Yesteryear, Caro Claire Burke

Burke, Caro Claire (2026). Yesteryear. Porto: Porto Editora.
Tradução: Rui Filipe
N.º de páginas: 436
Início da leitura: 01/10/2026
Fim da leitura: 04/10/2026

**SINOPSE WOOK**

"Natalie Heller Mills é uma mulher americana tradicional: uma esposa e mãe deslumbrante que vende um estilo de vida pioneiro aos seus milhões de seguidores nas redes sociais. O rancho onde vive tem um charme rústico irresistível, o marido é um cowboy atraente, e cada um dos seus seis filhos é mais perfeito do que o anterior.

Que importa se há amas e produtores nos bastidores, se a cozinha esconde eletrodomésticos de nível industrial, se o marido é herdeiro de uma dinastia política? Se os seguidores de Natalie não sabem é como se não existisse. E as “Mulheres Zangadas”? As elitistas que a acusam de ser uma iconoclasta antifeminista? Estão doentes de inveja. Porque Natalie não está apenas a viver a vida perfeita — está a construir um império.

Até que, numa manhã, acorda numa vida que não é a sua. A casa, o marido, os filhos — tudo lhe é familiar, mas está errado. A cozinha não tem eletricidade; os filhos estão sujos e estranhos; e o marido é agora um agricultor competente. Na trave de madeira sobre a porta, está gravada uma data: 1855.

Ainda ontem selecionava fotografias para o Instagram; agora, espera-se que carregue lenha e lave roupa à mão até os dedos sangrarem. Ter-se-á tornado a estrela involuntária de um reality show? Será possível que tenha viajado no tempo?
Quando sofre um ferimento brutal, Natalie percebe duas coisas: esta não é a sua vida; e tem de escapar, custe o que custar."

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Natalie é uma influenciadora que representa a mulher tradicional, que casa com um homem rico e tem muitos filhos. Passa, através das redes sociais, a ideia de uma vida perfeita, no campo - Rancho Yesteryear, enquanto mãe perfeita e esposa exemplar, contrariando a ideia de emancipação da mulher através do trabalho, algo com que discorda, considerando que as mulheres que trabalham vão ser sempre subalternas e ter uma vida miserável. Vende a imagem de uma mãe carinhosa e atenciosa, de felicidade (que não existe, com efeito) e de uma preocupação com uma vida natural com alimentos cultivados na quinta, sem químicos. Acontece que toda a vida perfeita que proclama não passa de uma fachada, pois, na verdade, nem sequer tem espírito maternal e tem uma série de criados e amas para manter esta ideia de vida perfeita. A relação com o marido também não é perfeita. Afinal, a perfeição não existe e esta situação aqui retratada é uma crítica à sociedade atual.
E se Natalie acordasse numa época em que realmente viveriam como ela proclama enquanto criadora de conteúdos? É o que acontece, quando acorda nos anos de 1850, num regresso a uma espécie de "Casa na Pradaria", com todas as dificuldades que essa vida, de facto implica?
Convido-vos a lerem este livro e a surpreenderem-se com esta personagem tão (im)perfeita e à forma como reage ao se confrontar com as dificuldades da vida que proclama como perfeita.

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