Moreno, Lara (2026). Antes Que a Luz Se Apague. Lisboa: Alfaguara.
Tradução: Margarida Amado Acosta
N.º de páginas:344
Início da leitura: 10/04/2026
Fim da leitura: 12/04/2026
**SINOPSE WOOK**
Um jovem casal em crise abandona a cidade onde vive e parte para uma aldeia remota do interior de Espanha, em busca de uma vida mais simples e despojada. O que encontram é isto: alguns casinhotos, hortas pobres e um punhado de homens e mulheres empedernidos, de poucas palavras.
O que não querem ver são os seus próprios demónios — vazios e abismos interiores que ameaçam fazer ruir tudo o que os levou até ali.
Até ao dia em que surge uma mulher acompanhada de uma menina, filha de todos e de ninguém, cuja presença vem lembrar que, enquanto houver uma criança a fazer perguntas ao mundo, a vida persiste; tal como há luz enquanto o pavio da vela continuar a arder.
Polifónico e sombrio, este romance mergulha nos abismos mais profundos da condição humana, onde a ausência de luz é sempre a maior ameaça.
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Parti para a leitura de Antes que a luz se apague, de Lara Moreno, com expectativas moderadamente elevadas. A premissa, tal como apresentada na sinopse, sugeria um mergulho íntimo nas fragilidades das relações humanas, prometendo uma narrativa sensível e emocionalmente envolvente. No entanto, a experiência de leitura revelou-se bastante mais morosa e distante do que antecipei.
Desde cedo, instala-se uma sensação de arrastamento que nunca chega verdadeiramente a dissipar-se. A escrita, embora cuidada e, por vezes evocativa, parece excessivamente contida, como se evitasse deliberadamente o conflito ou a intensidade que poderiam conferir maior pulsação à narrativa. Esse registo acaba por comprometer o ritmo, tornando a progressão da história pouco dinâmica e, em vários momentos, muito estagnada.
Não consegui estabelecer qualquer relação ou empatia com as personagens, que deveriam constituir o eixo emocional do romance. Falta-lhes densidade psicológica e, sobretudo, capacidade de surpreender ou de evoluir de forma significativa. Permanecem, em larga medida, opacas, como figuras que se insinuam mas nunca se revelam por completo. Essa distância dificulta o investimento afetivo na história e contribui para uma leitura algo indiferente.
Também a própria narrativa, embora assente numa ideia com potencial, não se desenvolve de forma a criar tensão ou expetativa. Há uma sensação persistente de que algo poderia acontecer, de que a narrativa poderia, a qualquer momento, ganhar outra dimensão, mas essa promessa raramente se concretiza. O resultado é um enredo que não prende, que se desenrola sem urgência e sem verdadeiros momentos de impacto.
Acabei a leitura mais por persistência do que por envolvimento, uma decisão que decorre mais do hábito de não abandonar livros a meio do que de um verdadeiro impulso narrativo. Antes que a luz se apague deixa a impressão de um potencial não plenamente concretizado: uma ideia promissora que se perde numa execução demasiado contida e, por vezes, pouco cativante.


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