Brandão, Sara Duarte (2025). Quem Tem Medo dos Santos da Casa. Lisboa: Dom Quixote.
N.º de páginas: 240
Início da leitura: 27/10/2026
Fim da leitura: 31/10/2026
**SINOPSE WOOK**
"Esta é a história de Maria Teresa, uma mulher que cresceu numa pequena vila piscatória entre a austeridade familiar e a liberdade que encontrava nos livros e numa paixão clandestina. Condenada a viver à sombra do que o pai e o marido haviam sonhado para ela, resolveu pôr em causa as ordens e as tradições, tomar as rédeas do seu destino, deixar para trás uma vida de conforto e atravessar o rio em busca de emancipação.
Hoje encontramo-la a tecer tapetes numa casa escura que ninguém sabe o que esconde e é considerada uma espécie de bruxa que assusta as crianças; porém, é numa amizade improvável com Joana, uma menina que aprende com ela a amar os livros, que Maria Teresa encontrará a redenção.
Com um ritmo poético e introspetivo, a narrativa desenrola-se em pequenos fragmentos belíssimos que refletem as superstições de uma comunidade marcada por um episódio com consequências dramáticas. Mas onde todos veem horror Maria Teresa vê beleza e possibilidade. Terão, ela e Joana, medo dos santos da casa?
Romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, que foram retirados da Igreja de São Pedro da Afurada, é na ficção que esta obra desafia algumas verdades."
Hoje encontramo-la a tecer tapetes numa casa escura que ninguém sabe o que esconde e é considerada uma espécie de bruxa que assusta as crianças; porém, é numa amizade improvável com Joana, uma menina que aprende com ela a amar os livros, que Maria Teresa encontrará a redenção.
Com um ritmo poético e introspetivo, a narrativa desenrola-se em pequenos fragmentos belíssimos que refletem as superstições de uma comunidade marcada por um episódio com consequências dramáticas. Mas onde todos veem horror Maria Teresa vê beleza e possibilidade. Terão, ela e Joana, medo dos santos da casa?
Romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, que foram retirados da Igreja de São Pedro da Afurada, é na ficção que esta obra desafia algumas verdades."
Em Quem Tem Medo dos Santos da Casa, acompanhamos Maria Teresa, nascida numa vila piscatória profundamente religiosa, marcada por tradições rígidas e por uma atmosfera austera e sombria. É neste ambiente fechado, onde o peso dos costumes e das convenções condiciona as escolhas individuais, que Teresa acaba por aceitar um casamento que nunca desejou, ao lado de um homem prepotente e insensível.
Desde cedo, percebemos que há nela um desejo de liberdade que não encontra espaço para se manifestar. O gosto pela leitura, herdado do avô, representa uma das poucas formas de evasão de um quotidiano que a aprisiona. Nos livros, Teresa encontra outros mundos e outras possibilidades de vida, um espaço onde pode imaginar-se livre, mesmo quando a realidade insiste em mantê-la confinada.
A narrativa constrói-se através de diferentes fios que se cruzam, se entrelaçam e, por vezes, parecem afastar-se, até que tudo acaba por encontrar o seu lugar e adquirir sentido. É uma construção que nos exige alguma atenção, mas que contribui para a riqueza da história e para a compreensão gradual das personagens e do mundo em que vivem.
O verdadeiro momento de ruptura acontece quando Maria Teresa decide deixar de corresponder à imagem de mulher de pedra que os outros construíram para ela e escolhe atravessar o rio. Esse gesto, carregado de simbolismo, representa mais do que uma mudança de lugar: é a recusa de uma vida imposta e o primeiro passo em direção à liberdade que sempre desejou, mas que nunca lhe permitiram possuir.
É uma história sobre clausura, tradição, submissão e, sobretudo, sobre a coragem de romper com aquilo que nos foi destinado. Uma narrativa que nos mostra como, por vezes, a liberdade começa precisamente no momento em que deixamos de aceitar o papel que os outros escolheram para nós.
Desde cedo, percebemos que há nela um desejo de liberdade que não encontra espaço para se manifestar. O gosto pela leitura, herdado do avô, representa uma das poucas formas de evasão de um quotidiano que a aprisiona. Nos livros, Teresa encontra outros mundos e outras possibilidades de vida, um espaço onde pode imaginar-se livre, mesmo quando a realidade insiste em mantê-la confinada.
A narrativa constrói-se através de diferentes fios que se cruzam, se entrelaçam e, por vezes, parecem afastar-se, até que tudo acaba por encontrar o seu lugar e adquirir sentido. É uma construção que nos exige alguma atenção, mas que contribui para a riqueza da história e para a compreensão gradual das personagens e do mundo em que vivem.
O verdadeiro momento de ruptura acontece quando Maria Teresa decide deixar de corresponder à imagem de mulher de pedra que os outros construíram para ela e escolhe atravessar o rio. Esse gesto, carregado de simbolismo, representa mais do que uma mudança de lugar: é a recusa de uma vida imposta e o primeiro passo em direção à liberdade que sempre desejou, mas que nunca lhe permitiram possuir.
É uma história sobre clausura, tradição, submissão e, sobretudo, sobre a coragem de romper com aquilo que nos foi destinado. Uma narrativa que nos mostra como, por vezes, a liberdade começa precisamente no momento em que deixamos de aceitar o papel que os outros escolheram para nós.


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