terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Quando for velhinha, se lá chegar

Célia Gil
(imagem do Google)

Quando for velhinha,
se lá chegar,
terei rugas de orgulho no rosto,
mãos calejadas e velhas,
com veias grandes, sinuosas
e muitas histórias para contar.

Sofrerei das costas,
do fígado, dos rins
e outras doenças afins…
Mas lúcida quero estar,
ter-te ao meu lado
e dos netos poder cuidar.

Mas não sei como será,
a Deus entrego o meu destino,
e calmamente, serenamente,
a velhice chegará,
entrará por minha casa adentro,
chegará para me vergar,
de um para outro momento,
chegará para se instalar.

Recebê-la-ei com complacência,
repousarei no seu regaço,
dela ganharei a sapiência,
que se sobreporá ao cansaço.

Serei de novo a criança
pura de coração,
e voltarei a fazer asneiras,
para chamar a atenção.

E quando ficar inválida,
e começar a dar trabalho,
A morte vir-me-á buscar.
Devagar, sem me aperceber,
pegar-me-á ao colo,
aninhar-me-á no seu peito,
e com ela ir-me-á levar.
                            Célia Gil

Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

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