quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A viagem num bloco de papel

(imagem de  julieta-ferreira.com)


Vivo cada viagem que faço
como se não houvesse amanhã,
não registo ou fotografo,
guardo apenas na memória
cada momento ou paisagem.
No meu bloco escrevo impressões,
mais reais que a fotografia,
imprimo as vivências
numa branca folha vazia,
com traços marcados pelas emoções
vividas em cada momento.
Assim, são mais belas.
E, um dia, quando lerem o bloco,
descobrirão paisagens nunca vistas,
acontecimentos impossíveis de registar
em simples películas de fotografia.
Verão que nesse local,
houve coisas que não viram,
pessoas que passaram despercebidas,
sentimentos que não sentiram
na fotografia guardada.
E de cada vez que viajo,
ainda que para o mesmo sítio,
descubro sempre algo novo
que registo no meu bloco.
Ao ler as minhas viagens,
volto aos sítios onde estive
e vivo novas experiências.
A cada viagem que releio,
de uma coisa tenho a noção,
renovo a emoção
como se voltasse lá,
e vivo cada viagem
como se não houvesse amanhã.
                                          Célia Gil

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