Alvarado, Mayte (2023). A Ilha. Lisboa: Levoir.
Tradução: Carlos Xavier
N.º de páginas: 152
Início e fim da leitura: 14/09/2026
**SINOPSE WOOK**
Os habitantes da Ilha vivem de acordo com uma antiga lenda: a história de um marinheiro que diz que uma grande onda chegará um dia para varrer tudo o que estiver no seu caminho e afundar as suas casas nas profundezas do oceano. As personagens que dão vida a esta história vagueiam pela paisagem nua e crua: uma rapariga que reflecte sobre os limites do seu pequeno mundo, um homem que vive com o luto após uma perda grave e um cão que parece ser o sonho vivo da lenda da ilha. Os Três Mosqueteiros!
Por entre complôs e missões perigosas, estes corajosos aventureiros vão unir-se em torno de um lema que sela a sua aliança e amizade: «Um por todos... todos por um!»
Por entre complôs e missões perigosas, estes corajosos aventureiros vão unir-se em torno de um lema que sela a sua aliança e amizade: «Um por todos... todos por um!»
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A Ilha, de Mayte Alvarado, é uma novela gráfica que se constrói, sobretudo, através da imagem. O texto é breve, quase sempre poético, e surge como complemento de uma narrativa que não precisa de muitas palavras para criar uma atmosfera própria. É nas ilustrações, nos silêncios e naquilo que fica por dizer que a obra encontra grande parte da sua força.
A premissa é simples, mas encerra uma dimensão simbólica que se vai ampliando à medida que avançamos na leitura: aquilo que ao mar é tirado ao mar retornará. A partir desta ideia, Mayte Alvarado constrói uma narrativa profundamente ligada ao ciclo da vida, ao tempo e à inevitabilidade da transformação. O mar surge não apenas como espaço físico, mas como uma presença constante, quase intemporal, que recebe, guarda e devolve.
Existe nesta obra uma sensação permanente de passagem. Nada parece verdadeiramente definitivo e tudo se encontra sujeito a um movimento de retorno. Pessoas, objetos, memórias e acontecimentos parecem fazer parte de um ciclo maior, sobre o qual não temos controlo. É uma perspetiva que pode ser lida como uma reflexão sobre a vida e a morte, sobre a perda ou simplesmente sobre a impossibilidade de permanecermos iguais ao longo do tempo.
Talvez por isso A Ilha seja uma obra de interpretação necessariamente aberta. O que nela encontramos dependerá, em grande medida, da sensibilidade de quem a lê e das experiências que leva consigo para aquelas páginas. Uma mesma imagem poderá sugerir perda a um leitor, renascimento a outro, ou simplesmente evocar a passagem inexorável do tempo. Não há propriamente uma resposta certa, e essa ambiguidade parece ser uma das características mais interessantes da obra.
Também a ilha e o mar adquirem uma dimensão simbólica particularmente forte. A ilha pode representar isolamento, permanência ou mesmo a nossa existência individual, enquanto o mar sugere movimento, mudança e aquilo que está para além do nosso alcance. Entre os dois estabelece-se uma relação de tensão e de dependência que permite múltiplas leituras.
É uma novela gráfica que pede, por isso, uma leitura diferente daquela que fazemos de uma narrativa convencional. Não é tanto um livro para ler rapidamente e procurar compreender de imediato, mas uma obra para observar. As imagens merecem tempo e atenção, e há uma beleza particular na possibilidade de regressarmos a determinadas páginas e encontrarmos nelas significados que não tínhamos percebido numa primeira passagem.
A premissa é simples, mas encerra uma dimensão simbólica que se vai ampliando à medida que avançamos na leitura: aquilo que ao mar é tirado ao mar retornará. A partir desta ideia, Mayte Alvarado constrói uma narrativa profundamente ligada ao ciclo da vida, ao tempo e à inevitabilidade da transformação. O mar surge não apenas como espaço físico, mas como uma presença constante, quase intemporal, que recebe, guarda e devolve.
Existe nesta obra uma sensação permanente de passagem. Nada parece verdadeiramente definitivo e tudo se encontra sujeito a um movimento de retorno. Pessoas, objetos, memórias e acontecimentos parecem fazer parte de um ciclo maior, sobre o qual não temos controlo. É uma perspetiva que pode ser lida como uma reflexão sobre a vida e a morte, sobre a perda ou simplesmente sobre a impossibilidade de permanecermos iguais ao longo do tempo.
Talvez por isso A Ilha seja uma obra de interpretação necessariamente aberta. O que nela encontramos dependerá, em grande medida, da sensibilidade de quem a lê e das experiências que leva consigo para aquelas páginas. Uma mesma imagem poderá sugerir perda a um leitor, renascimento a outro, ou simplesmente evocar a passagem inexorável do tempo. Não há propriamente uma resposta certa, e essa ambiguidade parece ser uma das características mais interessantes da obra.
Também a ilha e o mar adquirem uma dimensão simbólica particularmente forte. A ilha pode representar isolamento, permanência ou mesmo a nossa existência individual, enquanto o mar sugere movimento, mudança e aquilo que está para além do nosso alcance. Entre os dois estabelece-se uma relação de tensão e de dependência que permite múltiplas leituras.
É uma novela gráfica que pede, por isso, uma leitura diferente daquela que fazemos de uma narrativa convencional. Não é tanto um livro para ler rapidamente e procurar compreender de imediato, mas uma obra para observar. As imagens merecem tempo e atenção, e há uma beleza particular na possibilidade de regressarmos a determinadas páginas e encontrarmos nelas significados que não tínhamos percebido numa primeira passagem.


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