Natsuki, Shizuko (2026). Crime no Monte Fuji. Lisboa: Editorial Presença.
Tradução: Ana David
N.º de páginas: 248
Início da leitura: 22/06/2026
Fim da leitura: 24/06/2026
**SINOPSE**
"A estudante americana Jane Prescott não hesita em aceitar o convite da colega Chiyo para passar as férias de Ano Novo numa luxuosa mansão perto do Monte Fuji. Era a oportunidade perfeita para celebrar a chegada do novo ano num cenário idílico. Chiyo pertence a uma das famílias mais ricas do Japão e é herdeira de um império farmacêutico liderado pelo seu avô Wada.
Com toda a família reunida e a neve a cair lá fora, a festa decorre entre risos e tradição até que Chiyo irrompe pela sala, coberta de sangue, empunhando uma faca e gritando que matou o avô. Atónita, a família fecha-se em torno da jovem para a proteger. Mas Jane tem mais perguntas do que respostas. Poderá a sua amiga doce e reservada ser capaz de tal violência? Ou haverá outro membro do clã Wada com muito a ganhar com a morte do patriarca? E, se assim for, poderá o verdadeiro assassino ainda estar entre eles?
Um mistério sombrio e inquietante. Um clássico redescoberto do policial japonês."
Com toda a família reunida e a neve a cair lá fora, a festa decorre entre risos e tradição até que Chiyo irrompe pela sala, coberta de sangue, empunhando uma faca e gritando que matou o avô. Atónita, a família fecha-se em torno da jovem para a proteger. Mas Jane tem mais perguntas do que respostas. Poderá a sua amiga doce e reservada ser capaz de tal violência? Ou haverá outro membro do clã Wada com muito a ganhar com a morte do patriarca? E, se assim for, poderá o verdadeiro assassino ainda estar entre eles?
Um mistério sombrio e inquietante. Um clássico redescoberto do policial japonês."
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Crime no Monte Fuji, de Shizuko Natsuki, é um daqueles policiais que conquista o leitor desde as primeiras páginas, não apenas pelo mistério que apresenta, mas sobretudo pela forma como explora as tensões humanas que emergem quando a verdade se torna um fardo difícil de suportar.
A narrativa acompanha Jane, que viaja até à região do Monte Fuji para passar a passagem de ano com a amiga Chiyo e ajudá-la na preparação da sua tese. O cenário, marcado pelo rigor do inverno japonês e pela imponência silenciosa da montanha, cria desde logo uma atmosfera de aparente serenidade. Contudo, essa tranquilidade é rapidamente quebrada por um acontecimento trágico que altera o rumo das férias e arrasta as personagens para uma situação cada vez mais complexa.
A partir desse momento, o romance desenvolve-se em torno de uma sucessão de decisões tomadas sob pressão, revelando como o medo, a lealdade familiar e o instinto de proteção podem levar pessoas comuns a ultrapassar limites que jamais imaginariam cruzar. Mais do que um simples enigma policial, a obra transforma-se numa reflexão sobre a responsabilidade moral e sobre as consequências das escolhas feitas em circunstâncias extremas.
Shizuko Natsuki constrói a intriga com grande segurança, doseando a informação de forma eficaz e mantendo o suspense constante. O leitor é levado a questionar continuamente as motivações das personagens e a ponderar até onde estaria disposto a ir para proteger alguém de quem gosta. A tensão cresce de forma gradual, sustentada por um enredo sólido e por uma teia de relações familiares cuidadosamente delineada.
Outro dos pontos fortes do romance reside precisamente na caracterização das personagens. Nenhuma delas é apresentada de forma totalmente linear, o que contribui para uma leitura mais envolvente e credível. As dinâmicas familiares, os segredos acumulados ao longo dos anos e os conflitos de consciência conferem profundidade a uma história que vai muito além da investigação criminal.
Com um ritmo fluido, uma atmosfera envolvente e uma construção narrativa eficaz, Crime no Monte Fuji afirma-se como uma leitura recomendável para os apreciadores do género policial clássico, mas também para quem procura histórias centradas nos dilemas humanos. Um romance inteligente e bem estruturado, capaz de prender a atenção até às páginas finais sem depender de revelações gratuitas ou de reviravoltas artificiais. Aconselho muito!


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