As Esposas, Valerie Keogh

Keogh, Valerie (2026). As Esposas. Lisboa: Edições ASA.

Tradução: Rita Carvalho e Guerra
N.º de páginas: 312
Início da leitura: 16/06/2026
Fim da leitura: 18/06/2026

**SINOPSE WOOK**
"Um thriller explosivo.
Conheça as esposas…

Quando Natasha conhece Daniel, acredita que conheceu o homem perfeito, o marido ideal. Rico, carismático, irrepreensível. Até que a perfeição começa a ser desmascarada.

O cruzeiro de luxo, uma oferta de Daniel, parece a oportunidade ideal para impressionar as amigas, Barbara, Tracy Ann e Michelle, e provar que finalmente alcançou o que sempre desejou. Sol, champanhe, jantares exclusivos. Um cenário idílico. Mas em alto-mar não há escapatória. À medida que o navio se afasta da costa, a fachada de Daniel começa a ruir.

Segredos antigos vêm à tona. Mentiras entrelaçam-se. E Natasha percebe que não é a única a esconder algo. Porque cada uma das esposas tem um motivo. E pelo menos uma está disposta a matar.

Esta viagem não é uma celebração.

É um jogo perigoso e nem todos regressarão a terra firme."

As Esposas, de Valerie Keogh, parte de uma premissa que, à partida, reúne todos os ingredientes para um thriller psicológico envolvente: segredos, relações de aparência impecável e uma tensão latente que promete revelar aquilo que se esconde por detrás das fachadas de uma vida aparentemente perfeita. Foi precisamente essa premissa que despertou o meu interesse e elevou as minhas expetativas. Infelizmente, a experiência de leitura ficou muito aquém do que esperava.
O maior obstáculo esteve nas personagens. Em vez de figuras complexas ou moralmente ambíguas, encontrei um conjunto de protagonistas difíceis de suportar. As mulheres surgem retratadas como pessoas superficiais, pretensiosas e presas a uma dinâmica de falsas amizades que rapidamente se torna repetitiva. Os homens, por sua vez, não oferecem um contraponto interessante, revelando-se igualmente desagradáveis e pouco cativantes. Quando nenhum dos intervenientes desperta empatia, curiosidade ou sequer um mínimo de interesse pelo seu destino, torna-se difícil manter o envolvimento emocional com a narrativa.
Apesar disso, continuei a leitura até ao fim, sempre na esperança de que a história encontrasse um novo fôlego ou que alguma reviravolta justificasse a persistência. Contudo, o enredo avança de forma irregular, alternando momentos de alguma tensão com episódios que parecem prolongar artificialmente a narrativa. Houve várias ocasiões em que considerei abandonar o livro, algo raro quando a ideia de base me parece tão promissora.
Também o recurso a determinados detalhes contribuiu para quebrar a minha ligação com a narrativa. Há descrições excessivamente gráficas e pouco relevantes para o desenvolvimento da história, numa tentativa de criar impacto que me pareceu desnecessária. Um desses momentos, particularmente grotesco, acabou por se tornar mais memorável pela estranheza que provocou do que pela sua utilidade narrativa.

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