Uma Janela Sobre o Lago Como, Adriana Trigiani

Trigiani, Adriana (2026). Uma Janela Sobre o Lago Como. Alfragide: Edições ASA.

Tradução: Ana Saldanha
N.º de páginas: 416
Início da leitura: 10/07/2026
Fim da leitura: 13/07/2026

**SINOPSE WOOK**
"Giuseppina, por-favor-chamem-me-Jess, está de regresso a casa dos pais após o fim do casamento com um marido tão perfeito que se confunde com uma estátua renascentista. Ela é a pessoa que renova o passaporte… para nunca o usar. É a filha que nunca falha: cuida dos pais, trata do almoço de domingo, aceita sempre ficar em último lugar.

É no negócio de mármore da família, dirigido pelo exuberante tio Louie, que se permite brilhar. O seu talento como desenhadora é imenso e Louie não tem dúvidas de que ela pode chegar longe (desde que invista num guarda-roupa melhor).

Mas será necessário um cataclismo familiar para acordar Jess da sua letargia. Movida pelos sonhos que adiou por demasiado tempo, ela decide por fim dar uso ao passaporte e ir para Itália, o país dos seus antepassados.

É aí que começa, finalmente, a descobrir-se… e a apaixonar-se.

Porém, quando a felicidade parece estar finalmente ao seu alcance, o passado ameaça arrastá-la de volta a casa, destruindo tudo o que conseguiu construir."

Adquire este livro através do meu link de afiliada Wook:  https://www.wook.pta_aid=698b2dc997d71
No livro Uma Janela Sobre o Lago Como, Adriana Trigiani regressa a alguns dos temas que atravessam a sua obra: a força dos laços familiares, o peso das expetativas herdadas e a procura de uma identidade própria para lá dos papéis que a vida parece impor. A autora, reconhecida internacionalmente pelos seus romances centrados nas relações humanas e nas raízes familiares, constrói aqui uma história de recomeços, memórias e descobertas pessoais, com a Itália como cenário de transformação e reencontro.
A protagonista, Giuseppina, conhecida por Jess, é apresentada como a filha exemplar, aquela que permanece sempre disponível para a família e que aprendeu a colocar os desejos dos outros à frente dos seus. Depois de um casamento terminado, regressa a casa dos pais, em Nova Jérsia e retoma uma rotina confortável, mas limitadora, marcada pelo cuidado dos seus e pelas pequenas obrigações familiares. É uma personagem que vive num permanente adiamento de si própria, alguém que mantém o passaporte renovado, mas que nunca se permite partir.
O trabalho na empresa familiar de mármore, sob a orientação do carismático tio Louie, revela uma faceta diferente de Jess. Ali encontra espaço para a sua criatividade e para um talento artístico que durante demasiado tempo ficou escondido. Trigiani explora com sensibilidade a tensão entre aquilo que somos capazes de fazer e aquilo que nos permitimos realmente alcançar, mostrando como, por vezes, são as circunstâncias mais inesperadas que nos obrigam a olhar de frente para os sonhos abandonados.
A viagem a Itália surge, assim, não apenas como uma deslocação geográfica, mas como um percurso interior. Ao aproximar-se da terra dos seus antepassados, Jess começa a reconstruir a sua própria narrativa, confrontando-se com novas possibilidades, afetos inesperados e uma versão de si mesma que até então desconhecia. O Lago Como, com a sua beleza e o seu simbolismo, funciona como um espaço de pausa e de mudança, onde a protagonista finalmente se permite imaginar uma vida diferente. Já visitei este lago e devo dizer que é lindíssimo.
Apesar de seguir uma estrutura familiar ao romance de crescimento pessoal e de recomeço, Uma Janela Sobre o Lago Como destaca-se sobretudo pela forma calorosa como retrata as relações familiares e as contradições do amor entre gerações. Nem sempre o ritmo mantém a mesma intensidade e alguns desenvolvimentos poderão parecer previsíveis, mas a narrativa beneficia do olhar atento da autora sobre as fragilidades humanas e sobre a importância de encontrar coragem para escolher o próprio caminho.
Não é um romance que procura surpreender pelo choque ou pela inovação, mas antes envolver pela proximidade das personagens e pela mensagem de esperança que transmite. Uma leitura leve e reconfortante, ideal para quem aprecia histórias sobre família, pertença e a possibilidade de começar de novo quando a vida parece já estar definida.

0 Comentarios