quarta-feira, 28 de agosto de 2019

As Gémeas do Gelo

Célia Gil
Tremayne, S. K (2019). As Gémeas do Gelo. Lisboa: TopSeller


As Gémeas do Gelo é um thriller de Tremayne, escritor e jornalista londrino. Neste livro, conta-se a história de duas gémeas – Lydia e Kirstie – fisicamente iguais. Os pais distinguem-nas pintando a unha do pé de uma de azul e a da outra de amarelo, procurando combinar alguma peça de roupa com a cor da unha. Apesar disso, são bastante diferentes. Kirstie é extrovertida, irrequieta e impulsiva e Lydia, mais frágil, mais calada e introvertida. O pai tem uma preferência notória por Kirstie e a mãe por Lydia.
Quando fazem 6 anos, nas férias de verão, pedem para se vestirem de igual – e assim acontece, vestem-se com um vestido brancos iguais. Entretêm-se a trocar de identidade e a questionar os pais se sabem qual é qual, o que se torna numa missão impossível.
Num fatídico dia, uma das gémeas cai de uma varanda e é dada como morta. Quando a mãe chega ao pé da outra gémea, ela grita que Lydia caiu da varanda. É feito o funeral de Lydia.
O embate desta morte nas vidas das personagens é evidente. O pai começa a refugiar-se na bebida. A mãe entra numa grande depressão. Kirstie começa a ter pesadelos que a consomem e a deixam constantemente triste. Acabam por perder o emprego e pensam na última solução que lhes parece plausível – ir viver para a ilha pertencente aos avós de Angus, o pai de Kirstie, que tem apenas acesso por barco e onde existe unicamente uma casa e um farol. Assim, a tantos quilómetros do traumático episódio, pensam que será possível recomeçar.
Quando decidem inscrever Kirstie na escola da aldeia mais próxima da ilha, esta insiste que é Lydia e não Kirstie, começando a revelar comportamentos que eram mesmo típicos de Lydia. Não consegue socializar com as outras crianças e começa a dar mostras de estar cada vez mais perturbada e com mais pesadelos.
Perante estas ocorrências, os pais acabam por aceitar que foi Lydia quem sobreviveu e fazem o funeral de Kirstie.
Mas quem terá realmente sobrevivido? Conseguirão os pais alguma vez obter resposta a esta pergunta, sem que a loucura os domine?
Este livro aborda ainda a problemática dos filhos preferidos. Como será descobrir que o filho preferido afinal não morreu? Até que ponto isso pode amenizar a dor? O luto dos pais não é mesmo nada fácil e este livro é a prova disso. Escrito de uma forma muito interessante, com três narradores: o narrador omnisciente, na 3ª pessoa; Sarah, a mãe e Angus, o pai, confere uma maior dinâmica à narrativa e permite-nos o confronto com várias perspetivas, o que torna difícil ao leitor encontrar um bode expiatório, um verdadeiro culpado. Quando o leitor tem uma teoria pré formada, vê-se confrontado com outra perspetiva que deita por terra a primeira. É isso que torna este livro irresistível, sendo quase impossível pousá-lo antes de terminar a sua leitura, uma vez que sentimos necessidade de saber o que aconteceu a cada momento da narrativa.

Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

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