Hanada, Nanako (2025). Confissões de Uma Livreira. Alfragide: Casa das Letras.
Tradução: Maria João Vieira
N.º de páginas: 192
Início da leitura: 13/09/2026
Fim da leitura: 15/09/2026
**SINOPSE WOOK**
"A vida de Nanako Hanada não só estagnou - bateu mesmo no fundo.
Recentemente separada do marido, vive entre camas de hotéis alugadas à hora, pequenos cafés com Internet ou no chão de livrarias. O trabalho também não está melhor — as vendas na excêntrica livraria Village Vanguard, em Tóquio, que ela gere, estão a cair a pique. à medida que a vida de Nanako se desmorona, ler livros é a única coisa que a mantém viva.
Até que se inscreve num site de encontros que oferece 30 minutos com alguém que nunca voltará a ver. Apresentando-se como uma «livreira sexy», propõe-se a recomendar o livro perfeito em troca de um encontro. no ano que se segue, Nanako conhece centenas de pessoas, algumas das quais procuram mais do que apenas um livro…
Confissões de uma Livreira é uma ode ao prazer da leitura. Oferecendo um vislumbre do mundo livreiro no Japão e do lado mais excêntrico de Tóquio, esta é uma história sobre como os livros nos ajudam a criar laços com os outros — e a reencontrarmo-nos."
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Confissões de Uma Livreira, de Nanako Hanada, é um livro sobre livros, mas sobretudo sobre pessoas. Sobre encontros, desencontros, escolhas e sobre aquele momento da vida em que somos obrigados a parar e a perguntar a nós próprios se estamos realmente onde queremos estar.
Nanako atravessa uma fase particularmente complicada da sua vida. A vida pessoal não lhe traz a estabilidade que desejaria e, profissionalmente, a livraria onde trabalha também não alcança os resultados que esperava. Ainda assim, existe uma certeza que permanece: os livros continuam a ser o seu mundo, o lugar onde encontra conforto, identidade e uma espécie de porto seguro perante as incertezas da vida.
É precisamente a partir dessa relação com os livros que surge uma ideia pouco convencional. Nanako começa a conhecer pessoas através de um site de encontros, mas, em vez de procurar simplesmente um relacionamento, propõe-se fazer-lhes algo que conhece bem: recomendar-lhes um livro. Os encontros passam, assim, a ter uma finalidade diferente. Antes de procurar a pessoa certa, Nanako parece procurar a história certa para cada pessoa.
O que poderia ser apenas uma premissa curiosa acaba por se transformar numa espécie de viagem de descoberta. Cada encontro permite-lhe conhecer personalidades diferentes, ouvir histórias, perceber desejos e fragilidades e, simultaneamente, confrontar-se consigo própria. Afinal, escolher um livro para alguém implica também tentar perceber quem essa pessoa é. E, à medida que vai conhecendo os outros, Nanako começa inevitavelmente a conhecer-se melhor.
Há algo particularmente interessante nesta ideia de utilizar os livros como uma forma de aproximação entre pessoas. Um livro pode dizer muito sobre quem o lê, mas também pode funcionar como uma porta de entrada para aquilo que nem sempre conseguimos dizer directamente. Recomendar uma leitura torna-se, neste contexto, uma forma de escutar, de observar e até de cuidar.
Aos poucos, Nanako começa a ganhar notoriedade e aquilo que inicialmente parecia ser apenas uma iniciativa pessoal assume uma dimensão inesperada. Mas o mais importante não está propriamente no reconhecimento que vai conquistando. Está na transformação que esse percurso provoca nela. A experiência leva-a a questionar o que realmente a faz feliz, aquilo de que precisa e, sobretudo, o que deseja para o futuro.
É nesta dimensão de autoconhecimento que, para mim, reside o maior interesse do livro. Confissões de Uma Livreira não apresenta uma personagem que tenha todas as respostas; apresenta alguém que está precisamente a tentar encontrá-las. E talvez seja essa incerteza que a torna tão próxima do leitor. Há fases da vida em que também nós precisamos de experimentar caminhos diferentes para percebermos aquilo que queremos conservar e aquilo que já não faz sentido levar connosco.
