uma criança interpreta o mundo: através da imaginação, das pequenas mentiras, das brincadeiras e da necessidade de encontrar respostas para aquilo que não entende.
Um dos aspetos de que mais gostei foi precisamente essa diferença entre aquilo que Jean sabe e aquilo que nós, enquanto leitores, conseguimos perceber. A sua perspetiva é limitada, como seria natural numa criança, e é essa limitação que torna a história ainda mais tocante. Há coisas que não são ditas diretamente, mas que se tornam claras através dos gestos, dos silêncios e das situações aparentemente banais.
Também a relação entre Jean e Michèle me pareceu particularmente bonita. A amizade surge de uma forma simples e espontânea, mas acaba por assumir uma importância muito maior. Os postais que Michèle inventa são uma tentativa infantil de ajudar o amigo, de preencher uma ausência que não compreende completamente e, talvez, de lhe permitir continuar a acreditar numa mãe que está ausente. É uma demonstração de afeto que, apesar de ingénua, revela uma grande generosidade.
A novela gráfica consegue, assim, falar sobre o luto sem se centrar apenas na tristeza. Fala também sobre a amizade, sobre a imaginação como mecanismo de defesa e sobre a forma como as crianças encontram os seus próprios caminhos para lidar com situações que estão muito para além da sua capacidade de compreensão. E fá-lo com uma delicadeza que me agradou particularmente.
As ilustrações de Émile Bravo acompanham muito bem este universo. Há nelas uma aparente simplicidade que combina com o olhar infantil de Jean, mas que não impede que determinados momentos adquiram uma enorme força emocional. Texto e imagem complementam-se sem necessidade de explicar demasiado, deixando espaço para que o leitor complete aquilo que não é dito.
Gostei muito desta leitura. Pela história, naturalmente, mas sobretudo pela delicadeza com que Jean Regnaud e Émile Bravo tratam temas como o luto, a amizade e a superação dos medos.
Jean não sabe onde está a mãe nem o que lhe aconteceu. Na escola, quando surgem perguntas sobre a família, encontra maneiras de contornar as respostas e de esconder aquilo que não sabe. É uma forma de se proteger, mas também de preservar uma realidade que criou para si próprio. Quando uma amiga, Michèle Meunier, lhe pergunta pela mãe, Jean responde que ela está a viajar. A partir daí, essa explicação ganha vida através dos postais que Michèle começa a escrever-lhe, fingindo que são enviados pela mãe a partir dos mais variados lugares.
É através deste olhar infantil que os autores conseguem abordar assuntos particularmente delicados: a ausência, o luto e a dificuldade em compreender aquilo que os adultos muitas vezes não conseguem ou não querem explicar. Nós, leitores, percebemos a dimensão daquilo que está a acontecer, mas a narrativa permanece próxima da forma como uma criança interpreta o mundo: através da imaginação, das pequenas mentiras, das brincadeiras e da necessidade de encontrar respostas para aquilo que não entende.
Um dos aspetos de que mais gostei foi precisamente essa diferença entre aquilo que Jean sabe e aquilo que nós, enquanto leitores, conseguimos perceber. A sua perspetiva é limitada, como seria natural numa criança, e é essa limitação que torna a história ainda mais tocante. Há coisas que não são ditas diretamente, mas que se tornam claras através dos gestos, dos silêncios e das situações aparentemente banais.
Também a relação entre Jean e Michèle me pareceu particularmente bonita. A amizade surge de uma forma simples e espontânea, mas acaba por assumir uma importância muito maior. Os postais que Michèle inventa são uma tentativa infantil de ajudar o amigo, de preencher uma ausência que não compreende completamente e, talvez, de lhe permitir continuar a acreditar numa mãe que está ausente. É uma demonstração de afeto que, apesar de ingénua, revela uma grande generosidade.
A novela gráfica consegue, assim, falar sobre o luto sem se centrar apenas na tristeza. Fala também sobre a amizade, sobre a imaginação como mecanismo de defesa e sobre a forma como as crianças encontram os seus próprios caminhos para lidar com situações que estão muito para além da sua capacidade de compreensão. E fá-lo com uma delicadeza que me agradou particularmente.
As ilustrações de Émile Bravo acompanham muito bem este universo. Há nelas uma aparente simplicidade que combina com o olhar infantil de Jean, mas que não impede que determinados momentos adquiram uma enorme força emocional. Texto e imagem complementam-se sem necessidade de explicar demasiado, deixando espaço para que o leitor complete aquilo que não é dito.
Gostei muito desta leitura. Pela história, naturalmente, mas sobretudo pela delicadeza com que Jean Regnaud e Émile Bravo tratam temas como o luto, a amizade e a superação dos medos.
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