segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A arrumação do caos

Célia Gil
(imagem de aprendizdoinvisivel.blogspot.com)
Queria entrar na minha mente
e arrumar o caos permanente,
desarrumá-lo, limpá-lo, poli-lo
e voltar a pôr tudo no lugar.

Quantas vezes nos sentimos um caco
um pedaço de nada perdido,
um ser feito farrapo,
de si ausente e esquecido?

É preciso recuperar a auto-estima,
elevar o ego e encontrar a paz,
nesse ser que, solitário, caminha
sem horizontes, num eu que jaz.

Preciso arrumar o espaço caótico
em que vive aprisionado o meu ser,
sair deste estado neurótico
que não me deixa em plenitude viver.

Entrarei, devagar, na minha mente,
deitarei todo o lixo fora,
guardarei numa das gavetas da mente
apenas o auge da memória.

Organizarei este caos em que vivo,
limparei com zelo os bons sentimentos,
despojar-me-ei do que não preciso,
decorarei tudo com os bons momentos.

E, então, de mente lavada,
voltarei a sorrir para a vida
ganharei de novo a face rosada
nas malhas do tempo esquecida.

Soltarei os cabelos orgulhosos,
caracóis em cascata, livres,
em olhos brilhantes formosos,
cheios de vida e felizes.
                                      Célia Gil



Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

1 comentários:

  1. Citando Nietzsche; "É preciso um caos interior para se parir uma estrela", e o seu poema tem esse brilhantismo.

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