Munuera, José Luis (2026). O Cheiro Dele Depois da Chuva. Estoril: Arte de Autor.
Tradução: Paulo Emílio Pires
N.º de páginas: 138 páginas
Início da leitura: 07/10/2026
Fim da leitura: 10/10/2026
**SINOPSE WOOK**
"Adaptação do romance de Cédric Sapin-Defour Esta é uma história de amor, vida e morte entre um homem, Cédric, e o seu cão, Ubac, um Cão de Montanha de Berna cuja presença rapidamente se torna essencial. Mas o verdadeiro herói é o laço entre eles: único, universal, que transcende muitas relações humanas. Durante treze anos, partilham risos, preocupações e momentos fugazes de intensidade, até que a morte impõe a sua ausência.
Uma verdadeira ode à vida, esta história explora o amor incondicional, a vida que passa demasiado depressa e aquelas memórias duradouras, como um aroma querido que permanece gravado na memória, mesmo depois da chuva."
Baseada na obra de Cédric Sapin-Defour, esta novela gráfica, ilustrada por José Luis Munuera, conta-nos uma história de amor e cumplicidade entre um homem e o seu cão, mostrando-nos como uma relação aparentemente simples pode ocupar um lugar intenso na vida de alguém.
A história parte de uma premissa simples: Cédric e Ubac, um Cão de Montanha de Berna, partilham treze anos de vida. Treze anos de experiências, rotinas, descobertas e afetos, durante os quais a presença de Ubac se torna inseparável da vida do seu dono. Não é preciso muito mais para construir uma narrativa comovente, porque aquilo que está verdadeiramente em causa não é a sucessão de acontecimentos extraordinários, mas a profundidade de uma relação que se desenvolve ao longo do tempo.
O tom é intimista, autobiográfico e contemplativo, respeitando a experiência pessoal de Cédric Sapin-Defour e a forma como este viveu a relação com o seu companheiro de quatro patas. A narrativa detém-se nos pequenos momentos, nos gestos quotidianos e nas particularidades que tornam cada animal insubstituível.
José Luis Munuera consegue transportar esta experiência para a linguagem da novela gráfica com uma sensibilidade notável. As imagens não se limitam a acompanhar o texto: ampliam as emoções, dão corpo às memórias e criam espaço para aquilo que as palavras não conseguem dizer. Há uma delicadeza na forma como os momentos são representados, como se o desenho procurasse preservar a intimidade de uma história que pertence, antes de mais, a quem a viveu.
Um dos aspetos que mais apreciei foi a forma como a obra aborda temas particularmente difíceis, como a velhice e a morte de um animal, sem cair em sentimentalismos excessivos. A passagem do tempo está sempre presente e, com ela, a consciência de que até as relações mais profundas estão sujeitas à inevitabilidade da perda. Ubac envelhece, o corpo transforma-se e aquilo que antes parecia fazer parte de uma rotina inesgotável começa a adquirir outro significado.
A velhice de um animal não representa apenas a transformação daquele que envelhece; obriga também quem o acompanha a confrontar-se com a fragilidade da vida e com a perspetiva de uma ausência que, por vezes, parece impossível de imaginar. Amar um animal implica aceitar a sua presença no nosso quotidiano, mas também reconhecer que o tempo que nos é dado para partilhar com ele é limitado.
A obra lembra-nos ainda que o luto por um animal pode ser tão profundo quanto qualquer outra experiência de perda. Para quem nunca estabeleceu uma ligação desta natureza, poderá ser difícil compreender a dimensão dessa dor. Mas quem já partilhou a vida com um cão reconhecerá facilmente a importância dos rituais, da companhia silenciosa e daquela presença que, sem precisar de palavras, acaba por fazer parte da própria ideia de casa e de família. Recomendo muito!
A história parte de uma premissa simples: Cédric e Ubac, um Cão de Montanha de Berna, partilham treze anos de vida. Treze anos de experiências, rotinas, descobertas e afetos, durante os quais a presença de Ubac se torna inseparável da vida do seu dono. Não é preciso muito mais para construir uma narrativa comovente, porque aquilo que está verdadeiramente em causa não é a sucessão de acontecimentos extraordinários, mas a profundidade de uma relação que se desenvolve ao longo do tempo.
O tom é intimista, autobiográfico e contemplativo, respeitando a experiência pessoal de Cédric Sapin-Defour e a forma como este viveu a relação com o seu companheiro de quatro patas. A narrativa detém-se nos pequenos momentos, nos gestos quotidianos e nas particularidades que tornam cada animal insubstituível.
José Luis Munuera consegue transportar esta experiência para a linguagem da novela gráfica com uma sensibilidade notável. As imagens não se limitam a acompanhar o texto: ampliam as emoções, dão corpo às memórias e criam espaço para aquilo que as palavras não conseguem dizer. Há uma delicadeza na forma como os momentos são representados, como se o desenho procurasse preservar a intimidade de uma história que pertence, antes de mais, a quem a viveu.
Um dos aspetos que mais apreciei foi a forma como a obra aborda temas particularmente difíceis, como a velhice e a morte de um animal, sem cair em sentimentalismos excessivos. A passagem do tempo está sempre presente e, com ela, a consciência de que até as relações mais profundas estão sujeitas à inevitabilidade da perda. Ubac envelhece, o corpo transforma-se e aquilo que antes parecia fazer parte de uma rotina inesgotável começa a adquirir outro significado.
A velhice de um animal não representa apenas a transformação daquele que envelhece; obriga também quem o acompanha a confrontar-se com a fragilidade da vida e com a perspetiva de uma ausência que, por vezes, parece impossível de imaginar. Amar um animal implica aceitar a sua presença no nosso quotidiano, mas também reconhecer que o tempo que nos é dado para partilhar com ele é limitado.
A obra lembra-nos ainda que o luto por um animal pode ser tão profundo quanto qualquer outra experiência de perda. Para quem nunca estabeleceu uma ligação desta natureza, poderá ser difícil compreender a dimensão dessa dor. Mas quem já partilhou a vida com um cão reconhecerá facilmente a importância dos rituais, da companhia silenciosa e daquela presença que, sem precisar de palavras, acaba por fazer parte da própria ideia de casa e de família. Recomendo muito!
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