O livro aborda ainda, de uma forma bastante acessível, a importância de não deixarmos que uma fase menos feliz da nossa vida determine aquilo que somos ou aquilo que poderemos vir a ser. Nem sempre sabemos imediatamente qual é o caminho certo e, por vezes, é necessário sair da nossa zona de conforto para perceber que existem possibilidades que ainda não tínhamos considerado.
A relação de Nanako com os livros acaba por funcionar como o fio condutor de toda esta transformação. Eles não são apenas o seu instrumento de trabalho ou uma paixão profissional. São também uma forma de compreender os outros e de se compreender a si própria. E talvez seja essa uma das ideias mais bonitas que o livro deixa: a literatura pode aproximar pessoas, abrir conversas, despertar sentimentos e, em determinados momentos, ajudar-nos a olhar para a nossa própria vida de uma maneira diferente.
Nanako atravessa uma fase particularmente complicada da sua vida. A vida pessoal não lhe traz a estabilidade que desejaria e, profissionalmente, a livraria onde trabalha também não alcança os resultados que esperava. Ainda assim, existe uma certeza que permanece: os livros continuam a ser o seu mundo, o lugar onde encontra conforto, identidade e uma espécie de porto seguro perante as incertezas da vida.
É precisamente a partir dessa relação com os livros que surge uma ideia pouco convencional. Nanako começa a conhecer pessoas através de um site de encontros, mas, em vez de procurar simplesmente um relacionamento, propõe-se fazer-lhes algo que conhece bem: recomendar-lhes um livro. Os encontros passam, assim, a ter uma finalidade diferente. Antes de procurar a pessoa certa, Nanako parece procurar a história certa para cada pessoa.
O que poderia ser apenas uma premissa curiosa acaba por se transformar numa espécie de viagem de descoberta. Cada encontro permite-lhe conhecer personalidades diferentes, ouvir histórias, perceber desejos e fragilidades e, simultaneamente, confrontar-se consigo própria. Afinal, escolher um livro para alguém implica também tentar perceber quem essa pessoa é. E, à medida que vai conhecendo os outros, Nanako começa inevitavelmente a conhecer-se melhor.
Há algo particularmente interessante nesta ideia de utilizar os livros como uma forma de aproximação entre pessoas. Um livro pode dizer muito sobre quem o lê, mas também pode funcionar como uma porta de entrada para aquilo que nem sempre conseguimos dizer directamente. Recomendar uma leitura torna-se, neste contexto, uma forma de escutar, de observar e até de cuidar.
Aos poucos, Nanako começa a ganhar notoriedade e aquilo que inicialmente parecia ser apenas uma iniciativa pessoal assume uma dimensão inesperada. Mas o mais importante não está propriamente no reconhecimento que vai conquistando. Está na transformação que esse percurso provoca nela. A experiência leva-a a questionar o que realmente a faz feliz, aquilo de que precisa e, sobretudo, o que deseja para o futuro.
É nesta dimensão de autoconhecimento que, para mim, reside o maior interesse do livro. Confissões de Uma Livreira não apresenta uma personagem que tenha todas as respostas; apresenta alguém que está precisamente a tentar encontrá-las. E talvez seja essa incerteza que a torna tão próxima do leitor. Há fases da vida em que também nós precisamos de experimentar caminhos diferentes para percebermos aquilo que queremos conservar e aquilo que já não faz sentido levar connosco.
O livro aborda ainda, de uma forma bastante acessível, a importância de não deixarmos que uma fase menos feliz da nossa vida determine aquilo que somos ou aquilo que poderemos vir a ser. Nem sempre sabemos imediatamente qual é o caminho certo e, por vezes, é necessário sair da nossa zona de conforto para perceber que existem possibilidades que ainda não tínhamos considerado.
A relação de Nanako com os livros acaba por funcionar como o fio condutor de toda esta transformação. Eles não são apenas o seu instrumento de trabalho ou uma paixão profissional. São também uma forma de compreender os outros e de se compreender a si própria. E talvez seja essa uma das ideias mais bonitas que o livro deixa: a literatura pode aproximar pessoas, abrir conversas, despertar sentimentos e, em determinados momentos, ajudar-nos a olhar para a nossa própria vida de uma maneira diferente.


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