sábado, 26 de fevereiro de 2011

Desponderação

(imagem de conexioncubana.net)



O meu eu remete-se ao silêncio

das questões por resolver.

Debate-se em comícios interiores,

em reflexões intensas até doer.

Sinto-me desponderada.

A minha balança pende para um dos lados.

No prato do lado esquerdo

está o que me prende à vida,

os bons momentos,

os bons sentimentos,

os meus rebentos,

o bem do mundo,

o amor profundo,

a lealdade, a fraternidade, a amizade,

a liberdade, a paz, a tranquilidade.

No prato do lado direito

estão as vicissitudes da vida,

os objectivos por alcançar,

os sonhos por atingir,

as metas por cruzar,

os ideais por conseguir,

o ódio, o desprezo, a guerra,

o ciúme, a inveja, a desconfiança,

o medo, o engano,

a vida que cai por terra,

os obstáculos por ultrapassar,

um mundo sórdido e insano.



A minha balança está desponderada

e pende para o lado direito.

Procuro então preencher o vazio

do prato do lado esquerdo.



Preciso de me voltar a equilibrar

e encontrar o contraponto da dor,

acalmar o meu ser sofredor

e poder voltar-me a encontrar.

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